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Depois da polémica, Livraria Lello escreve carta à autora de “Harry Potter”

J. K. Rowling disse recentemente que não se inspirou no espaço para as histórias da saga.
Abriu em 1906.

Mais de uma semana depois de a autora de “Harry Potter” revelar que não se inspirou na Livraria Lello, nem tão pouco lá esteve, para escrever a saga, o espaço do Porto pronunciou-se. Foi numa carta aberta, publicada este sábado, 30 de maio, que a livraria respondeu a J. K. Rowling — e agradeceu-lhe.

Como explicou Umberto Eco nas suas lições de Harvard, a literatura implica um pacto ficcional que se traduz na aceitação por parte do leitor de uma verdade que ultrapassa a própria realidade da escrita”, pode ler-se no início.

Carta Aberta a Alguém que Nunca Visitoua Livraria Lello… (Mas Gostaria de o ter Feito)Foram os leitores da Livraria…

Publicado por Livraria Lello em Sábado, 30 de maio de 2020

Ao visitar a Livraria Lello, garante o espaço do Porto, milhões de leitores de J.K. Rowling descobriram também o universo de “Harry Potter” e “ninguém os pode impedir desse espanto mágico”.

“Declarando que quando viveu no Porto não sabia da existência da Livraria Lello, J.K. Rowling fornece elementos para a sua autobiografia, reconhece que a Livraria é muito bonita e confessa ainda que desejaria (‘I wish I had’ [em português, gostaria de o ter feito]) tê-la visitado”, diz. E continua: “É por isso que a Livraria Lello agradece a simpatia de J.K. Rowling e a convida a cumprir esse desejo recíproco com o mesmo espírito com que a cidade de Liverpool recebeu os Beatles depois de eles se terem tornado famosos em Londres.”

A livraria dá como exemplo William Shakespeare, que nunca saiu de Inglaterra mas situou a história de “Romeu e Julieta” em Verona. Por isso, embora Tchaikovsky nunca tenha passado pelo Porto, a partir de agora, quando se ouvir na Livraria Lello às 17 horas, garante que continuará a inspirar quem sonha com Hogwarts na icónica  escadaria.

“Desta forma daremos sequência ao pacto ficcional proposto por Eco. Respeitando sempre a mensagem deixada pelo grande semiótica em Harvard: ‘Nem eu, como autor das minhas obras, posso entrar pelo bosque da ficção como se estivesse a entrar no meu jardim privado.’ Obrigada J.K. Rowling” — assim se despede a livraria.

A livraria portuense, que foi aberta em 1906, é uma das principais atrações turísticas do Porto (também por causa de “Harry Potter”) e desde 2015 que cobra uma entrada à porta — valor que depois é descontado se for comprado algum livro. No ano passado, o espaço adquiriu uma primeira edição da saga de J. K. Rowling por 70 mil euros.

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