Televisão

“Dark”: como o final da série da Netflix está ligado ao primeiro episódio de sempre

A terceira temporada da produção alemã estreou na plataforma de streaming a 27 de junho.
A terceira temporada tem oito episódios.

O tempo é infinito, mas “Dark” não. A Netflix decidiu terminar a série alemã com uma terceira temporada, que estreou a 27 de junho — e está a ser muito elogiada pelos fãs. No total tem oito episódios.

Apesar das múltiplas linhas temporais e das três realidades paralelas, a produção conseguiu um (difícil) final satisfatório — de acordo com a maioria das críticas e segundo os comentários dos espectadores nas redes sociais. Além de terem de conjugar as diferentes versões das personagens, os argumentistas tiveram de dar um final coerente a cada uma delas, para que tudo fizesse sentido tendo em conta a linha narrativa mais global.

O último capítulo de “Dark” está a ser especialmente aclamado — até porque há referências ao episódio piloto, com que tudo começou. Jonas e Martha conseguem travar o apocalipse ao pararem o acidente de carro de Tannhaus.

Sem ter onde se inspirar, Tannhaus nunca inventa as viagens no tempo, e, por causa disto, certas pessoas que estão fora de tempo desaparecem completamente, incluindo os próprios Jonas e Martha.

O seu sacrifício custou aos fãs, mas não foi em vão. Ao abdicarem das próprias vidas, Jonas e Martha conseguiram preservar a linha temporal original e garantir que a vida continua. Depois desta despedida, a última cena de “Dark” passa-se com Hannah, já adulta.

Ela está a jantar com o marido, Wöller (cujo olho está curado), e outros amigos em casa. De repente, uma trovoada corta a eletricidade. Hannah olha de forma breve para um casaco amarelo que é muito parecido com aquele que Jonas usou ao longo da série. O que faz com que haja um estranho déjà vu.

Hannah diz mesmo que aquele momento parece um sonho que teve na noite anterior, como algo que já viveu — e ela tem razão em ter aquela sensação, apesar de não o saber. O tempo está em roda, em repetição constante, em “Dark”, o que faz com que haja várias linhas temporais e até realidades.

Para chamar a atenção do público para a gravidez de Hannah, Katherina pergunta qual vai ser o nome do bebé. Inicialmente, Hannah diz que não sabe, mas depois faz uma pausa — quase como se estivesse a ouvir uma voz a falar com ela — e mesmo antes de começarem os créditos no final do episódio, diz que acha que Jonas seria um nome muito bonito.

Este momento específico tem uma ligação com o episódio piloto da produção alemã da Netflix. Muito antes de Jonas e Martha saberem o que lhes esperava, tiveram uma pequena conversa — aparentemente banal — que na verdade deixava antever aquilo que se seguiria.

Mais ou menos aos 30 minutos do primeiro episódio, Martha tem um déjà vu. “A luz, a floresta. É como se tudo isto já tivesse acontecido antes”, disse a personagem na altura.

Jonas responde com uma teoria clássica sobre este fenómeno. “Se o mundo é uma simulação, o déjà vu é uma falha na máquina.” Martha sugere que poderia até ser “uma mensagem do outro lado”.

É algo parecido com isso que acontece no final da série. É quase como se Jonas tivesse sussurrado ao ouvido de Hannah naquele momento — algo para o qual havia uma referência no primeiro episódio de todos, que estreou em 2017.

Apesar de esta versão de Jonas ter sido apagada da existência, um novo ciclo vai começar agora com um bebé chamado Jonas. Isto faz com que os espectadores reflitam sobre como as linhas temporais se repetem, uma e outra vez — e cria uma ligação entre o primeiro e último episódio de “Dark”.

A narrativa da história é tão complexa — e pode ser tão confusa para os espectadores menos atentos — que a Netflix lançou um site que ajuda a compreender melhor todos os elementos do enredo. Pode escolher a temporada e o episódio que precisa de decifrar para ter acesso a essa informação (sem spoilers incluídos).

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