Cinema

Este é o último videoclube de Lisboa

Chama-se Cineteka e fica num café no Parque das Nações. A NiT passou por lá para conhecer este museu.

Longe vai o tempo em que saíamos de casa para ir até ao videoclube do nosso bairro para alugar um filme. Hoje há plataformas de streaming, os downloads estão em todo lado e as operadoras de televisão até têm os seus videoclubes digitais. Ou seja, o negócio dos videoclubes entrou numa espiral de falência generalizada. Em Lisboa, já só resta um, o Cineteka, que fica dentro de um café no Parque das Nações.

O último videoclube de Lisboa aluga filmes (e algumas séries) de todos os géneros e épocas, em DVD e Blu-Ray, apesar de ter uma aposta forte no cinema independente e de autor. O dono, Gonçalo Peres, de 42 anos, diz à NiT que abriu a loja em 2004 por querer promover o “movimento no bairro” e o “comércio local”, além de ser um grande fã de cinema e dos videoclubes. “Há filmes que não vale a pena ir ver ao cinema”.

“As pessoas gostam de ter pretextos para saírem de casa”, reforça Gonçalo Peres, que compara o exercício de sair à rua para alugar um filme com “ir à rua beber um café quando se tem uma máquina em casa”. Atualmente, o Cineteka tem cerca de 300 clientes ativos, tanto pessoas que vão à loja, como clientes do site, onde se podem fazer encomendas dos filmes por correio.

Foi com este sistema de encomendas por correio através da internet que o Cineteka começou. Dois anos depois, em 2006, foi aberto o espaço físico, num sítio que já não existe mas que também estava no Parque das Nações — era junto do Casino Lisboa. O Cineteka tinha dois pisos e era ainda um cibercafé, numa parceria com outra empresa. Além de tudo isto, vendiam merchandise e posters de filmes.

Desde 2014 que o espaço é bastante mais limitado e menos glamouroso, apesar de estarem disponíveis para aluguer quase 15 mil filmes. O videoclube está inserido no café Tasty Food, uma pastelaria e padaria que tem tostas (2,10€ a 3,50€), cachorros quentes (2€) ou pregos no pão (3,50€). Por isso, é possível petiscar enquanto escolhe um filme para alugar ou fazer uma refeição leve durante uma conversa sobre cinema com Gonçalo Peres. Ele adora quando isso acontece.

O negócio, como é óbvio, não está na sua melhor fase, apesar de o dono do Cineteka só ter sentido a crise dos clubes de vídeo a partir de 2011. Também não está contente por ter o único espaço do género na cidade. “A pirataria não nos tira o sono”, diz Gonçalo, que prefere trabalhar ativamente para manter o negócio em vez de tentar combater o fenómeno dos downloads ilegais.

Em relação aos preços, há bastantes modelos e packs especiais. O aluguer das últimas novidades na loja custa 3€ por dois dias — com o preço adicional de 1,50€ por cada dia extra; e todos os restantes filmes podem ser alugados por 2,50€, durante três dias. Também há planos mensais, desde 9,90€ por mês, com direito a 30 filmes, a 48,60€, que deixa a pessoa ver 150 filmes por mês. O preçário completo pode ser consultado no site.

Através da conta pessoal na página da Internet, as pessoas podem adicionar filmes à sua lista de interesses e fica registado aqueles que já alugaram. Com base nisso, recebem depois recomendações de outros filmes que podem ver. O funcionamento é parecido com o da Netflix.

Na loja existem dois computadores onde os clientes podem consultar o site, entrando na sua conta, e ver todos os filmes que estão disponíveis, incluindo as novidades. É possível pesquisar por realizadores, atores, argumentistas, géneros, e até pelos premiados nos festivais independentes de cinema.

Carregue na imagem acima para saber mais pormenores sobre o último videoclube de Lisboa.

Morada: Alameda dos Oceanos, Lote 2.06.05, Loja 6

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