Televisão

Apaixonei-me pelo médico de “New Amesterdam” mas não sei se a relação tem futuro

Estreou esta quinta-feira na Fox Life, em episódio duplo, e ao contrário do que prevíamos, não foi assim tão mau.
A equipa quase toda, pronta para tudo.

Dizer que me apaixonei por Max Goodwin, personagem interpretada por Ryan Eggold, é um exagero, admito. Digamos que parei de embirrar com ele ao longo dos 80 minutos dos dois episódios de estreia da série “New Amesterdam”. Tendo em conta que a cara dele espalhada por mupis em toda a cidade me irritava de sobremaneira, já é uma vitória: Fox Life 1- Diana 0.

“New Amesterdam” retrata o primeiro hospital público dos EUA que na verdade se chama Bellevue, (como a canção dos GNR) inspirado no livro “Twelve Patients: Life and Death at Bellevue Hospital”, escrito pelo médico Eric Manheimer. Este “retrata” é amplamente romantizado porque, afinal de contas, é uma série de televisão.

Contras

Despachemos as coisas más logo no início para nos podermos concentrar nas boas. Afinal estamos no mês do Natal e boa vontade é coisa que não nos falta. 

O episódio piloto começa em grande: uma mulher dada como morta, mas que afinal está viva, descoberta feita pela super médica Lauren Bloom (Janet Montgomery) que entra nas urgências despenteada e com cara de quem andou na borga. Uma wild one que, como dizem os americanos, “doesn’t play by the book”. 

Montgomery é uma boa atriz e desempenha bem o papel que lhe foi dado, porém, um argumentista qualquer achou que tinha de se forçar um flirt entre ela e o cirurgião cardíaco Floyd (Jocko Sims), duas pessoas sem química, diálogos sofríveis. Montgomery não precisa de ninguém para brilhar, muito menos de uma paixoneta por um médico que não está nem aí para ela.

Além da morta que não estava morta, Max, diretor clínico do hospital, consegue no seu primeiro dia despedir todo o departamento de cardiologia — bom momento — e arranjar uma catch phrase que ao fim da terceira vez já cheira mal: “Como posso ajudar?” A ideia é pôr o hospital nos eixos, preocuparem-se somente com os pacientes, tudo espetacular, porém, ingénuo. Max, ou é burro, e não devia estar a gerir um hospital, ou é louco e não devia estar a gerir um hospital.

Não sei se é a personagem ou o próprio ator, a verdade é que por vezes Goodwin é irritante. Como uma criança com demasiada energia e que absorve a atenção de todos. Talvez por isso lhe tenham dado três dramas, numa tentativa de o deixar mais empático: a morte da irmã ainda em criança, a mulher com problemas na gravidez, de quem estava temporariamente afastado, e um cancro na garganta. Não pouparam nas listas desgraças.

No momento, pessoas como eu que, se comovem por tudo e por nada, darão por elas de olhos molhados. Depois, quando se pensa no assunto, assume-se que tanta desgraça talvez seja demais. Mas no fundo queremos que ele vença, que mude o mundo e cure a doença e que cante para a filha ainda por nascer em todos os episódios. Max é querido. Max é irritante. E não somos todos?

Prós

O facto de retratar um hospital público, coisa rara nos EUA, faz com que vejamos (mais ou menos) um lado a que não estamos habituados — mais caos, piores instalações e burocracias e leis reais que chocam o povo europeu. Ou então só a mim.

Ao contrário de outras séries médicas, cuja ação se passa quase sempre em hospitais privados, de ótimas instalações, onde só quem tem seguro é que entra, aqui há uma maior variedade de casos, até porque o hospital tem uma ala só para os prisioneiros de Rikers, e uma ala de psiquiatria, com o Dr. Iggy Frome (Tyler Labine) a liderar o departamento, o comic release da série com um side kick improvável, o Dr. Vijay Kapoor (Anupam Kher)

Pelo menos a julgar pelos dois primeiros episódios, há menos relações amorosas dentro do hospital, zero encontros sexuais nas salas de descanso, e mais hospital em si. 

“New Amersterdam” é uma boa alternativa para os apreciadores de séries light no geral, e médicas em particular que já não conseguem acompanhar a novela “Anatomia de Grey”. Provoca algumas lágrimas, faz rir em pequenas ocasiões e… vamos aguardar pelas cenas dos próximos episódios.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

NiTfm

AGENDA NiT