Música

Coronavírus: os festivais de música em Portugal estão em (grande) risco?

Por enquanto, há uma grande apreensão e espera para ver o que acontece. Lá fora, vários eventos já cancelaram as suas edições.
O NOS Primavera Sound é o primeiro grande festival do ano.

A pandemia global provocada pelo novo coronavírus está a ter um impacto enorme em todos os setores da sociedade e economia — e um deles é o dos grandes eventos de música, como os festivais. Para evitar a propagação, neste momento todos os eventos estão a ser cancelados, suspensos ou adiados, porque a ideia é que as pessoas estejam em casa, em isolamento, e não em grandes aglomerações.

Lá fora, são vários os festivais que já desmarcaram as suas edições. É o caso do Ultra Music Festival, em Miami, nos EUA; mas também do Coachella, na Califórnia; ou o Bonnaroo, no Tennessee. Um dos maiores festivais do mundo, o Glastonbury (no Reino Unido), estava marcado para o final de junho mas também já foi cancelado. Há ainda o caso do famoso festival showcase South by Southest, no Texas, também nos EUA.

Em Portugal, os festivais marcados para este início de primavera também foram cancelados. Primeiro, como precaução; depois, por obrigatoriedade. Falamos de eventos de pequena ou média dimensão como o MIL (que ocupa as salas do Cais do Sodré, em Lisboa); o Tremor, na ilha de São Miguel, nos Açores; o Westway Lab, em Guimarães, que foi alterado para entre 14 a 17 de outubro; ou o ID No Limits, no Estoril, que adiou a sua edição para 13 e 14 de novembro. As Queimas das Fitas do Porto e de Coimbra, marcadas para maio, também já não acontecerão nas datas previstas.

O estado de emergência foi decretado em Portugal pelo Presidente da República esta quarta-feira, 18 de março, e nos vários discursos que ouvimos — seja da presidência, do governo, da Direção-Geral da Saúde ou de entidades e especialistas internacionais — há uma notória incerteza sobre quanto tempo esta situação irá durar.

A temporada dos festivais de maior dimensão em Portugal começa em junho, com o NOS Primavera Sound (entre dia 11 e 13), no Porto, seguido do Rock in Rio Lisboa (dias 20, 21, 27 e 28). Por enquanto, há uma grande apreensão no sector e um momento de espera para ver o que acontece e para se perceber como é que o surto evolui.

“O NOS Alive continua. Faltam, salvo erro, 112 dias. Nós não podemos estar a desistir de projetos que são daqui a quatro meses, quase. Não faz sentido nenhum”, disse no entanto à revista “Blitz” o diretor-geral da Everything is New (promotora do NOS Alive), Álvaro Covões. “Ainda hoje ouvi o primeiro-ministro dizer que isto se calhar não são 15 dias, é mais tempo. A Ministra da Saúde já disse que o pico é em maio e só em junho começa a cair. Portanto nós não sabemos o que vai ser. Acho que ninguém sabe o que é que vai ser.”

Covões garantiu ainda à “Blitz” que não têm sido contactados pelos grandes artistas do cartaz no sentido de cancelarem as suas atuações, apesar de muitas digressões internacionais terem sido suspensas. O festival está marcado para os dias entre 8 e 11 de julho no Passeio Marítimo de Algés.

Se o NOS Alive tem alguma margem, tempo é o que começa a faltar ao NOS Primavera Sound, que acontece um mês antes. Um responsável pela promotora do evento, José Barreiro, disse ao “Observador” que “todos os cenários são possíveis”, até porque o que vai acontecer ao festival irmão (ou mãe), o Primavera Sound de Barcelona, será fulcral, porque vários músicos são contratados em bloco, para atuarem em ambos. “Estamos a trabalhar em todas as soluções. O adiamento é uma solução entre tantas outras, mas de muito difícil resultado, porque lidamos com artistas de todo o mundo e há uma série de problemas jurídicos e burocráticos de que ainda não temos noção plena”, explicou José Barreiro.

À NiT, a organização do Rock in Rio Lisboa diz estar a acompanhar a situação de perto, apesar de não adiantar mais informações. “O Rock in Rio está, e irá continuar, a monitorizar o tema e a seguir com todas as indicações das autoridades competentes.”

Na mesma linha, o EDP Cool Jazz — festival que acontece em Cascais em múltiplas datas durante o mês de julho — tem tudo agendado por enquanto, apesar da incerteza geral. “O festival mantém-se nas datas previstas. Estamos a acompanhar a situação atual da Covid-19 e iremos sempre proceder conforme orientações da OMS, da DGS e do governo. Vamos aguardar com serenidade, prudência e otimismo cumprindo com todas as recomendações governamentais”, diz à NiT Karla Campos, responsável pela promotora Live Experiences.

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