Televisão

Thomas Haden Church: “As pessoas no Tinder falam sobre todo o tipo de coisas”

A NiT publica em exclusivo uma entrevista com o ator de “Divorce”, que interpreta o ex-marido da personagem de Sarah Jessica Parker.

Vamos ver o que o resto da segunda temporada traz a estes dois.

Em “Divorce”, Thomas Haden Church é Robert Drufesne, um ex-executivo de Wall Street, que está a separar-se da personagem de Sarah Jessica Parker, Frances Dufresne. A segunda temporada da série de televisão, que estreou a 14 de janeiro, começa com os dois a assinarem os papéis do divórcio que já era esperado desde que o projeto foi anunciado, até pelo título.

Isso não impediu os dois protagonistas de se envolverem durante o período mais atribulado da relação. Agora que passaram vários meses e o divórcio está feito, ambos tentam seguir com as suas vidas amorosas. Mas não vai ser fácil. O segundo episódio da nova temporada estreou em Portugal na madrugada desta segunda-feira, pelas três horas da manhã, no TVSéries. Volta a ser transmitido na quinta-feira, 25 de janeiro, pelas 22h30.

Para percebermos melhor a dinâmica entre as personagens — e por que caminhos nos irão levar os novos episódios —, a NiT publica em exclusivo uma entrevista com o ator americano Thomas Haden Church, cedida pelo TVSéries.

A segunda temporada abre com Frances e Robert a assinarem os papéis de divórcio. Como é que eles estão os dois, em termos emocionais?

Passaram uns seis meses, e Frances e ele resolveram, de alguma forma, algumas das coisas feias dos últimos minutos da última temporada, quando ela espetou uma faca nas minhas costas, em termos financeiros, e depois eu reajo da forma que eu reajo, infelizmente. E, por isso, a questão era: quão rapidamente é que chegamos ao fim? E toda a gente estava de acordo: porque não tornar os primeiros cinco minutos da nova temporada a tratar disso? Pensámos: vamos tirar a parte feia do caminho. Tem um tom mais esperançoso. Ela está determinada em estar feliz; o Robert está determinado em estar feliz. Nenhum deles quer arrastar-se naquilo que foi o ano passado, ou os últimos cinco anos. Só queríamos ultrapassar isso.

Há uma diferença grande na forma como os miúdos estão a responder ao Robert e à Frances, com a Lila, em particular, a ser terrível para a mãe. Porque é que ele é assim tão herói nos olhos dela, enquanto Frances é que é a culpada?

Como todos os que já tiveram um filho sabem, eles observam e registam bem mais do que aquilo que pensas. Têm um entendimento muito complexo das emoções. Não havia um choque para a Lila e o Tom descobrirem [dos problemas] — eles já sabiam; e foi isso que decidimos. Nós queríamos que o Tom fosse um pouco mais protetivo em relação à Frances e que a Lila se virasse mais para o lado do Robert. Eu não tenho confrontos a sério nesta temporada, mas vão existir algumas situações mais problemáticas que vão acontecer com o Tom. Ele envolve-se com uma rapariga adolescente, e a questão não é tratada da forma certa. É de repente, na minha cara, no sítio onde vivo — eu nem sequer a conheço, e eles já andam bem envolvidos [risos].

Entretanto, o Robert é um homem de meia-idade a tentar voltar ao mundo dos encontros amorosos. Como é que diria que ele se está a dar?

Tanto ele como a Frances têm estado fora desse mundo por uns sólidos 25 anos, talvez até 30. Enquanto ela teve o caso com o Julian, eu envolvi-me com aquela mãe da escola, além da mulher com quem tive um ‘caso emocional’ — temos estado fora disso há muito tempo. Ela é incentivada a experimentar o Tinder e isso acaba de forma comicamente desastrosa para a Frances. E o Robert, ele pensa nesta mãe, com quem ele teve uma relação sexual, mas eles não podem simplesmente dizer: “Ei, vamos passar a noite juntos e possivelmente fazer sexo outra vez.” Tem de ser algo com ela mais agressivo, ou muito mais liberal do que aquilo que o Robert está preparado. Nunca estabelecemos o quão velhos são Robert e Frances, mas sempre dissemos que seria algures nos 50 anos, e é um mundo totalmente diferente. Não têm ideia de qual é o seu papel, que tipo de abordagens é que existem. Alguns dos argumentistas têm Tinder, e estávamos a brincar com isso, a fazer swipe, e as mulheres e os homens no Tinder falam sobre todo o tipo de coisas. Eles dizem: “Vamos passar à frente esta conversa da treta: para que estás disponível? Se estivermos juntos, estás disposta [a fazer um ato sexual]?” As pessoas perguntam mesmo estas coisas no Tinder. Isso era um tabu quando eu era novo; era algo que só as estrelas pornográficas faziam.