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Sean Teale: “O meu avião quase se despenhou a voltar do Porto”

Ainda assim, a experiência não afastou o ator de Portugal, onde esteve recentemente na Comic Con. A série que protagoniza, “Incorporated”, é produzida por Ben Affleck e Matt Damon e estreia a 16 de dezembro.

Quando tinha uma namorada que vivia no Porto, as visitas a Portugal eram frequentes. Numa dessas viagens apanhou um susto tão grande que achou que podia morrer. Tudo porque o avião que devia levá-lo de regresso a Londres foi obrigado a uma aterragem de emergência em Lisboa, onde já estavam ambulâncias e bombeiros preparados para o pior.

Sean Teale ainda não sabia que estava prestes a regressar a Portugal — para a terceira edição da Comic Con no início de dezembro — quando falou com a NiT ao telefone, a 16 de novembro, a partir de Los Angeles (Estados Unidos).

É ele o protagonista da nova série produzida por Ben Affleck e Matt Damon, “Incorporated”, que estreia esta sexta-feira, 16 de dezembro, no TVSéries, às 22h30. A história passa-se em 2074, num universo onde as grandes empresas controlam absolutamente tudo na vida das pessoas. Ben (Teale) infiltra-se numa dessas corporações para salvar a mulher que ama.

Aos 24 anos, o ator britânico já teve papéis importantes em “Skins” e “Reign”. Por coincidência, a sua mais recente série foi gravada a apenas 40 metros de onde era produzida “Reign”, num estúdio canadiano.

Estreou-se na televisão e no cinema em 2010 mas Sean Teale nunca teve ambições de ser ator. Jogava râguebi e futebol e achava que o seu futuro passaria pelo desporto.

À NiT contou ainda como conseguiu o papel em “Incorporated”, porque sente que tem dismorfia corporal quando se vê no ecrã e que envolvimento têm Ben Affleck e Matt Damon na série.

Já visitou Portugal?
Sim, um grande amigo meu e a minha ex-namorada vivem no Porto. Passei lá algum tempo e até fui com a minha família. Mas uma vez o meu avião quase de despenhou quando estava a voltar do Porto, o que foi bastante aterrorizador.

Quando foi isso?
Há uns anos. Descolámos do Porto e o piloto decidiu dizer que havia uma pequena falha no avião, o que é um termo muito ambíguo. Obviamente disse isso porque se dissesse que havia uma falha grave os passageiros ficariam loucos. Disseram que tínhamos de aterrar em Lisboa, que havia algo de errado e à medida que o avião estava a descer, eu olhei pela janela e só via na pista carros dos bombeiros, polícia, ambulâncias. Eu pensei: “Eles estão aqui caso o nosso avião se despenhe, há algo de muito errado.”

O que aconteceu afinal?
O mecanismo de aterragem não estava a funcionar corretamente e não estava a recolher, tinha algo preso. Quando tocámos na pista, batemos com tanta força que as máscaras de oxigénio caíram, as malas saíram dos compartimentos, foi assustador. Achei engraçado depois o facto do piloto ter dito que havia um pequeno problema e de todos termos acreditado.

Tem medo de voar?
Felizmente não fiquei com medo nenhum, até gosto. Aliás, sou um grande fã de skydiving.

Começou a atuar muito novo, na escola, mas na realidade não queria fazer disso profissão.
Eu comecei na escola mas isso fazia parte de uma aula obrigatória. Por volta dos 16 ou 17 anos, o que para alguns atores é bastante tarde, atuar começou a tornar-se muito importante para mim. Tive muita sorte porque, na verdade, não achava que pudesse fazer disso uma carreira. O momento em que fui descoberto por um agente, que foi ver uma peça — eu não sabia que ele estava lá — a minha vida mudou completamente e deu-me a oportunidade de transformar a paixão numa carreira.

O Sean nasceu em Londres, tem apenas 24 anos e já teve de mudar de continente inúmeras vezes por causa do trabalho.
Para ser honesto, faz parte do meu trabalho, mas até gosto de conhecer outras cidades e isso também nos permite perceber quão boa é a nossa casa. Já tinha estado em Toronto, Canadá, durante dois anos a fazer “Reign”. Ironicamente foi exatamente no mesmo estúdio em que agora gravámos “Incorporated”, dá para acreditar? Fiz uma série, fui embora e quando regressei comecei a trabalhar a 40 metros de onde trabalhava antes.

