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Paulo Pires comenta cenas nuas em “White Lines”: “Foi completamente à vontade”

O ator terá gravado parte das suas cenas na casa do ator Michael Douglas em Maiorca. A série está disponível na Netflix.
Paulo Pires tem meia dúzia de cenas na série.

A primeira vez que vemos Paulo Pires na nova série da Netflix, “White Lines”, o ator português está completamente nu numa banheira. Levanta-se e fica de frente para Marcus (a personagem do britânico Daniel Mays), o ex-marido da sua namorada, que trata de forma incisiva e como se ele fosse um idiota.

“Foi ótimo. Eu não conhecia pessoalmente o Daniel Mays, tinha-o visto em ‘Infiltrado’ com o Bryan Cranston, já o conhecia mas não tinha muito presente quem ele era. E adorei trabalhar com ele, é uma pessoa super divertida e um ator incrível, mesmo. Tem uma verdade na comédia absolutamente fora de série. Tem uma verdade nas cenas… é tudo muito humano, com imenso sentimento. E a personagem que ele faz, o Marcus, é muito gira”, disse Paulo Pires em entrevista à NiT, num artigo mais aprofundado publicado antes da estreia da série, a 15 de maio.

Quanto às cenas em que gravou nu, Paulo Pires diz que houve um enorme cuidado para que tudo corresse bem. “Só gosto que as coisas estejam defendidas e não sejam de mau gosto, não foi algo que estivesse em causa. Eles são muito cuidadosos com esse tipo de coisas, falaram comigo, pediram-me para assinar não sei quantos papéis — mas antes disso perguntaram-me mesmo se havia algum problema, se eu estava confortável, tratam muito bem as pessoas. São muito profissionais. Sabem precaver-se de qualquer mal-entendido, de qualquer situação desconfortável, que não seja legal, não brincam com estas coisas. Foi completamente confortável, e toda a equipa está no seu lugar, é tudo disciplinado. Estão ali porque são grandes profissionais e sabem estar. Quem está numa situação destas, exposto, está completamente à vontade, porque cada um está na sua função, ninguém está a olhar ou a dar qualquer ponto de vista. Recebi quase mais folhas de contrato e a avisar onde é que estavam os extintores e as normas de segurança, e se podia ou não aparecer nu… recebi quase mais isso do que folhas de texto para gravar.”

Paulo Pires recorda-se que era a personagem número 50 — e que depois dele entraram outras na série — mas que sempre se sentiu totalmente bem tratado e informado apesar de ter um papel pequeno.

“Eu fui sempre recebendo imensas coisas, desde o mapa de rodagem completo, os textos dos episódios que me diziam respeito, foi uma experiência mesmo muito boa.” No total, tem cerca de seis ou sete cenas ao longo dos dez episódios da primeira temporada de “White Lines”, a primeira produção do criador de “La Casa de Papel” produzida especificamente para a Netflix.

Todos elogiam o ambiente nas gravações.

Esta é uma produção conjunta da britânica Left Bank Pictures (a produtora de “The Crown”) e da espanhola Vancouver Media (do argumentista e produtor Álex Pina). Paulo Pires acrescenta que se sentia a grandeza da produção em todos os pormenores. “No tempo que há para as coisas reflete-se logo. Sempre que uma pessoa sente tempo, é porque há dinheiro, um grande investimento a todos os níveis. Posso dizer que a casa que era a casa da minha personagem — o George é um tipo assim libertino, rico — é de uma estrela americana de cinema que tem uma casa em Maiorca. Gravámos lá grande parte das cenas.”

Apesar de Paulo Pires não ter revelado o nome da estrela americana de cinema, segundo o site especializado No Frills Excursions podemos assumir que o ator português esteve a gravar cenas na propriedade de Michael Douglas na ilha espanhola.

Paulo Pires interpreta George, o namorado de Anna [Angela Griffin] — uma das velhas amigas do DJ Axel (cujo homicídio e desaparecimento está no centro do enredo), que saiu de Manchester para Ibiza com ele. 

“Não é um papel que precisasse de algum trabalho específico. Ele não é muito definido. Supostamente tem um pouco mais de idade do que eu, é só um tipo rico, que tem imenso dinheiro e gosta de pintar umas aguarelas. O trabalho era encontrar, com base na observação e na ideia que temos das coisas, uma pessoa com esta mentalidade, super aberta em termos sexuais — mesmo com a mulher. É um tipo super cool na vida, um bon vivant, e as características do texto são giras”, contou Paulo Pires à NiT sobre o seu papel. 

E acrescenta: “A personagem está completamente despojada de qualquer pudor. Ele é sempre muito incisivo e como é o namorado da ex-mulher do Marcus, é sempre muito acutilante nas coisas que diz, na forma como fala com ele. Porque é um tipo que pode ser elegante quando precisa de ser elegante, mas quando fala com alguém que acha um idiota, e ele acha o Marcus um idiota, trata-o como um idiota. É uma pessoa frontal, sem medo de nada. Diz o que pensa, quando lhe apetece, e tem poder para isso também.”

Paulo Pires e Angela Griffin, que interpreta a sua namorada.

Paulo Pires conseguiu o papel através de uma diretora de casting internacional que conhecera há vários anos através do programa Passaporte — que junta atores portugueses a diretores de casting.

“Perguntou-me se eu estava disponível para fazer uma cena. Que, apesar de ser só uma cena, era de uma série muito gira. Falou-me da cena, disse-me que era com outro ator — com o Daniel Mays. Mandou-me a cena e disse que eventualmente poderiam aparecer outras, não fazia ideia, a série ainda estava a ser escrita.”

Apesar de ser uma pequena participação, Paulo Pires não teve dúvidas e aceitou de imediato. “Eu li e fez-me logo todo o sentido. Era uma cena bem estruturada, muito bem escrita, e a partir daí surgiram outras. Inclusive estava a trabalhar aqui em Lisboa, não foi muito fácil de coordenar porque estava muito ocupado na altura… Obviamente, todas estas séries da Netflix são grandes investimentos e são feitas com mais tempo do que estamos habituados. No mercado nacional há sempre menos dinheiro, por isso nunca há tempo [risos]. E aqui havia tempo, por isso as cenas que gravei precisei de alguns dias. Foi muito bom de fazer.”

Leia o artigo da NiT para saber mais sobre a participação de Paulo Pires e dos outros portugueses da série, Nuno Lopes e Rafael Morais em “White Lines”. Leia também a nossa crítica à série e descubra a história de Álex Pina, criador de “La Casa de Papel”, argumentista de “Vis a Vis” e responsável por esta nova produção da Netflix.

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