Cinema

“E Tudo o Vento Levou” regressou à HBO — com uma pequena diferença

Os espectadores terão de assistir à explicação de uma especialista em cinema sobre o contexto racial do clássico de Hollywood.
A polémica continua.

A decisão provocou uma onda de críticas, apesar da plataforma ter sempre esclarecido que “E Tudo o Vento Levou” voltaria a estar disponível. Duas semanas depois, o clássico regressou ao catálogo da HBO Max — com um pequeno acrescento.

À nova versão foi adicionada uma introdução com pouco mais de quatro minutos, onde Jacqueline Stewart, uma professora de cinema da Universidade de Chicago, fornece o tão anunciado “contexto histórico” que a HBO queria dar.

A especialista explica que se trata de um “filme de inegável significado cultural”, pese embora retrate muitos dos estereótipos negativos, como os negros escravos que são incompetentes, ao mesmo tempo que “nega os horrores da escravatura”.

Logo em 1939, quando o filme foi anunciado, foram vários os protestos. Na estreia, os membros negros do elenco foram bloqueados à entrada do cinema de Atlanta, tudo por causa das leis segregacionistas. Hattie McDaniel, atriz e primeira mulher negra a conquistar um Oscar, também não foi autorizada a sentar-se com o resto do elenco na cerimónia em Los Angeles.

“Ver o filme pode ser uma desconfortável e até dolorosa experiência. Ainda assim, é importante que os filmes clássicos de Hollywood estejam disponíveis no seu formato original para os visualizarmos e discutirmos”, comenta Stewart.

“Não é apenas uma prova das práticas racistas de Hollywood, mas uma obra da cultura popular que revela as desigualdades raciais que ainda hoje persistem na sociedade e nos media”, conclui.

Além do preâmbulo adicionado ao filme, a HBO colocou no catálogo da plataforma um painel de discussão de 2019 sobre o legado polémico de “E Tudo o Vento Levou”.

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