Música

Já pode ouvir o primeiro álbum de Cláudia Pascoal (e aproveitar o isolamento)

A vencedora do Festival da Canção em 2018 lançou o seu primeiro disco de originais, produzido por Tiago Bettencourt.
Com Tiago Bettencourt, o produtor do projeto.

Em 2017, Cláudia Pascoal concorreu à quinta edição do “The Voice Portugal”. Selecionada para a equipa da mentora Aurea, foi uma dos 12 concorrentes a chegar às galas ao vivo do programa, altura em que acabou por ser eliminada. Longe de desaparecer da música, foi no ano seguinte a vencedora do Festival da Canção e levou à Eurovisão o tema “O Jardim“, composto por Isaura.

Depois de estar dois anos parada, a artista de 25 anos lançou esta sexta-feira, 27 de março, o seu álbum de estreia, produzido por Tiago Bettencourt. “Ele não cumpriu só o papel de produzir, levou o seu tempo a ensinar-me e ajudou-me a encontrar a minha identidade musical. Foi incrível, tornou-se um grande amigo”, revela à NiT.

O título do trabalho é um ponto de exclamação — “!” — já que o objetivo da artista era desligá-lo de qualquer palavra ou preconceito. “Queria que fosse quase um statement. Aqui estou eu sendo eu, fora de televisão, completamente genuína”, conta. Ao longo dos 12 temas leves e bem humorados, foca-se em aspetos da sua personalidade e histórias pessoais, um pouco como uma forma de se aproximar do seu público. Algumas das canções foram sendo lançadas ao longo dos últimos meses no YouTube, como “Ter e Não Ter” ou “Viver”, com a colaboração de Samuel Úria.

O disco foi desenvolvido nos últimos dois anos e contou com a participação de vários artistas portugueses, desde o já mencionado Samuel Úria até David Fonseca, além de Joana Espadinha, Tomás Adrião, Carolina Torres, Miguel Lestre, Isaura, Murta ou, mais surpreendentemente, Nuno Markl. Além de arrancar o primeiro tema do álbum com um sketch do humorista, também podemos ouvi-lo a cantar em “Música de Um Acorde”, a canção que fecha o ciclo de 12.

“Ele é exímio musicalmente, algo de que ninguém está à espera”, revela. O videoclipe do tema, que já foi lançado no YouTube, também conta com o grupo variado de artistas como uma espécie de celebração de todos aqueles que conheceu ao longo dos últimos anos e que a ajudaram a percorrer o seu caminho na música — mas também a desenvolver o projeto. “É uma daquelas músicas que não saem da cabeça. O meu objetivo é que seja mesmo irritante”, diz-nos.

Quase todos os temas do disco falam sobre a artista, momentos da sua vida e interpretações de como outros músicos e compositores a veem. A única exceção é “O Soldado”, uma balada composta por Joana Espadinha que conta a história de um marinheiro. “É mesmo giro cantar sobre uma coisa que não tem nada a ver contigo”, explica.

Por causa do surto do novo coronavírus, Cláudia Pascoal explica à NiT que se viu forçada a adiar uma digressão nacional que tinha organizado para promover o trabalho, e que chegaria a vários pontos do País. “Estava a chegar a parte de que mais gosto que é dar concertos, mas tive de desmarcar as datas. Agora estamos a apontar para o final do ano e espero que seja possível porque estou mesmo ansiosa”, revela.

Ainda assim, todas as músicas podem ser ouvidas nas plataformas YouTube e Spotify ou compradas através do iTunes, já que os espaços físicos não deverão cumprir aquele que era o objetivo inicial. “Estou a tentar levar um dia de cada vez porque o futuro está a mudar constantemente e as expetativas vão sendo modeladas conforme esta situação se desenvolve”, desabafa.

No entanto, a quarentena tem sido encarada pela artista de forma positiva. “Pensava que ia apanhar uma valente seca, mas ando a fazer imensos conteúdos e a criar coisas novas nos últimos dias”, revela. Além de concertos online, tem-se dedicado às redes sociais, como o Tik Tok ou Instagram, onde até já fez um espetáculo em direto para o festival Eu Fico Em Casa, com karaoke a sair da televisão, músicas sintonizadas no rádio e até uma simulação de chamada de Samuel Úria ao telefone.

“Era uma espécie de encenação com vários plot twists para parecer que era engano. Não gosto do conceito de estar só com uma guitarra, gosto de preparar coisas mais originais para o público. Ando numa fase bastante criativa e bem humorada”, conclui.

Para não ficar parada, Cláudia Pascoal está a usar a sua formação em cinema para gravar um novo videoclipe, a preparar concertos online e também entrevistas às pessoas que fizeram parte do álbum “!”, de forma a promover “as características próprias do projeto” e rentabilizar o tempo. “Agora é ver no que isto vai dar”, remata.

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