Cinema

Vi o primeiro “Sharknado” e não consigo tirar aquelas imagens (falsas) da cabeça

Uma repórter da NiT passou 90 penosos minutos a ver o primeiro filme para se preparar para o sexto episódio que esta quinta-feira no canal Syfy. 

Como assim os tubarões voam?

Estávamos em 2001 quando estreou a sequela de “A Múmia”, que teve o original nome “O Regresso da Múmia”. No filme, a tal Múmia assustadora (ou talvez não) estava de volta para aterrorizar toda a gente e o Rei Escorpião também por lá andava para lhe estragar os planos. Na altura, há 17 anos, as técnicas de manipulação em computador, vulgo CGI, não eram tão avançadas como as de hoje. Mas era muito simples perceber quando é que uma imagem era alterada e a cara de The Rock nunca esteve tão estranha como neste filme.

Bem sei que não é esse o assunto que o fez abrir este artigo. Ou melhor, talvez seja, porque se o CGI em “O Regresso da Múmia” já era mau, o que dizer dos seis — sim, saro leitor, seis — filmes da saga “Sharknado”?

Para quem não está familiarizado, falamos de seis filmes feitos para a televisão pelo canal Syfy. O primeiro estreou em 2013 e a premissa é simples: um tornado de tubarões ataca uma cidade. Só e apenas isso. Tubarões, várias espécies de tubarões, todos eles imagens de computador que parecem isso mesmo, imagens de computador, a voarem por todo o lado e a matar pessoas quando caem do remoinho. Será que estão revoltados por estarem presos e desatam a atacar os inocentes que estavam só a tentar beber um copo descansados no bar do personagem principal?

Ah, e por falar em personagem principal, esta é talvez a única coisa aceitável deste filme: o herói fofinho que quer salvar toda a gente: desde a empregada do bar onde trabalha — que num minuto está apaixonada por ele e a seguir já quer namorar com o filho adolescente — à ex-mulher e até um grupo de crianças que está preso num autocarro escolar.

Ora voltando a este herói, que perde o melhor amigo e o melhor cliente no espaço de 30 minutos: ele era campeão internacional de surf até que, por algum motivo, resolveu reformar-se para abrir um bar perto da praia. E claro que é nesse bar que estão todos os personagens do filme quando os tubarões começam a chegar. Num minuto, o surfista Fin (Ian Zieringestá a avisar os clientes que, se calhar, é melhor saírem do bar porque vem aí uma tempestade. No minuto a seguir começam a entrar tubarões pela janela e a arrancar as pernas dos clientes.

A minha opinião sobre o “Sharknado” não é pacífica na redação da NiT. Alguns colegas defendem que é um dos melhores filmes de sempre sobre tubarões — não vou dizer nomes, Carolina Moutinho, fica descansada — e outros acham que ele é, simplesmente, péssimo — o resto da equipa. Para mim, a única forma de voltar a ver um dos filmes de Anthony C. Ferrante será num dia de insónias ou de depressão, para rir. 

Desde os tubarões que saltam do meio dos remoinhos a um marinheiro que só lhe falta mesmo a perna de pau, tudo é assustadoramente surreal. E o melhor é nem sequer falarmos naquela cena final — spoiler alert — em que o tal Fin salta diretamente para a boca do tubarão. E morreu? Não, claro que não, até porque a história tem um final feliz. O homem levou uma moto serra com ele e esventrou o pobre animal (ah, esperem, é só uma imagem de computador) para se safar. E ainda conseguiu salvar a tal empregada do bar, que se chama Nova, mas que afinal é Jenny Lynn (Cassie Scerbo).

Se é uma daquelas pessoas que acham que este é um dos melhores filmes de sempre sobre tubarões, saiba que o sexto e último filme da saga, “Sharknado 6”, estreia esta quinta-feira, 23 de agosto, às 22h15 no Syfy. Por essa hora conto estar afastada das televisões mais próximas, para não correr o risco de apanhar algum vislumbre de tubarões voadores e assassinos que ainda não consegui esquecer.

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