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Sexo, drogas e adolescentes: é assim a nova série chocante da HBO

“Euphoria” estreou a 17 de junho e a primeira temporada tem oito episódios.
Zendaya interpreta bem a protagonista, apesar de não ser muito carismática.
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Não há grandes filtros na nova série da HBO, “Euphoria”, um drama adolescente com muito sexo, drogas e alguma violência. A produção estreou a 17 de junho e a primeira temporada tem oito episódios. Todas as semanas há um novo.

A história acompanha Rue Bennett (Zendaya), uma rapariga de 17 anos que é viciada em drogas e acaba de sair da reabilitação — apesar de não ter servido para nada, já que a primeira coisa que faz quando regressa a casa é encontrar-se com o seu amigo e dealer habitual.

Entre os problemas de ansiedade e respiração, a relação difícil com a mãe e a irmã, os sentimentos em relação à morte do pai, a dificuldade de se ligar com certas pessoas (e o facto de muitas dessas pessoas serem idiotas), Rue está um pouco perdida na vida — mas parece que as coisas vão mudar agora que conheceu Jules, uma rapariga que acaba de chegar à cidade e com quem ela se identifica.

A julgar pelo primeiro capítulo — o único que vimos até agora — é difícil perceber por onde vai caminhar este enredo. Além de criar as bases da história, esta estreia teve um amontoado de festas, uso de drogas e flashbacks que a tornam tão dinâmica quanto confusa.

Temas como a sexualidade, os problemas de identidade, as redes sociais, a crueldade típica da adolescência ou os preconceitos sociais são fortes neste enredo. Mas muitas vezes parece que é uma novela adolescente que tem como objetivo chocar — mesmo que seja de forma gratuita, sem grande sentido e propósito. O que, claro, não é bom.

“Sex Education”, da Netflix, por exemplo, conseguiu falar de sexo adolescente — e também incluir várias cenas explícitas — e ao mesmo tempo ter uma história sólida e coerente, que não o usasse de forma gratuita. Não nos admiramos que muitos pais não queiram mostrar esta série aos filhos — sobretudo pela leviandade com que são tratadas as drogas.

A sequência inicial, que funciona como introdução, em que vemos o crescimento da protagonista ao longo dos anos, é das melhores do episódio. A iluminação, a estética, os planos e movimentos de câmara são impecáveis — e destacam-se no início do capítulo.

“Euphoria”, que é baseada numa produção israelita com o mesmo nome, foi escrita por Sam Levinson. O argumentista foi um toxicodependente durante muitos anos — o que incluiu a sua adolescência — e daí que tenha escrito esta história inspirada na própria vida, mesmo que adaptada à atualidade, em que os miúdos ouvem trap e fazem engates em apps de encontros. O rapper Drake, já agora, é um produtor executivo no projeto em relação à parte musical.

Levinson tentou escrever a história de um ponto de vista jovem e despreocupado — lá está, numa fase meio inconsciente em que o sexo e as drogas são abundantes. E numa entrevista à revista “Entertainment Weekly”, Zendaya disse que o primeiro episódio foi apenas o início e que é bastante “moderado” em relação aos outros.

O elenco jovem está bastante bem nas interpretações que faz — mas até aqui foi difícil perceber que personagens é que serão relevantes para a história e quem é que esteve presente para funcionar como um estereótipo sem mais profundidade. “Euphoria” ainda vai ter de provar o seu valor.