Teatro e exposições

Esta escultura de Miguel Torga numa árvore está a irritar a filha do escritor

O rosto do autor foi cravado na raiz da árvore que inspirou um dos seus poemas mais famosos.
O escritor português morreu em 1995.

Adolfo Rocha Correia, mais conhecido por Miguel Torga, é um dos escritores e poetas portugueses mais influentes do século XX e agora tem o seu rosto esculpido em São Martinho de Anta, no concelho de Vila Real. “Torga e As Suas Raízes” é o nome desta obra que pretende assinalar o aniversário do nascimento de um dos autores mais conhecidos do Douro e que se celebrou esta quarta-feira, 12 de agosto.

Óscar Rodrigues é o artista responsável pela escultura e utilizou uma motosserra para fazer a peça. “Tem muito mais sentido fazer esta intervenção no negrilho, árvore que ele imortalizou através da sua escrita. A alma, a essência está nisso”, revelou o autor à Agência Lusa, citado pelo “Observador”. Este trabalho foi feito ao vivo na praça central de São Martinho de Anta e pretende homenagear o escritor português. 

De um lado da escultura pode ver-se o rosto de Torga, com os seus traços físicos característicos, de nariz longo e lábios finos; do outro, estão as ramificações que se entrelaçam e fundem com o material. A árvore em causa foi a protagonista do poema “Negrilho” e terá secado no ano da morte de Miguel Torga, em 1995.

O presidente da Junta de Freguesia de São Martinho de Anta e Paradela de Guiães, José Gonçalves, afirmou que tentaram aproveitar o tronco do negrilho que tinha sido colocado no local original, mas “estava já podre”. Por isso, optaram por usar a raiz. No final do projeto, a madeira vai ser tratada e preservada.

Ainda assim, a escultura tem provocado alguma polémica nas redes sociais. Há pessoas que elogiam a intervenção e outras que a criticam, com o argumento de que a famosa raiz deveria ter ficado inalterada.

A filha do escritor também criticou esta opção e confessou estar “desolada”. “A intervenção na raiz do negrilho é uma profanação duma bela raiz centenária, duma obra da natureza que deveria ser exposta tal como era, de forma sóbria, apenas protegida das intempéries por um vidro com o poema de Torga gravado”, afirmou Clara Crabbé Rocha. 

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