“Ben Affleck e Matt Damon têm estado presentes desde o início, ajudaram nos castings, dão notas de edição”

Como é que conseguiu o papel de protagonista de “Incorporated”?
Foi há cerca de um ano e meio. Tinha mesmo acabado “Reign” e estava em Montréal a trabalhar num videojogo para a Ubisoft. Há uma senhora maravilhosa na CBS chamada Meg Liberman que já tinha conhecido para “Reign” e ela disse ao meu agente que havia um projeto para o qual eu podia ser a pessoa certa. Fiz uma audição a partir de Londres, filmei um vídeo e enviei. Depois falei com o David e o Alex Pastor [criadores de “Incorporated”] ao telefone, fiz mais alguns vídeos e viajei para Los Angeles para fazer um screen test com outros atores. Foi um processo de quatro ou cinco semanas. Descobri que tinha o papel em agosto e filmámos o piloto em setembro.

Teve pouco tempo para se preparar. Que tipo de pesquisa conseguiu fazer?
Vi muitos dos filmes que os produtores referiam como inspiração, “The Bad Sleep Well” por exemplo. Esta personagem tem de existir confinada a este mundo, que não existe realmente porque é ficção científica. Como este mundo foi escrito pelo David e o Alex, passei muito tempo a falar com eles sobre tecnologia, os efeitos, as alterações climáticas, só para perceber melhor o mundo que estão a criar. Depois, por causa da infância da personagem, fui pesquisar como é ser um miúdo refugiado, histórias de miúdos em acampamentos ou campos da ONU. Nesta história há coisas terríveis que acontecem aos pais dele, portanto procurei histórias reais de miúdos que assistem a coisas assim e como reagem nestas situações. Assim pude construir uma personagem que achei que estava correta.

O que há de diferente nesta série que pode torná-la um sucesso?
Acho que o mundo é tão rico, autêntico e relevante, é tão realista. Toda a tecnologia na série está a ser desenvolvida neste momento ou em fase de pesquisa, é provável que exista quando chegarmos a 2074. A série permite-nos ver o mundo de uma forma bastante realista, para ser honesto, aquilo que o mundo vai ser em 50 ou 60 anos. Também acho que há personagens para cada um de nós nesta história, com as quais nos vamos identificar num certo nível.

Ben Affleck e o Matt Damon são produtores executivos. Estão envolvidos na vida diária das gravações?
É difícil para qualquer produtor executivo estar envolvido na vida diária no set. Eles têm estado presentes desde o início, ajudaram nos castings, dão notas de edição mas também dão espaço e liberdade ao resto da equipa para que esta possa continuar com o seu trabalho. Eles também são muito ocupados, são dos maiores atores e realizadores do mundo. Temos a Margaret Chernin e a Jennifer Todd, que trabalham com o Ben e o Matt, e que têm estado connosco todos os dias.

Durante quanto tempo gravaram a primeira temporada?
Foram seis meses e meio para fazer dez episódios. Tivemos algum tempo de preparação antes mas foi basicamente isso durante cinco ou seis dias por semana.

O que é que a sua mãe lhe leva quando o visita?
A mãe leva-me sempre bolos de Londres, apesar de eu nunca pedir. Somos os dois muito próximos, ela adora ir ao set e ver como tudo funciona. Também tive muitos amigos a visitarem-me e adoro passar tempo com o elenco, damo-nos todos muito bem.

Já assistiu ao primeiro episódio de “Incorporated” ou não consegue ver-se no ecrã?
Já me mostraram o episódio mas não, não consigo. Não culpo os outros atores que conseguem fazê-lo mas eu não escolhi reagir como reajo. Lembro-me de ver o meu primeiro episódio de “Skins” e de odiar. Tinha 18 anos, era inseguro. Mas por gostarmos de nos ver não quer dizer que não sejamos inseguros, quer dizer que somos capazes de ver com alguma perspetiva. Quando estou no set, pelo bem do trabalho, consigo ver takes, verificar se as emoções estavam lá, se a personagem está na posição certa. No momento em que acabo o dia de trabalho, torna-se muito difícil para mim, não estou a ver as mesmas coisas que todas as outras pessoas. Sei como me mexo, como soo, questiono porque me mexi assim, porque tomei aquela decisão, porque soei assim, é como ter dismorfia corporal — quando se pensa que somos mais gordos ou magros do que realmente somos. E, para mim, há ainda outro motivo. Como sei o que vai acontecer, não vejo a série com nenhum suspense nem drama.