NiTfm live

Televisão

McDreamy perdeu o brilho (até no cabelo)

Crítica: Patrick Dempsey é um escritor acusado de homicídio em “A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert”.
A primeira temporada tem 10 episódios.
34

Voltar a encontrar Patrick Dempsey na televisão? Bom. Tê-lo num papel completamente diferente daquele que fez durante anos em “Anatomia de Grey”? Empolgante. Vê-lo, ainda por cima, na adaptação de um bestseller de Joël Dicker? Perfeito.

Esta era a teoria. Contudo, a estreia de “A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert” — em exibição no AMC todos os domingos, às 22h10 — revelou-se um bocadinho diferente.

Comecemos pela história. Harry Quebert (Patrick Dempsey) é um escritor famoso que vive isolado numa pequena localidade idílica do Maine. Estamos em 1975 e o autor está sentado à beira mar a escrever  — ou à espera que a inspiração lhe chegue. De repente começa a chover e aparece uma jovem a dançar no meio da água e da chuva como se aquilo fosse o pico mais alto da felicidade. Ele fica imediatamente hipnotizado e ali logo começa a falar e depois a correr como se fosse um adolescente. Primeiro, ninguém fica assim embasbacado em três segundos. Segundo, Nola tem 15 anos e parece tê-los, o que torna bastante perturbador o facto de um homem adulto ficar logo tão apaixonado por ela.

A história avança uns anos e é então narrada por outra personagem. Marcus Goldman (Ben Schnetzer) é um autor que atingiu um sucesso estrondoso com o primeiro livro. Com isso vieram mulheres, carros, dinheiro, clichés é mais clichés. Pior, a narração em voz off faz lembrar um telefilme de qualidade duvidosa dos anos 90. O novo riquinho está agora bloqueado, não consegue escrever e decide visitar o mentor, Harry Quebert, lá nos confins do Maine.

Correm juntos, conversam, comem no melhor restaurante local. Como e que Goldman consegue arranjar inspiração para outra história? Quebert explica: “Deixa que a tua musa te encontre.” Sim, é tão parvo quanto isso. Mas o escritor tem mais uns conselhos cheios de, adivinhe, clichés para dar ao antigo aluno. Pior do que isto só mesmo o facto de terem envelhecido Patrick Dempsey com uma maquilhagem (ou serão próteses?) tão exagerada que parece que a cara dele se vai desfazer a qualquer momento. E o cabelo, meu Deus? Porque destruíram o cabelo de McDreamy? Encheram-no de spray para que ficasse grisalho e conseguiram que ficasse com o aspeto de uma peruca de carnaval comprada na loja online mais manhosa da Internet.

Este aproveita a estadia para andar a chafurdar no que não deve e encontra uma caixa com fotos do mentor e de Nola e um recorte de uma notícia que dava conta do desaparecimento da jovem. Ninguém sabe dela há 30 anos, desde que foi vista a fugir no meio da floresta e pediu ajuda a uma velhota que acabou morta nessa noite. À mesma hora, Quebert estava à espera de Nola para fugirem os dois. Estavam apaixonados, diz ele. Chamem-lhe o que quiserem mas a minha mente só lê: pedófilo/miúda deslumbrada com autor famoso.