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“A minha mulher é que teve de dizer: ‘Isto acabou, não vais voltar a ser o Tormund’”

Kristofer Hivju esteve em negação relativamente ao final de "A Guerra dos Tronos" até à última cena. A NiT falou com ele.
Kristofer Hivju juntou-se ao elenco em 2013.

Todas as semanas senta-se no sofá, conta ansiosamente os últimos segundos antes do genérico e na hora seguinte vibra com cada cena de “A Guerra dos Tronos”. Kristofer Hivju podia ser qualquer um de nós mas ele é Tormund Giantsbane, o wildling da série e uma das personagens mais adoradas das últimas temporadas. 

Quando a NiT fala com ele ao telefone, às 9h25 de terça-feira, 7 de maio, encontra-se algures no oeste da Noruega, a “olhar para montanhas e fiordes”. Está a acompanhar a mulher, Gry Hivju, produtora e realizadora, durante um trabalho. É com ela que tem visto todos os episódios da oitava e última temporada da produção da HBO.

Tormund apareceu na estreia da terceira temporada, em 2013, como uma personagem completamente secundária, um selvagem no meio de tantos outros. Os espectadores afeiçoaram-se ao comportamento bruto, as suas expressões viraram memes e, quando se cruzou com Brienne de Tarth na história, os fãs ficaram loucos com a possibilidade de um romance. 

Nas gravações, o ator norueguês de 40 anos usava um fato que pesava 18 quilos e, para se preparar fisicamente, ia todos os anos para o meio da floresta treinar como se fosse Rocky Balboa — inspirou-se mesmo no filme “Rocky IV”. Dedicou-se a esta temporada como se fosse qualquer outra e, só realizou que era mesmo o fim de uma etapa surreal, quando viu a própria mulher a chorar depois de ele gravar a última cena como Tormund. 

Antes do penúltimo episódio — que pode ver a partir das duas da manhã desta segunda-feira, 13 de maio, na plataforma da HBO Portugal —, leia a entrevista da NiT a Kristofer Hivju. 

Tenho de começar por perguntar o que milhões de pessoas querem saber: ainda há esperança para o Tormund e a Brienne?
Só posso dizer que, para o amor, há sempre esperança.

Faltam dois episódios para o final da série. Já os viu?
Vemos os episódios ao mesmo tempo do que o resto das pessoas. Tenho visto tudo com a minha mulher. Estivemos em plena produção mesmo até ao final, era difícil ver [o produto final] antes.

Qual é a memória que tem do seu último dia de gravações?
Estamos a trabalhar o dia todo e do nada alguém começa a aplaudir, o Dave [David Benioff, um dos criadores] e o Dan [D. B. Weiss, o outro criador] fazem um discurso bonito, dão um presente e, de repente, é isso, acabou. É difícil de entender. A minha mulher estava nas gravações e começou a chorar. Eu disse: “Porque estás a chorar, o que se passa?” E ela é que teve de me dizer: “Isto acabou, é isto, não vais voltar.” Foram seis anos das nossas vidas e de repente acaba. Ao mesmo tempo, sinto que dei tudo o que tinha ao Tormund e “A Guerra dos Tronos” sempre teve um propósito. Era uma história pensada para durar oito temporadas, nada mais. O ciclo está fechado.

Ainda é uma experiência surreal?
Foi o meu emprego durante seis anos. Apesar da escala gigantesca — havia 900 pessoas para almoçar, por exemplo —, habituamo-nos a isso tudo. Não nos habituamos à popularidade mas aprecio mesmo o carinho, o interesse.

O Tormund não é uma personagem principal mas é mais popular do que alguns protagonistas.
Criei o Instagram há uns anos e aí comecei a ver o amor dos fãs. Sinto o amor e acho interessante, sendo o Tormund aquela figura e havendo aquela muralha a separar as pessoas. Eles eram considerados selvagens, wildlings, animais. O Tormund agora, tantos anos depois, está no meio de toda a ação, no meio de todos. Acho muito bonito, dá esperança à humanidade.

Na Batalha de Winterfell filmou vários finais para o Tormund. Posso perguntar se fez o mesmo para os últimos episódios?
Não filmámos uma versão em que eu era morto, não.

Foi o que li a propósito da Batalha de Winterfell.
Não pode acreditar no que lê. [Risos] Isso não foi verdade, eram fake news. Tivemos de filmar coisas diferentes, sim, porque tínhamos drones, paparazzi a espreitar a toda a hora. Para confundir os fãs, gravámos coisas que não aconteceram.

Isso também demora muito tempo a fazer, certo?
Fazemo-lo um pouco mais fácil mas leva muito tempo, sim. Quando temos fotos divulgadas em sites ou jornais, precisamos de criar alguma confusão. Se as pessoas virem uma imagem do set, pode ser simplesmente mentira.

Não sente que depois de “A Guerra dos Tronos” mudou a televisão nunca mais será a mesma?
Gosto de ver séries e vai ser empolgante ver o que acontece depois disto. Sabe, haverá sempre coisas novas. “O Senhor dos Anéis” está a fazer uma série. As produtoras estão a investir cada vez mais dinheiro nas séries e isso compensa.

É verdade que se inspirou em Rocky Balboa para fazer de Tormund?
Todos os anos, quando estava a preparar-me para o Tormund, ia para a floresta com um bastão para bater em árvores e ficava lá uns dias para entrar no mood de wildling. Ia com o meu treinador. Comparo isso ao “Rocky IV”, quando o Rocky vai para a floresta correr na neve, cortar lenha. Essa é a comparação. As gravações de “Hardhome” e “Battle of the Bastards” foram bastante duras, isso ajudou. Foi um bom treino.

As filmagens de “A Guerra dos Tronos” terminaram em julho. Ainda tem a barba do Tormund?
Ainda a tenho [risos].

Leia também a entrevista a Vladimir Furdik, o Night King na série.