Cinema

Crítica: “Cidade sem Regras” é um atentado ao bom sci-fi

Pobre, entediante e um insulto à ficção científica. O filme de Bruce Willis estreia na quinta feira.
Temos tantas saudades do John McClane original.

A carreira de Bruce Willis continua em queda livre, com a sua participação nesta catastrófica realidade alternativa, onde existem os “artificiais” — robots humanóides desenhados para satisfazer a “diversão” humana. Esta diversão inclui violação, espancamento e qualquer tipo de atrocidades. “Cidade sem Regras”, para os que estiverem dispostos a tolerar um argumento absurdo e machista, estreia em Portugal na quinta feira.

Tudo o que seja produto da visão de Brian A. Miller está condenado a falhar. Se ainda havia dúvidas sobre isso — depois da dose desmesurada de ação que consta nas obras “The Outsider” (2014), “Sombras da Justiça” (2011) e “Caught in the Crossfire” (2010) —, “Cidade sem Regras” é a derradeira prova do falhanço que é a carreira deste realizador americano.

A “história” gira em torno de Julian Michaels (Bruce Willis), que criou uma cidade populada por inteligências artificiais conscientes e emotivas como os humanos. Mas, na verdade, esta cidade é um serviço que oferece a oportunidade de satisfazer qualquer fantasia. E isto é legal porque a memória dos “artificiais” é ciclicamente apagada. Ou seja, vivem o mesmo dia, todos os dias. Há uma cena em que um jornalista discute a moralidade deste projeto com Julian —assistir a essa espécie de texto absurdo dos argumentistas Andre Fabrizio e Jeremy Passmore foi um dos momentos mais penosos da minha semana.

É pena que a ficção científica ainda seja vista como uma oportunidade para se fazerem filmes que não fazem sentido

Considerando a fraca realização e produção, os 10 milhões de dólares investidos no filme devem ter servido apenas para pagar aos atores e ao staff. Duvido que Thomas Jane (que interpreta um polícia-rambo chamado Roy) tenha sequer percebido qual seria o papel da sua personagem na história. Roy limitou-se a deambular de um lado para o outro com uma pistola em punho enquanto dizia frases “catchy, sem nunca acrescentar nada de relevante para o argumento.

É pena que a ficção científica ainda seja vista como uma oportunidade para se fazerem filmes que não fazem sentido. Trata-se de um género emergente na nova geração de Hollywood, com cada vez mais espaço para ter qualidade, tanto na literatura como no cinema. E se as produtoras acreditam que qualquer tipo de história dentro deste género é suficiente para ter um filme de qualidade, estão enganadas. Mas pronto, no final a análise será sempre feita a partir das receitas de bilheteira. Vamos ver o que acontece.

FICHA TÉCNICA

realização
Brian A. Miller
elenco
Bruce Willis, Ambyr Childers, Thomas Jane, Bryan Greenberg
duração
1h36
género
Ficção Científica, Ação
estreia
25 de junho

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