Cinema

Crítica: Este quarteto é tudo menos fantástico

O último apontamento da Marvel estreia esta quinta feira, 6, em Portugal, e é uma confusão entre ciência e ridículo.

“Quarteto Fantástico” vai provavelmente ser considerado um dos piores filmes de ação do ano, para não dizer da década. Depois de uma hora entediante sobre ciência de segunda classe, personagens irrisórias e um enredo sem direção, o desenlace desta espécie de narrativa foi um suicídio. O filme estreia em Portugal esta quinta feira.

Na passada sexta feira, 31 de julho, o “Guardian” publicou um artigo com o objetivo de apurar o quão condenado poderia estar este projeto do realizador de 30 anos, Josh Trank. O jornal britânico reúne os factos: os trailers do filme provocaram uma reação incendiária por parte dos fãs da famosa banda desenhada, e a produtora Fox impôs um embargo às críticas online americanas até à estreia (o que nunca é bom sinal). Isto gerou a ideia – muito acertada – de que talvez houvesse algo de errado com “Quarteto Fantástico”. Não é bem “algo”, é mesmo tudo.

“Talvez se descubram respostas para questões que ainda não sabemos colocar sobre a génese da Terra”. Como? Porquê? Ninguém sabe

Ainda que este enredo se afaste bastante dos acontecimentos da banda desenhada, o conceito base é conhecido: quatro “cientistas” acabam por sofrer mutações – aka super poderes – por tentarem dar um passo revolucionário para a humanidade. Neste caso, o objetivo é desvendar o segredo por detrás do teletransporte para que, assim, se chegue a outro planeta com recursos que eventualmente possam dar jeito à humanidade. E, pelo meio, quem sabe, “talvez se descubram respostas para questões que ainda não sabemos colocar sobre a génese da Terra”. Como? Porquê? Ninguém sabe.

Reed (Miles Teller) desvendou o cobiçado segredo para o teletransporte por acaso, quando tinha 14 anos, numa experiência na sua garagem. Isto faz com seja convidado a trabalhar numa organização científica que não é a NASA – é tudo o que sabemos. Os outros membros da equipa são Victor (Tobby Kebbell) – um génio sedentário humanista e alcoólico –, Sue (Kate Mara) – uma rapariga que tem jeito para decifrar padrões e que gosta de ouvir música – Johnny (Michael B. Jordan) – o filho do diretor do projeto sem talento para corridas de carros – e Ben Grimm (Jamie Bell) – o “braço direito” de Reed, incumbido da única e exclusiva tarefa de clicar num botão.

O maior problema é a realização infantil e nos efeitos visuais do século XX

Há vários problemas com este filme: as personagens são fracas e pouco críveis, o enredo é uma confusão de estigmas e pouca coerência e o universo não tem identidade. No entanto, tratando-se de um filme de ação, há certos aspetos que – ditam as regras – se tornam menos relevantes, como a qualidade do argumento e a boa construção das personagens. Claro que “Quarteto Fantástico” falha, e muito, nesses pontos, mas não é isso que o torna catastrófico. O maior problema é a realização infantil e nos efeitos visuais do século XIX.

Por incrível que isto possa parecer, o “Quarteto Fantástico” de 2005 é muito melhor, em todos os sentidos, do que este – 10 anos mais novo. Como é que os efeitos visuais de há uma década atrás podem parecer mais genuínos, num filme mais divertido?

Tudo o que as pessoas temiam que pudesse correr mal com este filme, correu. O vilão é uma anedota, e a moral da história – mais uma baseada no conceito “a união faz a força” – é quase um insulto a quem tenha pensado que este filme talvez pudesse servir o propósito de entreter durante 1h40. O que é trágico para a carreira de Miles Teller e de Kate Mara, que depois dos seus papéis em “Whiplash” e “House of Cards”, respetivamente, mostraram grande talento.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

NiTfm

AGENDA NiT