Cinema

Crítica: “O Misterioso Louis Drax” é um mundo confuso

Monstros e violência doméstica, um emaranhado entre fantasia e realismo.

Bem-vindos à cabeça de um rapaz perturbado de nove anos com uma apetência invulgar para sofrer acidentes quase letais. Não será estranho que “O Misterioso Louis Drax” seja um filme com tanto de confuso como de intrigante, mas ficamos sempre na dúvida se é de propósito ou se é apenas um argumento falhado.

Nove anos, nove vidas. Louis Drax (Aiden Longworth) teve acidentes que quase o mataram em todos os anos da sua curta existência, e, no seu nono aniversário, parece que é de vez. O rapaz cai de uma falésia, num piquenique com os pais separados (Sarah Gadon e Aaron Paul), e não sobrevive depois de ser levado para o hospital. Até voltar à vida, duas horas depois, e ficar em coma. Desta vez, tudo parece indicar que não tenha sido mais um acidente.

O pai problemático está desaparecido e todos os problemas recaem na mãe, Natalie, que não consegue deixar o filho. Louis está a ser tratado pelo Dr. Allan Pascal (Jamie Dornan), que, além de se interessar pelo caso, ganha um especial interesse por Natalie. As descobertas sobre o que aconteceu vão envolver vários mistérios e aparentes poderes sobrenaturais, que ganham (apenas) algum sentido ao longo da história.

A verdade é que estamos semi-mergulhados no subconsciente em coma desta criança perturbada (e irritante) que acha que tudo é aborrecido, que mata os hamsters de estimação, é preconceituosa e trata mal o seu psicólogo (Oliver Platt). Não saímos do filme propriamente a adorar o protagonista azarado, que também é narrador em várias partes da história.

Pode ser por termos a perspetiva de Louis que a narrativa pareça pouco consistente e realista, num filme que parece querer dar os dois lados, de fantasia e realismo, que simplesmente não se conjugam nem se distinguem o suficiente.

Por vezes parece um soft-thriller sobrenatural, num filme que mistura a mente de uma criança, magia e monstros com violência doméstica e uma investigação séria da polícia, além de um hospital que parece ser tudo menos verdadeiro e um romance meio aleatório entre o médico e a mãe, que, no final de contas, até fazem os melhores papéis em “O Misterioso Louis Drax”.

O melhor do filme são os twists finais, quando a a maior parte da história finalmente se percebe e se torna mais realista, embora de uma forma bastante negra, que até contrasta com a visão infantil de Louis e que o realizador Alexandre Aja tentou transmitir na construção das imagens em certas cenas e na manipulação dos brilhos. Ou será que foi só mal feito? Ficamos na dúvida se a história não deveria ser contada de outra forma e se não deveríamos saber um pouco antes as conclusões, já que passamos quase todo o filme bastante confusos — o grande problema de “O Misterioso Louis Drax”.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

NiTfm

AGENDA NiT