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Meryl Streep não chegou para salvar a segunda temporada de “Big Little Lies”

A série chegou ao fim esta segunda-feira, 22 de julho, e é bem possível que não haja qualquer regresso.

Aos 70 anos — e com cinco décadas de carreira — Meryl Streep é uma das atrizes mais conceituadas e premiadas de sempre na história de Hollywood. A grande maioria do seu percurso foi feito no cinema, com passagens regulares pelo teatro, e só agora voltou a uma grande produção de televisão: chamada “Big Little Lies”. Antes tinha participado em “Angels in America”, em 2003.

Meryl Streep era um dos grandes trunfos da segunda temporada da série da HBO — que foi prolongada depois do enorme sucesso da primeira, sendo que inicialmente era apresentada como minissérie. 

Nesta história, interpreta Mary Louise Wright, a mãe de Perry Wright (Alexander Skarsgård), que foi assassinado no final da primeira temporada pelo grupo das cinco de Monterey — Celeste (Nicole Kidman), Madeline (Reese Witherspoon), Renata (Laura Dern), Jane (Shailene Woodley) e Bonnie (Zoë Kravitz), que fizeram um pacto para se protegerem umas às outras. 

Tudo, claro, porque Perry era o marido abusivo de Celeste — e já tinha violado Jane, sem quaisquer remorsos, no passado. Nesta temporada, Mary Louise vai para Monterey para tentar perceber o que aconteceu realmente ao filho. Pelo meio, vai desentender-se com a nora e tentar ficar com a custódia dos dois netos.

A segunda temporada, que não foi realizada por Jean-Marc Vallée, mas antes por Andrea Arnold (sendo que a edição foi feita por Vallée), terminou esta segunda-feira, 22 de julho, com a estreia do sétimo episódio. Não há à vista uma terceira temporada do projeto, embora essa hipótese não esteja completamente descartada.

Em geral, a crítica sentiu-se desiludida com esta segunda temporada, depois da qualidade (e fasquia alta) da primeira. A revista “Esquire” escreveu: “Este drama parece ter encolhido tudo aquilo que era bom na primeira temporada ao ter histórias menos boas e um desenvolvimento de personagens fraquinho. Partes do enredo que ficaram penduradas e cenas clichés de tribunal pareceram indicar que ninguém sabia o que estava a fazer, ou pior — que a segunda vida de ‘Big Little Lies’ não foi mais que uma jogada para fazer dinheiro.”

A publicação americana defende ainda que a série para acabar bem precisa de uma terceira temporada. “A realidade é que para a narrativa ter uma conclusão satisfatória, precisa de uma terceira temporada que volte à boa forma, dispense Meryl Streep, e se foque naquele final autêntico e atribulado que foi fiel à série.”

O site “Vox” diz: “Talvez a maior mentira que ‘Big Little Lies’ tenha contado é que precisava de uma segunda temporada. Esta temporada funcionou melhor como um meme do que como uma história de televisão.”

O jornal “The New Daily” defende que a série não pode continuar depois deste ano. “Não teve a relevância e devastação emocional da primeira temporada. Não entrou verdadeiramente nos temas caóticos da maternidade. Ed [Adam Scott] foi a personagem mais desenvolvida emocionalmente.”

Também há críticos a dizer que, embora não seja tão boa como a primeira, há que dar algum valor à segunda temporada de “Big Little Lies”, até pelas circunstâncias em que foi feita. É o caso do texto do jornal “The Atlantic”.

“A segunda temporada teve de estar ao nível da fasquia da primeira temporada. Teve de justificar a continuação da história. Depois de terem conseguido Meryl Streep para ser a sogra de Celeste, a série teve de conseguir espaço para a atriz mais nomeada na história dos Óscares enquanto dava mais cenas a Bonnie, já que o seu envolvimento na morte de Perry foi uma surpresa. Se a primeira temporada teve o luxo de ser mais inteligente do que aquilo que as pessoas estavam à espera, a segunda foi quase afundada desde o início pelo peso do próprio prestígio.”

Claro que o trabalho de Meryl Streep não foi posto em causa nem pela crítica nem pelos fãs, mas a sua presença — num elenco já com algumas estrelas — pareceu não ser suficiente para levar “Big Little Lies” mais à frente (ou sequer para manter o nível de qualidade).