Teatro e exposições

Lisboa vai ter um Museu do Terramoto de 1755 — onde poderá sentir um sismo e um tsunami

É um híbrido entre museu e espaço de entretenimento interativo e deverá abrir em 2020.

A ideia era abrir na Baixa, mas vai ser em Belém.

O terramoto de 1755 foi um dos acontecimentos que mais marcaram (e mudaram) a cidade de Lisboa. Em 2020 vai nascer um museu dedicado à catástrofe natural, chamado Quake — Centro do Terramoto de Lisboa.

Vai ser um híbrido entre museu e espaço de entretenimento com diversões e experiências interativas e imersivas — a ideia é funcionar como um espaço turístico como, por exemplo, o Madame Tussauds, em Londres, no Reino Unido.

Destaca-se, tal como se pode ler no site da Assembleia Municipal, que apresenta o projeto, a experiência imersiva, de realidade virtual, que acontece num cenário de igreja. Os visitantes sentam-se nos bancos, “assentes numa plataforma hidráulica, sincronizada com mapeamento de vídeo, som, simuladores de odor, de fumo e de calor”, cita o “Observador”.

Aí, vão assistir ao sismo que vai abalar e destruir parte da cidade. “Na sequência dos abalos, por entre várias marcas de destruição, abre-se uma enorme racha na parede, através da qual os visitantes são convidados a fugir.”

As pessoas deslocam-se dessa igreja, agora destruída, para a sala onde irão assistir à simulação do tsunami que o terramoto provocou em 1755, para terminar a experiência mais imersiva daquele espaço. Também será lançada uma aplicação de realidade aumentada para contribuir para esta imersão.

As restantes salas terão informação de contexto histórico, cultural e científico sobre o acontecimento, algumas com projeções em 4D e a 360 graus. As informações vão ser apresentadas em português, inglês, castelhano e francês.

Vai haver ainda uma sala de aula ou de escritório para todos os que queiram passar pela experiência de estar num sismo fictício. Terão de se comportar como se estivessem num verdadeiro terramoto, com os procedimentos de segurança adequados.

O Quake — Centro do Terramoto de Lisboa vai ficar junto do Museu Nacional dos Coches, em Belém, num terreno na Rua da Junqueira que atualmente é considerado devoluto pela autarquia. A entrada vai-se fazer pela Avenida da Índia, no lado oposto do MAAT. O objetivo da empresa responsável pelo projeto, a Turcultur, dos empresários Ricardo Clemente e Maria João Cruz Marques, é receber 250 mil visitantes por ano, com bilhetes a rondar os 12€.

A ideia é atrair milhares de turistas, claro, mas também grupos portugueses de escolas, por exemplo. Haverá um número máximo de 24 pessoas de cada vez e uma estimativa de 144 por hora. Cada sala demora cerca de 10 minutos a visitar.

O projeto foi aprovado na Assembleia Municipal de Lisboa a 19 de julho, com votos a favor do PS, CDS, MPT e de um deputado independente. PSD, BE e PCP votaram contra — os principais motivos foram a falta de uma contextualização científica do terramoto, a ausência de concurso público e a falta de informação sobre o que acontecerá aos artefactos arqueológicos que provavelmente serão encontrados quando as obras começarem.

O terreno foi cedido pela Câmara Municipal de Lisboa durante 50 anos, com uma renda anual de 24,4 mil euros. A construção deverá custar perto de seis milhões de euros, financiados por dinheiro da própria empresa, financiamento bancário e fundos europeus.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT