NiTfm live

Televisão

Um quarto dos restaurantes que participaram em “Pesadelo na Cozinha” já fechou

A terceira temporada do programa da TVI já terminou. Neste momento estão a ser transmitidos episódios especiais.
Ljubomir Stanisic apresenta o programa há três anos.

Antes de participar em “Pesadelo na Cozinha”, Domingas Mendes já não perdia um episódio do programa da TVI. Era uma enorme fã do chef Ljubomir Stanisic, que visitou o Café Central, em Portalegre, na segunda temporada do formato. 

Na altura foram várias as mudanças implementadas, como a NiT pôde verificar quando passou pelo espaço. Só que a esperança que “Pesadelo na Cozinha” pudesse resolver os problemas do Café Central não durou muito tempo.

O programa foi transmitido no final de novembro de 2018 — tinha sido gravado cerca de um mês antes. Em junho de 2019, cerca de oito meses depois da passagem de Ljubomir pelo Café Central, o restaurante teve de encerrar. Estava aberto há seis anos pela mão destes proprietários.

Domingas Mendes conta à NiT que foi por opção própria. “Fechámos por opção nossa, o espaço já não nos dizia nada. Em vez de termos participado no programa, devíamos ter fechado logo. O ‘Pesadelo’ foi só um pedido de ajuda.”

A antiga responsável pelo Café Central diz que rapidamente perceberam que os problemas se mantinham no espaço e que, portanto, não o conseguiriam manter aberto. Ainda assim, e apesar de ter tido vários momentos de tensão com Ljubomir (alguém que admirava muito), não se arrepende de ter participado no formato produzido pela Shine Iberia Portugal.

“Foi uma boa experiência, existem grandes profissionais na produção.” E continua a considerar Ljubomir “um grande senhor”, que “ajuda as pessoas em dificuldades como pode”.

Domingas Mendes está neste momento a trabalhar entre a cozinha e a sala de uma casa de petiscos que a contratou. O filho, Diogo, que era na verdade o proprietário do Café Central, “seguiu o seu caminho” e está a trabalhar como funcionário público noutra área completamente distinta.

Domingas conta que Diogo chegou a estagiar no restaurante de Stanisic, o 100 Maneiras, em Lisboa, e foi durante 15 dias — mais uma semana do que tinha sido inicialmente proposto.

A antiga responsável pelo Café Central continua a ver todos os episódios de “Pesadelo na Cozinha”. “Acho que na primeira temporada foram ao pormenor em todas as situações, até na higiene. Na segunda foi mais sentimental e de ajudar as pessoas, e acho que a terceira foi mais humana da parte dele, ajudou as famílias.”

Esta é a história de apenas um dos 32 espaços que já passaram pela versão portuguesa de “Pesadelo na Cozinha” — cuja primeira temporada estreou na TVI em março de 2017. A terceira ficou concluída a 26 de janeiro. No passado domingo, 2 de fevereiro, foi transmitido um episódio especial, que terá uma sequela este domingo, dia 9. A quarta temporada ainda não foi confirmada oficialmente pela TVI.

O Tapas, na Moita, já encerrou.

Nos últimos dias, a NiT fez um levantamento da situação atual de todos os restaurantes que já participaram no programa. Dos 32 espaços que foram intervencionados pela equipa de Stanisic, 24 continuam abertos — e oito encerraram. Ou seja, 25% dos restaurantes que participaram em “Pesadelo na Cozinha” já fecharam. Ainda assim, há dois casos de espaços encerrados que reabriram com uma nova gerência e conceito.

Os espaços encerrados

Os restaurantes que participaram no formato e que já encerraram são a Amburgaria e Pregaria Tradicional, em Setúbal; o HotSpot, em Peniche; o Tejá, em Santarém; o Carolina do Aires, na Costa da Caparica; o já referido Café Central, em Portalegre; o Pinto’s 2, em Cascais (que durante o programa mudou de nome para Galeria Mozzarella Gastrobar); o Tapas, na Moita; e o Miquipal, na Parede.

Estes dois últimos são os espaços que, apesar de terem fechado, foram reabertos por uma nova gerência e com conceitos diferentes. O Tapas, na Moita, foi totalmente renovado e é agora o Rei do Döner Kebab. Está com um aspeto bastante mais luminoso e, como o nome indica, a grande especialidade são os kebabs.

O Miquipal, na Parede, também reabriu com outra gerência — é agora o Arte dos Petiscos. Os novos donos servem pequenos pratos, que podem ir desde o marisco até aos croquetes de alheira com molho de mostarda e mel, passando pelo carpaccio de bacalhau e mexilhão.

Os restaurantes que resistiram

Todos os restantes 24 espaços continuam abertos. São eles o Suprema, em Águeda; o Canela, em Lisboa; o Tomate, em Espinho; o Beco, na Amora; o Barmácia, em Colares; o Ribamariscos, na Ericeira; o Dom Dinis, no Fundão; o Adiafa, em Santarém; o STOP Tir, em Vilar Formoso; o 2002, em Mangualde; O Telheiro, em Vieira de Leiria; Ninho de Sabores, em Braga; além do Alameda, em Sines.

O Rio Minho, em Lisboa, tinha mudado de nome para Pátio Sete — mas os donos nunca adotaram a nova designação dada por Ljubomir. O restaurante de Sete Rios continua a funcionar, tal como o Dona Porto, no Porto (que antes da participação no programa era Chic Dream).

Os restaurantes da terceira temporada também continuam abertos: são eles o Apple House, em Lisboa; o Solmar Canas, nas Caldas da Rainha; O Histórico, na Marinha Grande; A Faia, em Alverca; a Casa Azul, em Cacela Velha; a Casa das Francesinhas, em Viseu, que agora é Miminhos da Fátima; o Restaurante do Caipirinha, na Figueira da Foz; e O Lavinas, em Vila Real.

Falta agora saber se realmente haverá uma quarta temporada do formato — e quais serão os restaurantes a pedirem a ajuda da equipa de “Pesadelo na Cozinha” e do chef Ljubomir Stanisic.

Em declarações à NiT, Stanisic mostra-se satisfeito com o trabalho da terceira temporada. “Acho que correu muito bem, a máquina está perfeitamente oleada. Encontrámos casos difíceis e acredito que conseguimos ajudar muita gente, que é o meu objetivo e da equipa.”

O chef revelou que neste momento ainda não sabe o que vai fazer. “Ainda não sei o que vou fazer. Lesionei-me em janeiro num joelho, caí quando ia na brincadeira a correr para cumprimentar um amigo, e vou ser operado em breve. Os próximos tempos são para me focar na minha recuperação. Dito isto, sou muito grato ao ‘Pesadelo’ e à TVI mas o meu habitat vão ser sempre as cozinhas, não a televisão.” De qualquer forma, Stanisic garante que está com “a TVI para o que der e vier”.