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“Pesadelo na Cozinha”: Júlio acusa Ljubomir de plantar baratas no restaurante

A terceira temporada do programa estreou este domingo, 1 de dezembro, na TVI. A NiT falou com o responsável pela Apple House.
Júlio Gomes de Sousa tem 46 anos.

Júlio Gomes de Sousa conhecia “Pesadelo na Cozinha” sobretudo por causa da famosa versão com Gordon Ramsay, mas nunca tinha visto o programa gravado em Portugal. O cozinheiro de 46 anos diz que estava numa situação de autêntico desespero quando chamou a equipa da TVI ao seu restaurante em Lisboa, a Apple House — e foram amigos próximos, que eram clientes do espaço, que trataram da inscrição.

“Os momentos de desespero levam-nos a cometer coisas loucas, e isto foi uma loucura que eu cometi”, admite Júlio à NiT. A casa tinha salários em atraso, dívidas e um espaço num estado “degradado”. “Esta casa está velha e toda partida”. Entretanto, a NiT foi lá almoçar e conta como foi a experiência.

Afinal, a Apple House — que já foi Big Apple — é uma das hamburguerias mais antigas de Portugal. Foi inaugurada há 40 ou 50 anos, ninguém sabe exatamente quando. Fica na Rua Elias Garcia, entre o Campo Pequeno e o Saldanha, mas apesar da zona movimentada, não conseguiu atrair muitos clientes. Júlio Gomes de Sousa é responsável há cerca de seis anos por um espaço que já passou por vários donos e gerências ao longo das décadas. Neste domingo, 1 de dezembro, esteve em destaque na estreia da terceira temporada de “Pesadelo na Cozinha”, programa da TVI conduzido pelo chef Ljubomir Stanisic.

Os tais clientes amigos (Carlos e António, os organizadores dos quizes) inscreveram o restaurante há quase dois anos, na sequência da primeira temporada, mas as gravações nunca avançaram. Este verão foram contactados novamente pela produção, que lhes prometeu que iriam ser o primeiro restaurante gravado para a nova temporada — o que alterou todos os planos de Júlio e da mulher, que têm dois filhos gémeos com um ano e que se preparavam para fazer um trespasse ao espaço. O plano do casal era mudarem-se para a Ucrânia, de onde é a mulher de Júlio, que trabalha como economista a partir de casa. Quando surgiu a oportunidade de entrarem no programa, até o senhorio os encorajou a ficarem mais tempo e darem uma chance a “Pesadelo na Cozinha”.

“Infelizmente, a pessoa que nos ia comprar isto não gostou da ideia, achou que era horrível, que tinha amigos que já tinham estado nisto e que era horrível. Eu também sabia que era horrível. Eu não queria mediatismo nem nada disso, foi mesmo um momento de desespero muito grande, quase que sentia a corda no pescoço a rebentar. Porque tens pessoas muito boas a trabalharem contigo, tens dívidas com os teus empregados, mas eles continuam contigo. A minha mulher quando ouviu isto ficou maldisposta, porque ela queria mesmo vender o restaurante, respeitarmos isto. Com duas crianças gémeas não é fácil, não temos ninguém cá, quando vem a mãe dela dá-nos uma ajuda, mas a senhora também já tem 68 anos, não é fácil.”

Júlio diz que o negócio correu mal logo de início, porque só o assumiu passados cinco ou seis meses depois de a mulher ficar à frente do restaurante. Acusa os antigos proprietários de os terem enganado sobre o estado das coisas, que foram os vizinhos ali do bairro (onde Júlio e a família também vivem) que lhes contaram a história verdadeira. “Alugar ou comprar um restaurante que já estava em baixo… para levantar fica uma coisa muito difícil. A minha mulher ficou com isto e foi um disparate.”

A equipa da Shine Iberia Portugal, a produtora do programa, instalou-se na Apple House a 15 de setembro. As gravações decorreram durante uma semana, até dia 21. E não foram nada pacíficas.

