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Kim Bodnia: “Não odeio ninguém, por isso trabalho e treino o choro em vários níveis”

“Killing Eve” é uma das séries mais elogiadas do momento. A NiT falou com o ator que interpreta Konstantin.
O ator é Konstantin.

“Hello, Kim Bodnia [Olá, é o Kim Bodnia].” Às 9h45 em ponto o telefone toca, a chamada é de um número sem identificação e é de imediato a voz do ator que se ouve do outro lado da linha — contrariamente ao que costuma acontecer nas entrevistas por telefone, nas quais é geralmente um assistente que estabelece a ligação entre o jornalista e o entrevistado.

O dinamarquês de 54 anos é atualmente Konstantin em “Killing Eve”, uma espécie de agente de Villanelle (Jodie Comer) — é ele que estabelece os contactos entre os clientes e a assassina contratada — mas também mentor e figura paternal. A história segue a vilã e a agente do MI6, Eve Polastri (Sandra Oh), que quer apanhá-la. Pelo menos tudo começa assim mas, à medida que os episódios avançam — o quarto capítulo da segunda temporada ficou disponível no fim de semana de 27 e 28 de abril na HBO —, a relação das duas torna-se complexa e demasiado próxima.

O projeto já ganhou vários prémios, incluindo um Globo de Ouro e um SAG para Sandra Oh, e as críticas são cada vez melhores. “Estranhamente engraçada”, uma “comédia torcida” ou “arrepiante e tensa” são os adjetivos certos para “Killing Eve”.

Konstantin, a única personagem capaz de controlar um pouco da loucura de Villanelle, que mata qualquer pessoa de forma macabra e sem emoções, é uma das vítimas do próprio monstro que ajudou a criar. Se ainda não começou a segunda temporada da série, o melhor é parar de ler este artigo por aqui, há spoilers a caminho. A personagem é morta pela vilã no penúltimo episódio da primeira temporada e o seu regresso (já que, afinal, o russo só estava gravemente ferido) é uma das grandes surpresas deste ano.

Para o papel, Kim Bodnia usou muito do que aprendeu em “Bron/Broen”, um projeto dinamarquês e sueco, onde era Martin, um detetive que tinha como parceira Saga, uma mulher com Asperger. Embora por motivos diferentes, Villanelle tem dificuldade em relacionar-se com outras pessoas e as cenas com Konstantin são das mais hilariantes da série.

Kim Bodnia, que sonhava ser guarda-redes até uma lesão o afastar do futebol, garante que não tem dificuldades em fazer o corte entre a ficção e a realidade mas usa uma ferramenta para se aproximar destes papéis pesados: chorar. Chora de várias formas e com diversas intensidades, tudo para perceber que sentimentos é que tudo isso pode desencadear.

Em contrapartida, ao telefone com a NiT, deu várias gargalhadas (as mesmas que Konstantin dá inúmeras vezes na história). Num inglês não muito perfeito, mas sem o sotaque russo que usa em “Killing Eve”, contou que teve de se esconder em Londres para gravar a segunda temporada e recordou a primeira viagem a Portugal. Tinha 19 anos. Leia a entrevista.

Posso perguntar de onde está a ligar, do set ou de casa?
Estou em casa, em Copenhaga [Dinamarca].

Está de férias?
Bem, estou constantemente a preparar o próximo passo mas infelizmente não posso dizer-lhe o que é. É uma pena mas são os segredos do universo.

Falando de “Killing Eve”, o Konstantin está vivo, afinal. Enganou-nos a todos.
[Risos, aquela gargalhada tão característica da série.]

Foi um dos grandes cliffhangers do final da primeira temporada. Como é que escondeu o regresso da personagem de toda a gente?
Foi muito difícil, estar sempre a esconder o que estamos a fazer é difícil. Estreámos nos Estados Unidos e na HBO na Europa. Toda a gente sabia que eu estava morto. Mas quando estávamos a gravar a segunda temporada, estávamos em Londres e a série estava a passar lá. Foi muito estranho. Descobriram que eu estava vivo, alguém estava a escrever [um artigo num jornal] sobre isso… mas foi divertido. Foi um jogo divertido. Eu não podia falar com ninguém. Na verdade, não contei aos meus amigos porque eles estavam a adorar a história de “Killing Eve”, não queria estragar-lhes a experiência [risos].