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Os sacrifícios de Beyoncé para conseguir dar o concerto de uma vida no Coachella

A história é contada no documentário "Homecoming: a film by Beyoncé", que já pode ser visto na Netflix.
O filme tem mais de duas horas.

Se tivermos que escolher um concerto para destacar na edição do ano passado do festival de Coachella, ele terá de ser o de Beyoncé. Foi tão espetacular e impactante que o termo Beychella se tornou viral nas redes sociais. Cerca de 45 milhões de pessoas assistiram às duas atuações que a cantora fez nos fins de semana do evento da Califórnia, nos EUA, tanto no local como em casa.

Um ano depois, estreou na Netflix “Homecoming: a film by Beyoncé”, o documentário de bastidores que mostra como foi feita a preparação para esses dois espetáculos. Está disponível desde esta quarta-feira, 17 de abril, e tem mais de duas horas.

Foi a primeira vez que uma mulher negra foi a cabeça de cartaz de Coachella, um dos mais emblemáticos festivais de música do planeta. A ocasião também era especial por causa da fase da vida pessoal da cantora e as participações do marido, Jay-Z, do cantor J Balvin e uma reunião das Destiny’s Child (o grupo em que Beyoncé começou) também foram marcantes.

A história começa, na verdade, em 2017. Beyoncé ia ser a cabeça de cartaz nessa edição do festival, mas uma gravidez inesperada alterou-lhe os planos e deu-lhe, em vez da atuação, dois gémeos chamados Sir e Rumi, que se juntaram a Blue Ivy, filha do casal que já tinha cinco anos (hoje tem sete).

“O meu corpo passou por mais do que eu pensava que podia passar”, explica a cantora de 37 anos no documentário. “Eu tinha 98 quilos no dia do parto. Tive uma gravidez extremamente difícil: tinha alta pressão sanguínea, tive toxemia, e no útero o coração de um dos meus bebés parou de bater algumas vezes. Tive de fazer uma cesariana de emergência.” Beyoncé nunca tinha descrito em pormenor as complicações da gravidez.

A recuperação foi o mais difícil. “Havia dias em que eu pensava que nunca mais seria a mesma. Fisicamente, pensei que a minha força e resistência nunca mais seriam as mesmas.” Isso influenciou até a preparação da coreografia, um dos elementos mais importantes na performance.

“Grande parte da coreografia tem a ver com tu sentires aquilo, por isso não é assim tão técnica. É a tua própria personalidade que lhe dá vida, e é difícil fazer isso quando não te sentes tu própria. Tive de reconstruir o meu corpo e demorou um bocado até me sentir confiante.”

Beyoncé seguiu um plano alimentar rigoroso para voltar à forma. Não comeu pão nem qualquer tipo de hidratos de carbono, muito menos açúcar, laticínios, carne, peixe e álcool. Foi só a 33 dias do primeiro concerto na edição de Coachella de 2018 (quando cancelou em 2017, a organização convidou-a logo para o ano seguinte) que conseguiu caber no figurino que tinha sido preparado para o espetáculo.

“O que as pessoas não veem são os sacrifícios que estão por trás”, diz a cantora no filme. “Já não é como antigamente, quando conseguia ensaiar durante 15 horas de seguida. Tenho filhos, um marido, tenho de tratar do meu corpo.”

E garante que não vai voltar a fazer o mesmo. “Definitivamente desafiei-me mais do que aquilo que sabia que podia e aprendi uma lição valiosa: nunca mais me vou forçar para chegar a esse nível. Sinto que sou uma nova mulher num novo capítulo da vida e não estou a tentar ser quem eu era dantes.”

O festival de Coachella é conhecido pelo glitter, os colares de flores e objetos como penas de índios nativos americanos — por isso mesmo o público do evento já foi acusado várias vezes de apropriação cultural e criticado por isso.

Beyoncé quis romper com essa tradição e levou para o palco o imaginário das universidades das comunidades afro-americanas. Tinha uma orquestra negra vestida de amarelo e boinas pretas — apesar de os figurinos e cenários mudarem de um fim de semana para o outro. Além deles, estavam cerca de 100 bailarinos em palco.

Foram quatro meses de ensaios para o concerto — e outros quatro para a coreografia. “Estudei a minha própria história, o meu passado, e coloquei cada erro e cada triunfo da minha carreira de 22 anos nestas performances de duas horas.”

Apesar de ter uma equipa grande a trabalhar com ela, Beyoncé quis estar envolvida em todos os detalhes. “Eu escolhi pessoalmente cada bailarino, cada luz, o material em cada passo, a altura e forma da pirâmide. Foi tudo feito à mão e cada pormenor foi intencional.”

Ao mesmo tempo que estreou o filme, foi lançado o álbum ao vivo “Homecoming: The Live Album”. É um disco com as 38 faixas que fizeram parte do alinhamento dos concertos no Coachella. Já pode ser ouvido nas plataformas digitais.

Este ano, o Coachella começou no fim de semana passado, de 12 a 14 de abril, e continua nos próximos dias, entre 19 e 21 do mesmo mês. Childish Gambino, Tame Impala e Ariana Grande são alguns dos cabeças de cartaz. O DJ português Holly é outro dos que vão passar por lá.

Curiosamente, a irmã de Beyoncé, a cantora Solange, seria também um dos grandes destaques desta edição, mas teve de cancelar os concertos por causa de problemas com a sua banda e a produção do espetáculo.