A relação atribulada com Ljubomir Stanisic e “Pesadelo na Cozinha”

Júlio Gomes de Sousa diz que a equipa de “Pesadelo na Cozinha” ignorou completamente a história do restaurante. Ao contrário da postura mais pacata e passiva que vimos no programa, Júlio falou com a NiT com uma abordagem mais crítica e agressiva em relação à produção.

“O chilli com carne foi a única coisa que eu herdei desta casa há 40 ou 50 anos mas o que eles faziam era uma porcaria. Eu faço um original mesmo, como eu gosto, com muitos coentros, malagueta. Embora o Ljubomir ache que não é chilli, ele acha que ainda faz melhor, mas pronto. Ele acha que faz tudo melhor do que toda a gente.” Como vimos no programa, as críticas à carta e aos pratos foram muitas. Mas Júlio defende-se das alegações de Stanisic.

“Eu tinha aqui crepes, ele tem a mania que é contra os microondas. Se pegas num crepe e metes queijo lá dentro, colocas num forno a 300 graus, estás à espera que o queijo derreta e que não queime? Ele sabe que não tem essa possibilidade, então inventa um crepe à maneira dele, todo aberto, como se fosse uma pizza, mete no forno, e ‘agora vais dizer aos clientes que fiz um crepe especial hoje’… Tretas. Aquilo já não era um crepe, já era uma pizza crepe. Os crepes são enrolados.”

Júlio não adotou algumas das medidas de Stanisic.

Júlio diz que a única coisa que viu Ljubomir realmente a cozinhar foram uns pimentos padrón — que foram mandados para trás pelo cliente. “O cliente teve de pedir para ele passar mais. Toda a gente sabe que os pimentos padrón têm de ser bem passados. Vi um programa do Ljubomir e não vi mais porque é sempre a mesma história. Ele entra, coscuvilha as coisas, está sempre tudo mau e não prova sequer. Eu nem sei se ele tem sequer palato. Um gajo que fuma como ele não sei se tem palato, mas pronto. Para mim um cozinheiro que fume… os dois que tenho fumam mas se soubesse que fumavam não os metia. É que se perde a sensibilidade.”

Outro problema levantado por Ljubomir foi o ceviche que provou — que detestou e até deu a provar a Júlio. “Houve um prato que ele me deu a provar e até hoje fiquei indignado, porque não sei como raio é que aquele prato chegou àquelas circunstâncias. Ele diz que aquilo não é um ceviche — claro que aquilo não é um ceviche, é um ceviche feito à minha maneira. Já fazia em Inglaterra e vendia às fortunas. No Canadá vendi aquilo às fortunas. Fiz uma vez para o Dia dos Namorados e as pessoas adoraram. Mas que raio, uma hamburgueria tem crepes e depois tem um ceviche no menu? Porque os clientes é que me pediram.”

Durante aqueles minutos de conversa, Ljubomir pediu que um cozinheiro seu lhe fizesse um ceviche “a sério”, atitude que Júlio condena. “Caralhos que o fodam, desculpem-me lá. É merdice mesmo. Porque é que não veio ao pé de mim, comprava as coisas e fazia? Não, alguém o fez lá fora. Espetacular mesmo. Eu provei o ceviche do meu restaurante, estava horrível, parece que tinha sido feito com aquele sumo de limão de frasco que já tinha passado de tempo. No meu restaurante, assim? Pá, alguém mexeu nele. Eu até faço uma cara de choque nesse momento. Um dia antes um cliente tinha comido o mesmo prato e estava tudo normal.”

Júlio acusa a produção de “Pesadelo na Cozinha” de sujar o espaço e colocar baratas no restaurante

Quando Ljubomir chegou ao restaurante, pegou num guardanapo e passou pela parte de cima dos sofás, que estava bastante suja. Júlio acusa a produção de ter sujado de propósito o restaurante — já que a equipa ficou com as chaves do espaço durante aquela semana e ninguém pode entrar até que a produção de “Pesadelo na Cozinha” assim quisesse.