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« “Tu”, a série que toda a gente anda a ver é perturbadora — mas super viciante

1. “Sharp Objects”

Já foi várias vezes comparada com a primeira temporada (e única que interessa) de “True Detective”. É sinistra, perturbadora e tem Amy Adams num dos melhores papéis da sua carreira. São dela a maioria das cenas desta história que tem como protagonista uma jornalista que regressa à sua antiga cidade para investigar um crime mas que tem, ao mesmo tempo, de enfrentar os demónios da sua família. Descobrir o que raio lhe aconteceu torna-se tão ou mais urgente do que desvendar o caso.

“Sharp Objects” baseia-se num livro de Gillian Flynn (“Em Parte Incerta”), que também trabalhou na adaptação para televisão e realizada por Jean-Marc Vallée (“Big Little Lies”). Logo aqui estão garantidos diálogos com qualidade e uma espécie de linguagem visual que dita o tom das cenas. O ambiente húmido sufoca as personagens e a nós, espectadores, também.

A pergunta que se arrasta durante toda a temporada (quem é o assassino) é banal mas as personagens são todas tão negras e têm tantos distúrbios escondidos, que acabamos por ficar paranóicos a desenvolver teorias, a desconfiar de todos, até chegarmos àquele final — que é tudo aquilo que temíamos mas também o que desejávamos.

Melhor personagem
Adora, interpretada por Patricia Clarkson. A mãe desta família é uma pessoa horrível, manipuladora mas que acaba por ser também uma vítima do seu passado e da própria mãe. Na verdade, não há respostas erradas aqui. Podíamos escolher Camille (Amy Adams) ou Amma (Eliza Scanlen) e faria sentido na mesma porque estas mulheres são tão complexas e ricas que são elas o verdadeiro segredo para o sucesso da série.