Televisão

“Dança com as Estrelas”: Tens muitos seguidores? Não precisas de dançar

O humorista Miguel Lambertini analisa o mais recente episódio do programa da TVI.
Carolina Deslandes foi elogiada neste episódio.

Depois de uma primeira gala onde ficámos a conhecer as novas estrelas que animam os serões de domingo na TVI, no segundo episódio, transmitido a 23 de fevereiro, teve já lugar a primeira cerimónia com direito a eliminação. E não, apesar do que tudo levava a querer, não foi Jessica Athayde que foi expulsa do programa, mas sim o ator Miguel Raposo.

Depois de somadas as votações do júri, o público votou nos seus pares preferidos e decidiu levar ao frente a frente Miguel Raposo e Carolina Deslandes. A decisão final dependeu do televoto e Carolina Deslandes levou a melhor, porque teve uma prestação incrível na última dança. Não, não teve nada, mas conta com 650 mil fãs no Instagram e o Miguel Raposo tem apenas 5800. Quer dizer, agora tem mais um, que eu comecei a segui-lo. Aliás, se ficaram com pena de que o Miguel Raposo tenha saído, sigam-no que o artista merece, apesar de ter andado o programa todo a exibir os mamilos de forma ostensiva, o que devia ser proibido. Uma pessoa está a tentar concentrar-se na técnica e precisão dos glúteos da Guilena e de repente leva com um grande plano do mamilo de Miguel e sobe-nos o jantar à boca. Como se não fosse suficiente terem convidado a Fanny para dançar rock n’ roll… 

Em vésperas de Carnaval, os apresentadores Pedro Teixeira e Rita Pereira arrancaram a emissão a dançar ao som de “Samba de Janeiro”, um tema que, infelizmente, mais vítimas tem dizimado por essas pistas de dança fora. É que o refrão ao som da corneta um gajo ainda dança, o problema é aquela parte do “sempre assim… em cima… em cima, em cima, em cima, sempre assim… em baitxo…” e é aqui que normalmente há dois ou três aspirantes a dançarinos que rebentam com o menisco ou fazem uma lombalgia de esforço e encostam às boxes o resto da noite. A não ser que estejam muito bêbados e aí só se apercebem no dia seguinte, quando acordam no chão da sala com o cão a lamber-lhes os entrefolhos. Ao tentar escapar dessa ridícula situação percebem que não se conseguem levantar (e que entraram na casa errada ontem à noite, porque não têm cão). Mas ninguém quer saber o que eu faço aos sábados à noite, por isso continuemos com a crónica sobre o “Dança com as Estrelas”, que a vida são dois dias e o Carnaval são três.

Por falar nisso, ao contrário do que é habitual no nosso País, tivemos um fim de semana de Carnaval com boas temperaturas, o que permitiu que pela primeira vez não me parecesse tão ridículo ver jovens semi-nuas a dançar samba na avenida principal da Guarda. Os telejornais lá passaram o dia em diretos sobre os desfiles alegóricos e a entrevistar foliões que tentam convencer o repórter de que a festa da sua terra é que é a melhor, como se isso lhes fosse dar pontos extra na carta de condução.

O que eu gosto mesmo de ver são aqueles senhores, muito machões e extremamente viris durante 362 dias do ano, mas quando chega o Carnaval… ”ai filha!”, ficam doidas para poderem sair do armário das namoradas, vestidos com as suas mini-saias, collants de renda, sutiãs e saltos altos, daqueles de fazer inveja na cara das inimigas, lá da oficina. Mas depois andam sempre de pernas abertas porque são muito homens, hein? Dá-me ideia de que no Carnaval de Torres Vedras há matrafonas que demoram o mesmo tempo a produzir-se do que a Maria Leal quando vai gravar um videoclipe. E o mais triste é que algumas ficam mais atraentes do que ela. 

Aproveitando precisamente este mote carnavalesco, Rita Pereira decidiu desfazer-se do macacão encarnado com que iniciou o programa e trocou-o por um vestido brilhante feito com restos de CD dos D’Zrt, que apanhou no camarim do Cifrão. O presidente da mesa do júri prometeu no programa passado que desta vez ia pôr Jessica Athayde na linha e tinha razão, porque realmente Jessica esteve com uma postura bastante mais regrada, o que é uma chatice para quem vê o programa, mas principalmente para quem escreve crónicas de humor.

