Cinema

Crítica: “Em Terra Estranha”: Nicole Kidman e Hugo Weaving numa terra de ninguém

A boa performance dos atores não chega para nos entusiasmar com a trama deste filme, que estreia esta quinta feira em Portugal.

Na estreia do realizador Kim Farrant, chega-nos mais um drama sobre a angústia dos pais perante o súbito e incompreensível desaparecimento dos filhos. Ainda que o filme se destaque pela boa cinematografia, há pouco no argumento que lhe dê propósito e autenticidade. “Em Terra Estranha” estreia esta quinta feira em Portugal.

É difícil identificarmo-nos com os acontecimentos aparentemente sem rumo no primeiro ato deste filme, mas à medida que o tempo passa deixamo-nos levar pelas perguntas que Farrant levanta, ainda que as respostas acabem por nunca aparecer.

Lily (Maddison Brown) e Tom (Nicholas Hamilton) estão descontentes com a mudança de casa. O pai – Matthew (Joseph Fiennes) – é a típica figura autoritária, que não gosta nada de ver a filha de cuecas à mesa do pequeno almoço. Por outro lado, Catherine (Kidman) é uma mãe mais condescendente, talvez até a um ponto que poderá levar ao arrependimento.

O que é que interessa se o vizinho deficiente teve, relações sexuais com Lily? Ela está desaparecida no meio de um deserto de 50 graus!

A catálise acontece na noite em que os filhos fogem de casa, lançando um enredo fatigante pelas curvas que escolhe dar. A família Parker está imersa no caos e tudo o que acontece com o propósito de construir personagens e enredo, enquanto as crianças estão desaparecidas, faz com que se torne difícil levar a sério esta história. O que é que interessa se o vizinho deficiente teve, ou não, relações sexuais com Lily? Ela está desaparecida numa tempestade de areia, no meio de um deserto, debaixo de 50 graus! Ou pelo menos é nisso que os pais acreditam.

É pena que Hugo Weaving tenha de entrar nestes filmes. Depois de criar um dos vilões mais enigmáticos e complexos da ficção científica – Smith em “The Matrix” –, e de dar a voz ao terrorista mais carismático de sempre – V, em “V de Vingança” – ver o talento deste ator desperdiçado num papel secundário sem alma é quase entristecedor. No entanto, é a sua presença, complementada por um chapéu texano, que faz com que os pobres diálogos de “Em Terra Estranha” se tornem mais dinâmicos. Ainda assim, isso e a boa prestação de Nicole Kidman não são suficientes para nos entusiasmar durante as quase duas horas deste drama.

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