Música

NOS Alive: “O nome do festival foi inspirado na música dos Pearl Jam”

A banda de Seattle está de volta este ano e Álvaro Covões recorda à NiT o dia em que Eddie Vedder lhe apareceu no gabinete. 

Álvaro Covões, 55 anos, patrão do NOSALIVE

Quem entra na sede da Everything is New, a promotora do NOS Alive, dificilmente deixa de reparar nas paredes do hall e da sala de reuniões. Há um caixão em miniatura oferecido pelos Metallica e fotos de gente bem conhecida: está lá a Beyoncé, Noel Gallagher, Ben Harper, Leonard Cohen entre muitos outros.

Álvaro Covões, 55 anos, tem um quadro nas costas da sua secretária que faz justiça ao título: um stencil ao estilo do célebre “hope” de Obama, desenhado por Shepard Fairey, onde se lê “The Boss”. A poucas semanas do arranque do NOS Alive’18, a NiT falou com o patrão do festival mais internacional português.

Viu a Eurovisão? O que achou?

Não, não estava cá. Estava no Brasil com a EDP Live bands. Fazemos este concurso em Portugal, Espanha e Brasil, um dos prémios é tocar NOS Alive’18, o outro é gravar um disco por uma editora major. Só no Brasil tivemos 1600 bandas concorrentes, de todos os estados. A final portuguesa é sexta-feira, dia 25 de maio, no LX Factory.

Mas tem opinião sobre a Eurovisão?

[risos] Não tenho… acho que para Portugal foi muito bom, nem que seja por ser um dos programas mais vistos em todo o mundo, acima da audiência do Superball. Fala-se em 200 milhões de lares, o que é muito bom para o País.

E musicalmente, o que acha?

Não assisti a nada, aquilo é muito pop. Mas nunca podemos deixar de referir que passaram por ali grandes nomes, como os ABBA ou a Celine Dion. Isso é incontornável.

Um dos dias do NOS Alive’18 (Pearl Jam) esgotou em dezembro. Alguma vez tinha acontecido tão cedo?

Não, talvez não. O dia dos Pearl Jam esgotou a 5 de dezembro, julgo que nunca tinha acontecido com tanta antecedência. Temos menos de mil bilhetes para o dia 13, o resto está esgotado. E é a 3.º edição consecutiva que esgotamos os bilhetes.

Alguns destes nomes já tinham passado pelo festival, como Pearl Jam, Jack White (na altura com White Stripes). Isso é uma vantagem na hora de negociar?

Curiosamente vieram ambos na primeira edição. Não podemos escolher, não é dizer “vem cá a Portugal fazer uma perninha”. O objetivo é conseguir trazer os artistas que estão na estrada e fazem sentido. A maior parte destas bandas decide fazer uma tour por grandes festivais. Tudo isto começa quando conseguimos posicionar o NOS Alive na rota dos melhores do mundo, onde os  artistas querem tocar.

É a terceira vez que traz os Pearl Jam a Portugal.

Por isso é que este festival se chama Alive, por causa da música (“Alive” do “Ten”, primeiro disco dos Pearl Jam). Foram os grandes inspiradores, e os cabeça de cartaz nesse primeiro ano, ao lado de Linkin Park e Beastie Boys, que também se estreavam em Portugal.   

Mas não há bandas mais difíceis de trazer do que outras?

A mais difícil será a que custa mais dinheiro.

É esse o critério?

Não, não. Uma banda difícil é, por exemplo, uma que tenha mau feeling com a cidade ou com o País. Já aconteceu ter dificuldades em contratar uma banda – e não vou dizer nomes – porque o baterista tinha apanhado uma intoxicação alimentar no ano anterior. Depois percebemos que nem sequer tinha sido cá em Portugal. E a banda acabou por vir.

E se um artista fica doente na véspera?

É um problema, tem imensas implicações. Um artista quase não pode ficar doente, não é como no futebol que pode ser substituído.

Já lhe aconteceu?

Florence and the Machine cancelou um concerto com uma semana de antecedência. Outra vez uma banda estava a tocar em Espanha e recebi uma mensagem a dizer assim: o baterista foi para o hospital, prepara-te. Tinha enfiado uma baqueta no olho a meio do concerto. Tocou de óculos escuros e ninguém percebeu. Mas foi de coração nas mãos. Uma vez os Deftones vinham da Noruega, o avião teve um problema e teve de voltar para trás. Recebi uma chamada a avisar-me.

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