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“Marianne” até pode assustar, mas isso não chega para a tornar uma grande série

A produção francesa de terror da Netflix estreou a 13 de setembro e tem oito episódios.
Tem oito episódios.
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“Marianne” é a série francesa de terror que estreou na Netflix na sexta-feira de 13 de setembro. Ao todo, são oito episódios que contam esta história sobre uma escritora e um demónio que a atormenta desde a infância.

O enredo não é mau, mesmo que não seja brilhante. Uma escritora que se tornou rica com uma saga de terror chegou ao décimo e último volume da história. A ideia é passar para uma nova fase da sua carreira, mais madura, só que isso simplesmente não vai ser possível.

Tudo porque este demónio, Marianne, que é retratado na ficção, é bastante real e tem atormentado os sonhos de Emma, a escritora, desde a sua infância. As coisas só melhoraram quando Emma passou a escrever estes livros sobre uma heroína que consegue vencer os seus medos e derrotar Marianne.

Agora que decide parar de os escrever, o demónio está de volta — e com ele todas as outras coisas do passado que atormentam Emma: a pequena e claustrofóbica cidade de Elden, a péssima relação com os pais, os melhores amigos deixados para trás. Emma vai ter de voltar e lidar com todos os seus problemas para conseguir viver em paz.

“Marianne” tem o dom de conseguir cumprir o mais importante elemento numa série ou filme de terror: consegue assustar quem a vê. A banda sonora, a realização e os cenários obscuros (quase góticos, por vezes) chegam perfeitamente para nos assustarmos de vez em quando, mesmo que seja só aquele salto instantâneo na cadeira, sem valor acrescentado.

Foi exatamente isto que ficou prometido quando os primeiros espectadores começaram a relatar nas redes sociais como não conseguiam dormir, ou que o tinham de fazer de luz acesa, depois de assistirem aos primeiros capítulos. Missão cumprida (mesmo que dormir de luz acesa por causa disto seja um grande exagero).

Há que dar valor ao papel de Mireille Herbstmeyer (alerta, diretores de casting por esse mundo fora). O demónio Marianne possui várias formas ao longo desta primeira temporada e a primeira de todas é o corpo da Madame Daugeron (a personagem de Herbstmeyer), que consegue, simplesmente com o seu olhar e expressão, ser o elemento mais assustador de todos nesta produção.

No entanto, há várias características que honestamente parecem demasiado desnecessárias na série. Os elementos mais nojentos do enredo, as personagens um pouco irritantes, os momentos supostamente mais cómicos ou algumas falhas de lógica naquilo que acontece, completamente irrealistas, são suficientes para estragarem aquilo que a série tem de bom.

Além disso, apesar de toda a obscuridade que tem, é uma série com um tom bastante inocente, naive — tom esse que é totalmente personificado pela assistente-amiga-escrava de Emma, Camille, e que não é nada fácil de equilibrar com as partes mais tenebrosas, o que faz com que alguns momentos de transição não sejam os melhores.

De qualquer forma, “Marianne” merece uma oportunidade de todos os fãs de histórias de terror. E é bom sinal que uma produção francesa esteja a ter este destaque na Netflix. Para todos aqueles que gostaram, a boa notícia — e sem revelar quaisquer spoilers — é que, após aquele final, tudo indica que vá haver uma segunda temporada.