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Esther Acebo: “Se gostaram da terceira temporada, a quarta… Boom”

As atrizes que representam Raquel e Mónica em "La Casa de Papel", estiveram presentes na Comic Con. A NiT entrevistou-as.
Itziar Ituño e Esther Acebo.

São mais conhecidas como Lisboa e Estocolmo, a inspetora Raquel Murillo e Mónica Gaztambide. No entanto, fora da série espanhola “La Casa de Papel“, são apenas Itziar Ituño e Esther Acebo. As duas atrizes estiveram presentes na Comic Con — que se realiza de 12 a 15 de setembro no Passeio Marítimo de Algés — na quinta-feira, dia 12, e a NiT falou com elas.

“O maior desafio para mim, ao interpretar a personagem da Raquel, foi ter de retratar uma mulher que foi maltratada”, refere Itziar Ituño numa conferência de imprensa. As duas agradecem o facto de a imprensa fazer as perguntas em castelhano e contam adorar a cidade de Lisboa. Esther revela que esteve na costa alentejana nos dias que antecederam o evento e que ficou encantada com as praias.

“20 por cento dos fãs ficaram desiludidos por [Raquel] passar para o lado dos assaltantes, mas os outros 80 aplaudiram a ideia, incluindo eu”, diz Itziar Ituño. Quanto à possibilidade de um assalto semelhante acontecer na vida real, se estariam do lado dos assaltantes Itziar responde: “Eu sempre achei que quem rouba um ladrão tem cem anos de perdão [risos].”

“Eu acho que os argumentistas da série conseguiram que todos gostássemos dos assaltantes, que os maus sejam os bons. E é verdade o que a Itziar disse, não estão a roubar uma loja pequena, mas normalmente castigaríamos os ladrões. Na série conseguimos que eles tenham algo tão carismático que estejas do lado deles, mas na vida real seria bem mais complicado”, explica Esther.

Se há algo que o fenómeno desta série fez, foi romper um pouco o mercado anglo-saxónico tão marcado. “Há algo de muito bonito que se passa com “La Casa de Papel” e com o castelhano, que é ter aberto uma porta ao mundo em respeito à ficção espanhola”, refere Esther Acebo.

A NiT esteve à conversa num espaço mais privado, à margem da conferência de imprensa. 

Como foi para vocês, enquanto atrizes, o processo de duas personagens que mudam tanto?
Esther Acebo — Foi algo que foi acontecendo. Eu, como atriz, fui construindo conforme o que ia acontecendo à Mónica. Porque cada guião que recebíamos era sempre uma surpresa. Temos um grupo no WhatsApp e perguntávamos uns aos outros: “Leste o episódio quatro? Leste o episódio cinco?”, completamente surpreendidos. E foi assim sem parar. Mas é um pouco como na vida real de uma pessoa, que tem muitas mudanças, mas aqui levado ao extremo. É preciso vivê-lo com valentia e com calma, também.

Itziar Ituño — É verdade, como não é como uma obra de teatro em que sabes o princípio e o final, e podes preparar a personagem, como num filme também, em que sabes como termina a história e podes preparar. Aqui tens de te agarrar à essência que trabalhaste no princípio e depois improvisas, como na vida real em que não sabes o que te vai acontecer. É tentar adaptar às circunstâncias.

Haverá uma quinta temporada?
Esther Acebo — Não sabemos, dizemos que oxalá que haja uma quinta, mas não há nada confirmado.

As personagens criam relações fortes dentro dos locais de assalto, cá fora acontece o mesmo com a equipa, a partilhar o set todos os dias?
Itziar Ituño — Sim. A verdade é que passas tantas horas com os teus colegas e acabas por criar uma relação muito forte. Nem sempre é bom em todos os trabalhos, mas na “Casa de Papel” damo-nos todos super bem, e é o melhor porque quando temos de trabalhar com tantas expetativas e um resultado tão grande, se alguém está um pouco mais incomodado isso pode afetar o trabalho de todos.

Esther Acebo — É uma ajuda. Temos alturas complicadas, já passámos muito frio, muito calor, muito sono, muito pó, muitas explosões, muita loucura e torna-se emocionalmente muito exigente, por isso é óptimo ter uma boa relação com os colegas e saber que estamos em boas mãos. Acabamos dias aliviados por ter um ombro amigo, outros a chorar porque achamos que não aguentamos mais [risos].

A escolha do nome Lisboa para a personagem da inspetora Raquel foi a pensar no público português que é vizinho, ou tem outra razão?
Itziar Ituño — Recordo-me de fazer uma entrevista e perguntaram-me: “Se a Raquel Murillo fizesse parte do grupo de ladrões que nome escolhia?” E eu disse Lisboa. Mas, sem saber onde ia terminar a personagem. E resultou que nesta terceira parte, que não estava prevista, porque a série tinha sido pensada para duas temporadas, escolheram Lisboa e eu fiquei muito contente.

Esther Acebo — Eu nem sabia dessa história, só soube agora.

Itziar Ituño — Sim, pediram-me para eleger o nome de uma cidade na entrevista e eu disse: “Lisboa”. Porque tinha estado aqui e tinha adorado a cidade e pensei que se tinha de ser uma capital, então escolho a capital do fado.

O que podemos esperar da próxima temporada?
Esther Acebo — Se gostaram da terceira temporada de “La Casa de Papel”, a quarta… Boom. E se digo mais alguma coisa, vai aparecer algum dos assaltantes e vai-me [gesto de cortar a garganta].

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