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Televisão

Manuel João Vieira viu o Festival da Canção e adorou tudo — 11 pontos

O músico vai estar com uma das suas bandas, Irmãos Catita, no sábado, 3 de março, com o festival da Eurotesão. No sítio do costume, claro.

A segunda semifinal aconteceu este domingo, 25 de fevereiro.

É com raiva e fúria que escrevo estas linhas acerca do fenómeno fónico que é o festival da canção. Isto porque repetidas vezes tentei concorrer ao dito mas sem o menor sucesso. Êxitos meus da telefonia e da cassete, como “Marilu”, “Vão para o caralho” ou o desconhecido “Sinfonia coprofónica” foram preteridos em favor de canções sem dúvida muitíssimo melhores e com um palmarés invejável. O maior escândalo é nem sequer as ter enviado porque sou completamente inapto para preencher papelada e para a burocracia que adivinho intricada e obscura nestes processos opacos e sonâmbulos.

Mas falemos daquilo que realmente interessa: o festival da canção continua igual a si próprio desde que eu me lembro, com a exeção  notável do ano passado em que ganhou um português, ainda por cima interpretando uma bela canção. Agora vemos pessoas com uma mente contemporânea a concorrer ao circo sonoro.

— No verão tu és a brisa na ponta da não sei quê. Estou a tentar lembrar-me das letras das canções. Ontem estive a ouvir o festival com 40 graus de febre, termómetro na boca. O meu papagaio ainda me canta algumas frases…

É raro debruçar-me sobre este emérito acontecimento cultural tipo acasalamento de mamutes em estúdios de formigas. Mas quando adolescente escrevi o ainda muito estudado “Weitere Bemerkungen über die Abwerhneuropsychosen Zum Psychischen Mechanismus der Vergesslichkeit”, que aborda os mecanismos da defesa de quem nega que está a ver o festival da canção.

Mas nem sempre foi assim.  Lembro-me de quando era garoto. “A menina“, dizia eu quando via a Tonicha no écran a preto e branco. “A menina”… e estendia os braços para a televisão num terno enlace fantasmático. Passemos à avaliação das canções:

Grandes músicas neste ultimo festival. Seria no entanto cruel e desumano preferir uma ás outras, pois tratam-se de corações tenrinhos que apenas querem o amor incondicional do púbico, perdão, do público.

Vamos portanto tentar dar a volta a uma canção em 12 festivais.

A menina Paris (Maria Inês Paris, “Bandeira Azul”)

A língua ser feliz, a-amor, amor fortaleza, beleza.

O amor é o tema lindo dos festivais. Aqui não há ironia, tudo é florida anestesia,  2 lágrimas, 11 pontos do nosso júri, o maestro OsKar Karalhoff.