Cinema

“Adú” é o filme emocional e dramático da Netflix que nos faz questionar a vida

Estreou recentemente na plataforma e conta três histórias que acabam por se cruzar. Adú é o protagonista de uma delas.
O filme estreou em Espanha em janeiro.

Chegou à Netflix a 30 de junho e tem-se tornado um dos filmes mais vistos na plataforma de streaming em Portugal. “Adú” é uma produção espanhola, a segunda realizada por Salvador Calvo, que conta três histórias que acabam por se cruzar — mesmo sem nos apercebermos, estamos todos ligados num mundo globalizado.

Uma destas narrativas passa-se em Melilha, cidade espanhola no norte de África, integrada no território de Marrocos. Todos os dias há pessoas que tentam atravessar a fronteira, de uma forma ou outra, para chegarem à Europa com a esperança de terem uma vida melhor.

Miguel é um guarda da fronteira que bate na cabeça de Tatou, um refugiado do Congo, quando este tenta entrar em Melilha ao trepar uma cerca. Só que Tatou morre com o impacto e Miguel apressa-se a garantir que nenhum dos seus colegas vai contar a verdade. Juntos, vão alegar que Tatou caiu sozinho e que morreu.

A história também se passa numa reserva natural nos Camarões. Gonzalo é um ambientalista espanhol de boas intenções que está ali a trabalhar enquanto consultor externo para proteger o habitat natural dos elefantes.

Só que Gonzalo apenas se importa com os elefantes e acaba por desprezar as pessoas que habitam naquela região e as próprias autoridades locais — em vez de tentar trabalhar com elas para juntos protegerem os animais dos caçadores ilegais.

Ao mesmo tempo, Gonzalo preocupa-se com a filha adolescente, Sandra, que adora festas, consome drogas e tem casos amorosos ocasionais. Sandra viaja de Espanha para o visitar no país africano.

A terceira história é a que tem uma ligação direta ao título do filme. Adú é um rapaz pequeno que está com a irmã, Alika. Na reserva dos Camarões, assistem a um assassinato de um elefante por parte dos caçadores.

Estes criminosos acabam por perseguir os miúdos, que deixam a bicicleta para trás — e que acaba por ir parar a Sandra, como se fosse um souvenir da sua visita a África.

Adú e Alika querem ir ter com o pai, que vive em Espanha. Mas têm pela frente uma viagem terrível. Vão ter com uma tia para que ela os ponha em contacto com um traficante que os vai colocar numa situação extremamente perigosa para fazerem a travessia. 

Pelo meio, Adú acaba por ficar sozinho e conhece um rapaz mais velho, Massar, um rapaz vítima de abusos sexuais que também está a escapar do seu país. Conseguem chegar a Marrocos, embora com muitas dificuldades, desafios e um enorme espírito de sacrifício.

O filme pretende dar a conhecer exemplos da realidade terrível de que muitos refugiados fogem — e ao mesmo tempo mostra como o privilégio branco e europeu pode ser cego para com os problemas muito maiores de que essas outras pessoas sofrem. Sobretudo quando são pessoas que estão à porta desses países, a implorarem para entrar e para terem uma oportunidade na vida.

“Adú” tem sido elogiado pela forma como aborda o tema e oferece novas perspetivas ao público mais ocidental — com uma história emocional e dramática envolvente. O elenco inclui nomes como Moustapha Oumarou, Anna Castillo, Luis Tosar, Miquel Fernández e Adam Nourou, entre outros.

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