Televisão

“Big Brother”: houve berros e choradeira na despedida de Pedro e Jéssica

O humorista e cronista Miguel Lambertini analisa o mais recente programa do reality show da TVI.
Jéssica saiu do programa.

Este domingo, 5 de julho, na gala do “Big Brother” houve essencialmente intervalos que eram interrompidos, de vez em quando, com um pouco de programa. Acho que têm de ver isso, porque se calhar ainda havia espaço para um pouco mais de publicidade. Mas é normal, há contas para pagar, aquela piscina é muito grande e só em cloro e colchões de água para a Jéssica passar o dia deitada deve ser um balúrdio.

No início do programa, o “Big Brother” fez mais um dos seus avisos dramáticos: “Hoje vão ver frente a frente o que dizem nas costas. Até ao último momento tudo pode acontecer!” Desconfio que haja uma tômbola na TVI só com frases feitas destas, que tanto dá para o “Big Brother” como para anunciar a novela das sete. 

Já em estúdio, o público aplaude para dar entrada ao apresentador. Gosto muito daquele compasso de espera de três segundos que o Cláudio Ramos faz, antes de entrar, e fico sempre a pensar: “olha, queres ver? É hoje que não vem, desistiu, pronto”. Mas não, é só mesmo para criar aquele suspense. Embora eu prefira pensar que ele não quer mesmo entrar e alguém o empurra, já em desespero.

O programa está na reta final, mas, se é um fã, não desanime, porque este domingo foi anunciado que vem aí uma nova edição do reality show. “Big Brother — A Revolução” é como se chama e as inscrições já estão abertas. Será que Cláudio Ramos vai dar lugar a Otelo Saraiva de Carvalho na apresentação deste novo formato que começa em setembro? “Noélia? Ó Noélia, pá!” Não sabemos, mas enquanto a revolução não chega, aqui fica o que de mais interessante aconteceu na gala deste domingo.

Netflix da Ericeira 

O “Big Brother” anunciou: “Esta noite têm uma nova série para ver no BB Play”. Fazia-me muita falta um “Big Brother” cá em casa para escolher as séries. Sempre evitava ficar duas horas a ver trailers para acabar por escolher uma produção sino-dinamarquesa — sobre uma família com uma criança autista que faz criação de focas — e adormecer nos primeiros três minutos. “Frente a Frente” não é sobre focas, é sobre fofocas e ontem pudemos ver os três primeiros episódios.

Eu, quando oiço a expressão “cu sem opinião”

O primeiro intitula-se “Esticar a língua” e conta com Teresa e Jéssica como protagonistas. Teresa consegue a proeza de disparar para todos os lados e destilar mais veneno do que uma fábrica ilegal de aguardente. “São todos doutores e depois: o que é que você faz? Naaaada!” Teresa tem o discurso de um taxista amargurado que esteve na guerra do ultramar. Mas o alvo predileto da concorrente é Noélia, a quem chamou de “ridícula”, uma “mosca à roda da merda” e um “cu sem opinião”, que é um insulto maravilhoso. “Cu sem opinião” é tão genial que podia ser o nome de uma banda de rock portuguesa dos anos 80.    

O segundo episódio da série chamava-se “Sonsa do 7º Dia” e estranhamente centrava-se na Iury, que, como todos sabemos, não é sonsa. Nããããão. No vídeo, Jéssica confronta a miss com alguma incongruência de comportamento: “Tu na gala parece que te fazes de burrinha”. Caso para dizer, eita! Como assim, parece? Não parece, faz mesmo. Dona Soledad defende a filha e diz que o marido é exatamente assim: quando está sobre pressão gagueja. Pois claro, eu se estivesse frente a frente com Dona Soledad também gaguejava, que a senhora realmente impõe respeito. Imagino como é que aquelas duas filhas foram geradas: “Deite-se homem! Dispa-se e pare de gaguejar! Agora introduza o seu schwartz na minha palomita, rápido!” Isto, sim, era uma série que eu via de bom grado sem adormecer. 

Sinto que hoje podiamos ficar por aqui com esta imagem romântica de coito, mas quero só destacar mais dois momentos. 

Depois de assistirmos aos vídeos de corte e costura, escárnio e maldizer, Cláudio pede a Ana Garcia Martins (A Pipoca mais Doce) para comentar. Pipoca constata que “sempre que vemos vídeos deste género estão envolvidos elementos dos kamikaze”, e por regra incluem comentários “maldosos e intriguistas”.

A Pipoca cada vez que vê um dos kamikaze.

Enquanto a comentadora diz isto vemos os ex-concorrentes sentados atrás a cochichar entre si e provavelmente a combinar quem é que traz a naifa no próximo programa. Temo pela integridade física da Pipoca se os kamikaze continuarem a sentarem-se atrás dela nas galas. Talvez não fosse má ideia montar um espelho retrovisor naquele sofá ou ter uma latinha de gás pimenta escondido no sutiã, just in case. 

Te amo Pedro! Te amo Jéssica! 

Não sei que moda é esta dos concorrentes do “Big Brother” de iniciar uma frase com o pronome pessoal oblíquo antes de o verbo amar, mas talvez seja uma boa altura de denunciar esta fantochada. “Te amo” não só é piroso como é errado, malta. A forma correta de dizer é “amo-te”, já que a frase deve ser iniciada na forma verbal, privilegiando-se uma colocação pronominal enclítica, ou seja, depois do verbo. Agora que já deixei orgulhoso o meu professor de português do quinto ano e afugentei todos os leitores, vou terminar esta crónica.

A votação dos portugueses ditou a expulsão de Jéssica e a separação do casal TAP, o que gerou grande comoção em ambos os concorrentes. Jéssica desatou aos berros para se despedir do seu namorado e Pedro aos berros desatou enquanto se desmanchava em pranto pela sua amada. 

Ciao, Jéssica!

O mesmo Pedro que, quando a Soraia pensava que o Daniel tinha sido expulso, lhe disse “tem calma, são só três semanas”, agora não aguenta nem cinco minutos e acha que vai morrer. “Eu vou morrer estas duas semanas aqui”, dizia o concorrente entre lágrimas e ranhoca. É o fim do mundo? Não, Pedro, até porque cá fora isto está uma bela merda, por isso aproveita as próximas semanas, que a maior parte de nós preferia mil vezes estar aí fechado. Digo eu, que sou apenas um cu com opinião.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

NiTfm

AGENDA NiT