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Televisão

Os salários milionários na Netflix estão a irritar as empresas rivais

Os ordenados dos empregados são públicos para incentivar a competitividade dentro da empresa e chegam a ser 50% mais altos do que o valor de mercado. 

A Netflix é acusada de afundar o mercado.

Ao longo dos últimos anos, vários atores que tradicionalmente trabalhavam no cinema passaram para a televisão. O paradigma da ficção mudou e os grandes canais por cabo americanos e as novas plataformas de streaming — que juntaram ambição com investimento — criaram histórias que conquistaram mais espectadores do que as maiores produções que chegam aos Óscares.

Afinal, uma série com dezenas de episódios e várias temporadas pode ter, à partida, mais potencial para explorar uma história e transformar-se num título de culto. Por isso mesmo é que nos últimos anos têm sido apresentados os episódios de séries nos mais prestigiados festivais de cinema — o regresso de “Twin Peaks”, em 2017, estreou primeiro em Cannes; e a minissérie dos irmãos Cohen para a Netflix, que ainda nem sequer foi para o ar, esteve este ano em destaque no Festival de Cinema de Veneza.

Até em Portugal isto acontece. A série trágico-cómica de Bruno Nogueira para a RTP, “Sara”, teve uma antestreia especial no IndieLisboa, vários meses antes de chegar à televisão.

A Netflix é um claro exemplo de sucesso mundial e, provavelmente, o principal gamechanger deste mercado. O segredo para este êxito pode estar na forma como a plataforma de streaming gere as receitas. A Netflix recebe vários milhões de euros todos os meses, mas grande parte deste lucro reverte para os seus funcionários.

Assim se percebe que a empresa tenha oferecido contratos ultra milionários a Shonda Rhimes e Ryan Murphy, dois dos maiores autores de séries das últimas décadas. A primeira é a responsável por “Anatomia de Grey”, “Scandal” ou “Como Defender um Assassino”, entre outras. Ryan Murphy é a mente por detrás de “American Horror Story”, mas também escreveu a história de “Glee” e criou “9-1-1”. Ambos vão escrever novas séries em exclusivo para a plataforma. Não foram revelados os termos do acordo com Shonda Rhimes, mas Ryan Murphy assinou um acordo que pode chegar aos 260 milhões de euros consoante o sucesso das produções.