Televisão

“A Very English Scandal” é a nova minissérie viciante para ver numa tarde

Conta a história real de um escândalo sexual em apenas três episódios. Hugh Grant interpreta o protagonista.
Tem três episódios.

A história começa em 1965. O deputado liberal britânico Jeremy Thorpe está a lidar com o insatisfeito ex-amante Norman Josiffe, que conheceu quatro anos antes e com quem manteve uma relação amorosa.

Thorpe tinha conhecido Norman quando este era apenas um rapaz do campo de 21 anos. Tinha-lhe escrito várias cartas, que Norman guardava preciosamente. Norman tinha vários problemas na vida e não conseguia manter um emprego estável, sobretudo depois de ter perdido o seu cartão da segurança social.

Norman é alguém descrito como tendo uma tendência para dramatizar e para exprimir os seus problemas. Nesta fase, o político ambicioso Jeremy Thorpe já só o queria manter calado — se fosse revelado que tinham sido amantes, seria um escândalo nacional e a sua carreira estaria acabada.

Thorpe tinha-se cansado de Norman e tinha-lhe dito para abandonar a casa que ele tinha arranjado e pago para ele em Londres, a capital do Reino Unido. Foi nesse momento que o jovem começou a fazer ameaças de expor a verdade.

O bom amigo de Thorpe, o também deputado liberal Peter Bessell (que tinha tido igualmente experiências homossexuais), conseguiu manter Norman calado com pequenos pagamentos. Norman pediu ainda um novo cartão da segurança social, mas Thorpe não o podia ajudar porque ia ficar provada uma ligação entre ambos.

Três anos depois, em 1968, Jeremy Thorpe é eleito líder do partido — era o mais jovem político a liderar o partido no último século. Casou com a jovem Caroline Allpass e tiveram um filho.

Norman, que agora se apresentava como Norman Scott, tornou-se mais instável. Não conseguia manter um emprego nem uma relação. Bebia muito e consumia drogas. Num momento de desespero, ligou a Caroline e contou-lhe a verdade sobre o marido. 

Caroline fica chocada, mas apenas dois anos depois morre num acidente. Thorpe faz o luto, e pela mesma altura o seu amigo Peter Bessell muda-se para os EUA.

Norman continua a tentar obter um cartão da segurança social e tenta que a sua história seja ouvida, mas sem sucesso. Alegadamente, Jeremy Thorpe pondera sobre se deve mandar matar o seu antigo amante, mas acaba por não o fazer.

Três anos depois, Thorpe casa de novo e a sua carreira política continua em ascensão. Por mero acaso, reencontra Norman, entra em pânico e pede a um amigo antigo de Oxford, David Holmes, para preparar o seu assassinato.

Um homem chamado Andrew Newton é contratado por uma quantia equivalente a mais de onze mil euros. Apesar disso, não consegue matar Norman — deixa apenas o seu cão morto. Norman faz imediatamente queixa à polícia e acusa Thorpe de estar envolvido na tentativa de homicídio. E assim se dá início ao escândalo público.

O caso vai para tribunal, é acompanhado diariamente pela imprensa e a carreira política de Thorpe será profundamente abalada. Esta história real, que inclui muitos outros detalhes, é a premissa para a nova minissérie “A Very English Scandal”, que estreou em Portugal a 8 de julho, na plataforma de streaming da HBO.

Esta produção de três episódios da BBC estreou originalmente em 2018 e baseia-se no livro com o mesmo título escrito por John Preston. É sobretudo um drama, embora com momentos de comédia negra, numa narrativa que se foca exclusivamente nesta história, na aparente impunidade política e na homofobia presente na sociedade britânica durante esta época.

Hugh Grant interpreta Jeremy Thorpe, enquanto Ben Whishaw faz de Norman. O elenco inclui ainda Alex Jennings, Patricia Hodge, Paul Hilton, Naomi Battrick, Morgan Watkins, Monica Dolan, Jason Watkins e Blake Harrison, entre outros.

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