Música

Bruno Nogueira saiu do Instagram e voltou ao palco. E foi uma loucura

A NiT esteve presente no primeiro grande espetáculo da era Covid-19: máscaras, lugares separados e espera para sair por filas.
O espetáculo estava esgotado.

Esta segunda-feira, 1 de junho, marcou o início de uma nova era. O mês das sardinhas, da música pimba, dos arraiais e festas populares, será, este ano, um mês particularmente diferente, onde as enchentes nas ruas de Alfama e as danças nos bailaricos, são trocadas por máscaras e distanciamento social.

Mas foi também este o dia do primeiro grande espetáculo ao vivo nesta nova fase depois do estado de emergência e da quarentena. Depois de dois meses a juntar milhares de pessoas todos os dias no Instagram, Bruno Nogueira subiu ao palco do Campo Pequeno com “Deixem o Pimba em Paz”. Apesar de a lotação se ficar pela metade do habitual daquele espaço, o espetáculo estava há muito esgotado.

Eram 20h50 quando a NiT chegou às imediações do recinto do Campo Pequeno. No chão, fitas marcavam o espaçamento a cumprir nas filas de entrada. Cada bilhete, fazia referência da porta, separando ainda mais o público pelos diferentes acessos.

Vários assistentes, de máscara e luvas, ajudavam no processo de entrada, indicando o caminho correto, validando os bilhetes e, já dentro do recinto, explicavam onde ficavam os lugares.

Com espaçamento de pelo menos uma cadeira entre pessoas que estavam juntas, os espetadores iam-se sentando. “Não sabes o quanto me apetecia ir buscar uma cerveja só para poder tirar a máscara”, diz uma rapariga aos amigos. Cada um segura um copo de cerveja e é apenas nessas alturas que é permitido retirar a máscara, para beber ou comer.

O espetáculo estava marcado para as 21h30, mas começa exatamente 15 minutos depois. O entusiasmo com que a banda é recebida deixa em dúvida se as palmas, os assobios e gritos se deve à excitação do espetáculo propriamente dito, ou à necessidade de desconfinamento e vontade de regressar à normalidade.

O concerto arranca com “24 Rosas”, tema original de José Malhoa, aqui com uma diferente roupagem e com o líder da banda, Bruno Nogueira, a tocar melódica (um teclado de sopro). O tema termina, e umas luzes de Natal, mesmo ao nosso lado, acendem-se. “Olha, é Natal ali”, refere Bruno Nogueira.

Se foi um dos quase 200 mil espetadores do último episódio de “Como é que o Bicho Mexe”, programa que o humorista criou no seu Instagram e que durou todo o tempo de quarentena, certamente entende a referência.

Como despedida desses diretos, vários fãs aceitaram o desafio de Bruno Nogueira, e colocaram luzes de Natal à janela. Ao fundo, uma rapariga grita “cona”, uma outra referência.

Segue-se o espetáculo, onde Bruno Nogueira (voz e percussão), Manuela Azevedo (voz e percussão), Filipe Melo (piano), Nelson Cascais (contra-baixo) e Nuno Rafael (guitarras e bandolim) interpretam músicas do cancioneiro pimba, com diferentes melodias, tornando-as até irreconhecíveis e, na sua maioria, criando fortes dinâmicas que faltam às originais.

“Na Minha Cama com Ela”, ou “Comunhão de Bens”, são alguns dos icónicos temas, conhecidos por todos, e que mais entusiasmam o público no início deste concerto, que é também um espetáculo de entretenimento e humor. É o caso de “Vem Devagar Emigrante”, tema de Graciano Saga, que fala da trágica morte de uma família de emigrantes quando viajavam de carro para Portugal, aqui cantada com bastante humor negro, e rap.

“Está na altura de chamar o primeiro convidado da noite. Ele teve um coração e, agora, curiosamente, tem outro (risos): Salvador Sobral”, chama o frontman. Salvador Sobral entra e os dois cumprimentam-se com os pés. O tema escolhido para ser interpretado pelo vencedor da Eurovisão é “Som de Cristal”.

Neste concerto, não podia faltar, como era de esperar, “A Garagem da Vizinha”, um dos temas mais conhecidos da música pimba, preparando assim para o segundo convidado da noite. Samuel Úria, que se junta ao grupo para cantar “Mãe Querida”, outro clássico.

“Queremos agradecer mesmo muito por terem vindo. A nossa maior alegria é poder regressar a um palco e ter público à frente”, diz Bruno Nogueira, antes de apresentar a banda.

Porém, a noite não ficaria completa sem “Não és Homem para Mim”, de Romana, ou “Taras e Manias”, de Marco Paulo. Para terminar, e antes de uma ovação de pé, o público ouve um medley, de onde faz parte “A Cabritinha”, revisitando mais uma vez o repertório de Quim Barreiros.

Ao fim de 1h50 de espetáculo, toda a plateia permanece sentada até que os chefes de sala indiquem, fila por fila, a saída, que acabou por ser mais rápida do que o esperado.

À porta, vários espetadores tiram a máscara com uma cara de alívio, outros tantos seguem em diferentes direções, ainda com o equipamento de proteção colocado.

“Custou menos [o uso de máscara] do que estávamos à espera. Apesar de estranho, o concerto foi espetacular, foi só pena termos de estar sentados. Se fosse um concerto dos Slipknot acho que não vínhamos, se fosse preciso estar de máscara e sentados (risos)”, referem à NiT Susana Pacheco e Diogo Carvalho, moradores na cidade de Lisboa.

Filipe Carmo e Joana Alves, de 23 anos, partilham da mesma opinião: “Foi estranho e um bocado chato, mas gostámos e achámos que as medidas de segurança estavam bem implementadas e fazem sentido”, referem, explicando que mesmo se o preço dos bilhetes (5€) fosse mais caro, teriam vindo.

De seguida, carregue na galeria e veja como foi o espetáculo de “Deixem o Pimba em Paz”, no Campo Pequeno.

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