Música

O concerto mais politizado do ano: Bono falou sobre os refugiados e elogiou Ana Moura

Os U2 tocaram a primeira de duas datas na Altice Arena, em Lisboa, este domingo, 16 de setembro.

Os U2 voltam à Altice Arena esta segunda-feira.

Era o concerto mais esperado do ano: os U2 esgotaram em pouco mais de uma hora a Altice Arena, em Lisboa, quando a atuação foi anunciada no início de 2018. Depois de meses angustiantes de espera, os fãs reuniram-se finalmente para assistir ao espetáculo da banda irlandesa este domingo, 16 de setembro. A segunda data está marcada para esta segunda-feira, dia 17.

A banda de Bono está na estrada com a sua eXPERIENCE + iNNOCENCE Tour. O objetivo é apresentar os seus dois últimos discos, “Songs of Innocence”, de 2014, e “Songs of Experience”, de 2017 — o grupo já não atuava em Portugal há oito anos.

Por isso mesmo, o alinhamento deixou de fora alguns dos maiores sucessos da banda. Não foi tocado, por exemplo, qualquer faixa do mítico “Joshua Tree”. O que já se esperava, e se confirmou, foi o discurso dos U2 sobre temas sociais e políticos.

A atuação arrancou com o discurso de Charlie Chaplin no filme “O Grande Ditador”, de 1940, antes de serem transmitidas imagens das cidades que fazem parte desta digressão — destruídas, em regimes opressivos ou em situações de emergência entre os anos 20 e 40.

O objetivo, claro, é mostrar como estes cenários de terror não estão assim tão longe. E que é preciso ter cuidado e tomar medidas para que certas situações não voltem a acontecer. Bono falou do Mediterrâneo — o mar onde ele e os seus colegas de banda tantas vezes brincaram com os filhos — e onde agora os cruzeiros se cruzam com barcos de borracha cheios de refugiados e migrantes.

Para o encore — e depois de “Pride (In The Name of Love)”, com imagens de manifestações fascistas e antifascistas, num dos momentos mais efusivos da noite — Bono quis falar da luta das mulheres. Foi nessa altura que agradeceu à portuguesa Ana Moura, que participou na campanha Poverty is Sexist, da organização One, de Bono, que tenta combater as causas que mantêm as mulheres e raparigas em condições de pobreza em países pouco desenvolvidos.

“Estamos muito orgulhosos da campanha da One e das mulheres dispostas a ajudar. As merdas acontecem quando as pessoas se organizam. As coisas começam mesmo a acontecer quando as mulheres se organizam”, disse o vocalista da banda, antes de mencionar o movimento #MeToo.

As suas palavras foram recebidas com uma ovação. “Estou a aprender, sempre e sempre, sobre coisas. Queria só partilhar mais uma ideia convosco. O que aprendi com esta tour é que é ok depender de outras pessoas. É ok para mim ser um quarto de uma banda. E tenho de agradecer muito à minha parceira, Ali.” Depois, Bono começou a cantar “One”.

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