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A história da máscara dourada que Conan Osiris usou no Festival da Canção

O músico português ficou em segundo lugar na primeira semifinal do concurso. Mas venceu na votação do público.
Foto de RTP.

É, por enquanto, o grande fenómeno do Festival da Canção deste ano. A música “Telemóveis”, de Conan Osiris, já soma mais de um milhão e 600 mil visualizações no YouTube — mais do dobro do que qualquer outro tema desta edição. Esse furor deu resultados na primeira semifinal do concurso da RTP, que aconteceu a 16 de fevereiro. Conan Osiris foi o mais votado pelo público e um dos quatro apurados à final.

Tanto o vídeo original do tema como a performance no Festival da Canção — onde foi acompanhado pelo seu bailarino João Reis Moreira e duas cantoras a dar vozes de apoio — têm dezenas de comentários de fãs estrangeiros da Eurovisão a dizer que está ali material potencialmente vencedor.

Com um ambiente escuro e em tons vermelhos, Conan Osiris apresentou uma performance intensa que roubou o espetáculo. Havia um lance de escadas para retratar de forma literal parte da letra de “Telemóveis”, uma coreografia pensada e bem executada e no fundo tratou-se de uma extensão daquilo que o músico português se habituou a apresentar em palco no último ano.

Além da música, Conan Osiris tornou-se conhecido pelo visual excêntrico e o elemento mais peculiar da sua participação nesta semifinal foi o artefacto dourado que usou na cara — no lugar da barba. No final da emissão televisiva, o músico de 30 anos explicou à NiT que tinha sido ele próprio a conceptualizar aquela peça chamada Osiris Gold Mask, mas que não queria revelar o seu significado.

Disse ainda que, apesar de o conceito ser seu, foi a sua amiga e joalheira Adriana Ribeiro quem criou à mão aquele artefacto dourado.

A máscara tem sido um dos elementos mais comentados nas redes sociais desde a performance. A imagem de Conan foi comparada a Hannibal Lecter, no filme “O Silêncio dos Inocentes”, por alguns dos espectadores da RTP.

Foto de RTP.

Para compor o resto do look, Conan Osiris vestiu uma peça desenhada pelo estilista Luís Carvalho e umas sapatilhas da Nike.

Quem já assistiu a um concerto de Conan Osiris sabe que os visuais são sempre diferentes — e são uma grande preocupação do artista. Vemo-lo com frequência com elementos urbanos de streetstyle mas também com referências a outras culturas, como os quimonos.

No fundo, é apenas uma reflexão da sua música. Tiago Miranda (é este o nome real de Conan Osiris) cria instrumentais digitais que misturam música eletrónica, ritmos africanos, sonoridades arábicas, dancehall, funaná, música dos Balcãs ou eurodance. Na voz sente-se a mesma mistura: tem tanto de fado como de música cigana e muitas têm sido as comparações a António Variações — também ele um ícone excêntrico e inovador, até no visual. As letras, recheadas de calão, são divertidas mas muitas vezes escondem significados mais profundos do que pode parecer à primeira audição.

Conan também falou com os jornalistas sobre o facto ter sido o mais votado pelo público. “Achei que era a coisa menos provável de acontecer. Foi chocante. Obrigado, mesmo. Mas no fundo estamos aqui todos a fazer história e cultura.”

A ascensão meteórica de Conan

Natural de Lisboa, Conan Osiris lançou-se em 2014 com “Silk” e dois anos depois editou “Musica, Normal”. Mas o que mudou tudo foi “Adoro Bolos”, o terceiro disco da carreira e o primeiro em português, que lançou no último dia de 2017 — há pouco mais de um ano. Tornou-se uma estrela emergente dentro dos circuitos da música alternativa e ao longo e 2018 ganhou uma dimensão pop. Tocou em festivais como o Vodafone Paredes de Coura, Bons Sons, Belém Art Fest ou Super Bock em Stock, entre vários outros. Foi ainda contratado pela NOS para a campanha publicitária A Minha Casinha é GiGa, que levou vários músicos portugueses conhecidos a fazerem as próprias versões da canção “A Minha Casinha”, escrita originalmente por João Silva Tavares e António Melo e popularizada mais tarde pelos Xutos & Pontapés.

E tudo isto sem nenhuma máquina por trás. Tiago Miranda lançou o álbum por uma pequena editora independente chamada AVNL Records e as suas músicas só foram lançadas oficialmente na plataforma SoundCloud e no BandCamp — só este mês de fevereiro, mais de um ano depois, é que passaram a estar disponíveis no Spotify e no iTunes.

Além de Conan Osíris, os apurados para a final do Festival da Canção são Matay, Calema, Ana Cláudia, NBC, Surma, Madrepaz e Mariana Bragada. Quem vencer a final de 2 de março vai representar Portugal na Eurovisão — e há muita gente a dizer que Conan Osíris tem as características certas para vencer o concurso internacional.