Teatro e exposições

A nova instalação do MAAT é um “atentado ao pudor”

"Ama Como a Estrada Começa" é o nome da exposição que está no museu a propósito das comemorações do seu terceiro aniversário.
Está em exposição até abril de 2020.

Os artistas portugueses João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira desenharam uma instalação de dois pisos que está em exposição no MAAT, em Lisboa. A obra é inspirada num episódio que aconteceu em Paris, em 1964, quando Mário Cesariny foi preso e acusado de “atentado ao pudor”, depois de tentar seduzir um polícia num cinema da capital francesa.

A dupla nacional foi para a capital francesa em 2018 à procura de inspiração artística à volta da imigração portuguesa naquele país e da narrativa do trabalhador “humilde”, que permanece nesse imaginário. “Ama Como a Estrada Começa” é o nome da exposição que resultou desse trabalho, que está instalado no MAAT a propósito das comemorações do seu terceiro aniversário.

Esta “piscina” pretende recriar uma sauna gay.

Por lá, vai poder ver a nova instalação, que é um mistura entre um clube de sexo, uma prisão, um balneário público e uma sauna, inspirados em spots gays e nas vidas passadas à margem da sociedade.

Para entrar, tem de subir as escadas que levam até uma divisão parecida com a casa de banho de uma prisão coberta de grafitti. Todas as secções deste edifício evocam imagens de sujidade, doença, crime e castigo. Ao longo de uma das paredes, há o modelo de um bar gay com bebidas meio bebidas, cinzeiros e um rádio velho.

A inspiração vem também de “A Cidade Queimada”, o livro que Cesariny escreveu em 1964 durante os dois meses que esteve na prisão de Fresnes, em França. Os poemas, desenhos, colagens e textos onde falava da torre de Saint Jaques — um monumento em Paris — estão presentes em alguns elementos da exposição.

A exposição vai estar no MAAT até 17 de fevereiro de 2020.

Casacos e perucas.

 

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