Jéssica, ao contrário dos restantes jurados, não atribuiu nenhum 10 — esqueceram-se de avisá-la uma vez mais de que afinal agora já podia — e a maior extravagância que fez foi pedir que o Paulo Pires ficasse em tronco nu da próxima vez. Felizmente, estava ao lado o presidente da A.A.Q.P.N.I.T.N., Associação de Atores Que Passam a Novela Inteira em Tronco Nu, Pedro Teixeira, que irá avaliar o pedido em sede própria.

Como presidente do júri, o Dr. Cifrão tem uma placa especial com a frase “Coreo da Noite” — que podia ser o nome do novo single do David Carreira — e que levanta quando acha que determinado par apresentou a melhor coreografia. Foi o que aconteceu com Virgul e Ana Cardoso, que dançaram kizomba e durante a sua atuação sensualona derreteram mais um glaciar na Antártida. Eu acho piada a esta ideia da placa do Cifrão, por isso fiz umas placas minhas, um pouco mais parvas e que gostava agora de apresentar.

Placa “Não Matem os Velhinhos”

Paulo Pires queixou-se de que não era fácil aprender a dançar, nesta altura da vida, atendendo a que é um homem que nasceu em 1967 e a sua parceira de dança, Anna, referiu o mesmo. Calma, malta, o Paulo só tem 52 anos. Não é como se tivessem convidado o Dr. Cavaco Silva para abanar a anca ao som de Jive. A Jennifer Lopez tem 50 anos e deu um show de anca no intervalo do Super Bowl deste ano que mete muitas pitas a um canto. Até a avó do Marco Costa subiu ao palco e abanou-se com mais estilo do que o próprio neto, por isso, Paulo, não desistas que os 50 são os novos 40. 

Placa “Ou comes a sopa ou ponho-te nas danças de salão!”

A certa altura, Rita Pereira anuncia um momento de dança com os campeões nacionais de danças de salão, duas criancinhas de dez anos que vão dançar tango. O miúdos dançavam muito bem, sim senhor, mas nunca percebi o fascínio destas crianças que veem alguém a dançar com um fato de lantejoulas e sapatos de tacão e dizem: “no Natal quero um fato destes, um frasco de gel e ir aprender a dançar chá-chá-chá, como um idoso na reforma”. 

Placa “Who let the dogs out?”

Um dos estilos escolhidos para esta gala foi o pasodoble, uma dança de origem espanhola que muitas vezes se ouve nas touradas. Quando a música começou ainda fiquei na expetativa de ver o toureiro João Moura entrar e logo a seguir uma matilha de rottweilers que não almoçou, a correr atrás dele. Por um lado, tinha sido um bom momento de entretenimento televisivo; por outro, tratávamos-lhe da saúde, porque a avaliar pelo seu aspeto está claramente com falta de exercício físico. 

Placa “Os filhos não se fazem a jogar Mikado (nem sequer na Lapa)”

Carolina Deslandes dançou kizomba e Rita Pereira não deixou passar o momento em branco. A família Deslandes estava na plateia e a apresentadora não resistiu a brincar com o facto daquele estilo não ser “muito apropriado para uma família benzoca”. Mas Carolina respondeu rapidamente que até nas famílias da Lapa se dança kizomba e outros estilos, principalmente quando se vai lá abaixo conviver com a criadagem. Senti que de repente ficou ali um ambiente meio estranho de tensão entre a claque de cap e fato de treino da Adidas Vs. a claque sapatos de vela e pullover.  

Jessica também se mostrou surpreendida com os moves sensuais da cantora, e comentou: “Tens três filhos e nunca imaginei ver-te a mexer dessa forma”. Carolina respondeu que os filhos não se fazem a jogar Mikado. Eu fiquei a imaginar como seria fazer o amor em cima de pauzinhos bicudos às cores e a Rita Pereira lembrou-se de que Mikado seria um ótimo nome para o seu próximo filho.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT