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Se o coronavírus o assusta, tem de ver a nova série da Netflix sobre pandemias

"Pandemic: How to Prevent an Outbreak" chegou à plataforma de streaming no início de janeiro.
Tem seis episódios.

Pandemic: How to Prevent an Outbreak” (ou “pandemia: como prevenir um surto”, em tradução livre) é o nome da produção que chegou à Netflix a 8 de janeiro. Esta série documental mostra como é que os investigadores tentam combater pandemias incontroláveis, começando por relatar a gripe espanhola de 1918, que matou 100 milhões de pessoas, e passando para vírus mais atuais, como o caso da Ébola na República Democrática do Congo.

Poucos dias depois do lançamento da série na plataforma de streaming, que coincidiu com o pico da estação das gripes, o mundo viu o coronavírus rebentar nos media, matar 80 pessoas na China e colocar cidades inteiras de quarentena.

A 23 de janeiro, a Organização Mundial de Saúde (OMS) considerou ser cedo de mais para declarar estado de emergência, mas já alertou para um possível contágio em massa. Esta coincidência insólita levou alguns subscritores da Netflix a acreditar que o coronavírus não passaria de um golpe publicitário para promover a série documental.

“Acho o timing de lançamento da série ‘Pandemic’ na Netflix muito suspeito. Será coincidência?”, pode ler-se numa publicação no Twitter, enquanto outro utilizador escreve: “A Netflix acabou de lançar um documentário chamado ‘Pandemic’ logo depois do coronavírus se espalhar em Wuhan, na China. Acho isto suspeito”, acrescentando o hashtag “teorias da conspiração”.

Ao longo dos seis episódios, “Pandemic: How to Prevent an Outbreak” passa por vários pontos do globo para explorar vírus que poderiam potencialmente espalhar-se por países inteiros — ou até mesmo por todo o mundo.

Um dos momentos mais inquietantes da série acontece quando Dr. Dennis Carroll, da Unidade dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, declara em voiceover uma mensagem arrepiante: “Quando falamos do surgimento de mais uma pandemia não é uma questão de ‘se’, mas de ‘quando'”. A possibilidade de combater um destes vírus é um dos temas principais, já que o último — a gripe espanhola — aconteceu há mais de 100 anos.

Ainda assim, os episódios acabam por tranquilizar os espetadores, mostrando que há equipas de pessoas que trabalham incansavelmente no desenvolvimento de novas vacinas para combater estas doenças.

O documentário conta ainda com o testemunho do Dr. Michael Yao, da Organização Mundial de Saúde, que trabalha para educar cidadãos da República Democrática do Congo sobre a prevenção da ébola. Neste país da África Central, os funcionários da saúde são vistos com desconfiança pela população e há até quem acredite que foram eles os responsáveis pelo alastramento da doença. Só no ano passado, foram registados mais de 300 ataques a profissionais da área, que resultaram em seis mortes.

Ainda assim, o desafio dos funcionários de saúde para combater pandemias também está presente noutros países, como nos Estados Unidos, com o crescimento do “anti-vaxx”, um movimento que defende que as vacinas são prejudiciais para a saúde e associadas, por exemplo, ao autismo nas crianças. De acordo com a OMS, este é foi um dos 10 fatores que mais ameaçaram a saúde global em 2019.

Em “Pandemic”, uma mãe de cinco filhos no estado norte-americano de Oregon assume-se como sendo contra a vacinação, e junta-se a um grupo que protesta uma possível legislação em debate, que prevê que os miúdos não vacinados sejam barrados das escolas.

A equipa de produção de “Pandemic” viajou ainda até países como o Vietname, Índia, Guatemala, Líbano e Egipto, para falar com os médicos e cientistas que trabalham para combater desconhecidas – mas potenciais — futuras doenças, relatando como as suas vidas pessoais, familiares e religiosas são afetadas pelo seu trabalho.

Dr. Dennis Carroll insere-se nesse grupo. Durante a série, o médico afirma ainda que “apesar de não podermos prever de onde é que a próxima pandemia vai surgir, há certos locais que exigem uma atenção especial — e a China é onde deles. É o local de onde vimos emergir quase todos os vírus mortais ao longo do último meio século”, termina.

O foco do coronavírus começou na cidade de Wuhan, na China, e já infetou mais de 2300 pessoas no país. Há também casos confirmados em Macau, Hong Kong, Taiwan, Tailândia, Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos, Singapura, Vietname, Nepal, Malásia, França, Austrália e Canadá.