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“The Terror”: a história real de uma das séries mais assustadoras do ano

Estreia esta terça-feira, 3 de abril, e envolve navios perdidos no Ártico, canibais e monstros misteriosos.

Isto promete.

Chama-se “The Terror”, foi produzida por Ridley Scott e estreia em Portugal esta terça-feira, 3 de abril, no AMC — com um episódio duplo a partir das 22h10. Inspirada em acontecimentos reais, a história desta nova série de televisão é tudo menos bonita, e por isso é que está a ser considerada uma das mais assustadoras do ano.

“The Terror” tem como protagonista Ciarán Hinds (conhecido, por exemplo, por interpretar Dumbledore nos filmes de “Harry Potter”). Hinds é o capitão John Franklin, o líder de uma expedição britânica que, em 1845, pretendia descobrir a Passagem do Noroeste no Ártico, que fazia a ligação ao norte do Canadá e ao Alasca.

Franklin tinha 59 anos e esta era a sua quarta viagem no Ártico. Em setembro de 1846, os dois navios da expedição — o HMS Erebus e o HMS Terror — ficaram presos na ilha canadiana do Rei Guilherme. E nunca saíram de lá. Na série, o braço direito de Franklin é interpretado por Tobias Menzies.

Enquanto isto acontecia, a mulher de Franklin, Jane, começava uma campanha no Reino Unido para atrair as atenções para este desaparecimento. Ninguém ouvia falar deles há um ano. Habituou-se a ir falar com o órgão superior da Marinha Real Britânica, até se mudou para uma casa lá perto. Teve reuniões em casa com antigos exploradores do Ártico, para tentar perceber por onde os navios poderiam ter ido e até escreveu uma carta ao presidente americano, Zachary Taylor, em busca de apoio.

Tornou-se um assunto na ordem do dia na Grã-Bretanha, mas não teve grandes resultados, já que a Marinha Real Britânica não parecia muito preocupada. “Eles têm comida suficiente para três anos. Por isso não temos de nos preocupar até 1848”, terão dito, segundo Paul Watson, autor do livro “Ice Ghosts: The Epic Hunt for the Lost Franklin Expedition”, publicado no ano passado.

Acabou por haver uma missão de resgate em 1848, e depois até se ofereceram mais de 22 mil euros (na altura, uma quantia gigante de dinheiro) a quem assistisse os tripulantes da expedição. Era demasiado tarde: John Franklin morreu em junho de 1847, e 23 homens da tripulação tinham perdido a vida antes do final do ano. Todos os restantes aguentaram nos navios, durante dois invernos completos, até os abandonarem em 1848, rumo a um local seguro, que nunca encontraram. Morreram todos durante o caminho. Não havia muitas aves e peixes para comer naquela zona.

Em 1853, surgiram novas pistas. O explorador John Rae falou com um índio nativo, que teria avistado os sobreviventes ao desastre — estavam-se a comer uns aos outros, por não terem mais nada para comer. Os índios até tinham garfos e colheres de prata que tinham sido feitos com os adereços que faziam parte dos uniformes dos oficiais.