Cinema

Conheça as melhores histórias das vozes portuguesas de “Mínimos”

Os atores têm de ser aprovados nos Estados Unidos e há gargalhadas e suspiros que têm de ser rigorosamente cumpridos. A NiT falou com Soraia Chaves, Herman José, Vanda Miranda e os outros protagonistas.
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Quando Soraia Chaves foi fazer o casting, pouco sabia sobre a personagem de Scarlet Overkill. Não fazia ideia de que ela seria uma super-vilã e muito menos que teria tanto destaque no novo filme de animação da Universal Pictures.

A gravação foi enviada para os Estados Unidos, para que a produtora aprovasse a voz portuguesa — a original pertence a Sandra Bullock. O feedback foi positivo e a atriz foi escolhida para uma das personagens principais de “Mínimos”, que estreia nos cinemas portugueses a 23 de julho.

Veja a entrevista com as vozes portuguesas de “Mínimos”.

Só ao longo das dobragens é que foi percebendo a dimensão de Scarlet Overkill — uma mulher ambiciosa e quase bipolar, tendo tanto de maternal como de explosivo —, já que as informações iam chegando a conta-gotas.

“Não tenho muita experiência em dobragens, esta é a primeira personagem com muito peso que eu faço. Entreguei-me completamente nas mãos do José Jorge Duarte, o diretor de atores, confiando que todos aqueles bocadinhos fariam sentido no final”, conta à NiT.

Herman José aceitou ser o narrador desta história assim que ouviu a voz de Maria Rueff num excerto.

A personagem de Maria Rueff fazia um ronco. Em Portugal teve de ser mudado por ser muito parecido com uma das expressões de Zé Manel

“Neste caso, a empresa que faz este trabalho também tem tanto prestígio no mercado, que nós já nem precisamos de saber quem são os outros intervenientes”, diz o humorista.

No entanto, como todas as vozes têm de ser analisadas e aprovadas nos Estados Unidos, nem sempre os atores acabam por gravar os papéis para os quais vão fazer o casting.

“Lembro-me que quando foi o Dupond e Dupont, de ‘As Aventuras de Tintin: O Segredo do Licorne’, houve uma grande vontade que fosse eu e o Nicolau Breyer a ficar com as personagens. Nós fomos fazer uma espécie de casting mas para o cliente, que não tinha imaginário nosso, não fazia sentido. Havia outras vozes que serviam melhor aquele propósito, em função do filme”, recorda. Essas vozes acabaram por ser dobradas por Nuno Mark e Rui Unas.

Aos atores que fazem dobragens é pedido que se mantenham fiéis à versão original, há gargalhadas e suspiros que têm de ser rigorosamente cumpridos. Mas os filmes de animação têm também de se adaptar aos diferentes países, onde as vozes locais são muitas vezes associadas a outros projetos. Foi o caso de Maria Rueff, que dobrou a voz da rainha de Inglaterra, interpretada por Jennifer Saunders na primeira versão de “Mínimos”.

O filho de Vanda Miranda passou mais de uma semana a pedir-lhe, a toda a hora, que fizesse a voz de Madge Nelson

“Ela fazia um ronco muito parecido com o que eu faço no Zé Manel. Disse logo no estúdio que não podia fazer aquilo”, explica Maria Rueff.

Os atores tentam encontrar tons de voz diferentes para cada novo desenho animado.

“Nunca fiz um único filme de animação em que usasse a minha voz natural”, garante Vanda Miranda, que em “Mínimos” é Madge Nelson.

“O maior elogio que nos podem fazer é quando não percebem que é a nossa voz. Esse é o desafio”, diz Vasco Palmeirim, seu marido (Walter Nelson) na história.

O filho mais novo de Vanda Miranda só percebeu que era a voz da mãe quando ela lhe contou. A reação não podia ter sido mais efusiva, apesar de só ter visto o trailer, onde Madge Nelson aparece uns segundos.

“Passou para aí uma semana e tal em que todos os dias, e a toda a hora, me pedia para fazer a voz da Madge. Tinha de andar pela casa a imitá-la. Já estava farta daquilo.”

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