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“A Guerra dos Tronos”: se esperavam um final feliz, é porque não têm estado atentos

A segunda grande batalha da última temporada da série já aconteceu — e houve protagonistas a morrer. Leia a crítica da NiT.
O último episódio será transmitido a 20 de maio.
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Tudo aquilo que vimos no quinto episódio da última temporada de “A Guerra dos Tronos” é desesperante, angustiante, desconfortável de se ver. Como alguns fãs previram, Daenerys Targaryen revelou-se a má da fita e tornou-se a Mad Queen. Resta saber se foi tudo no calor da ação ou se foi um ponto de viragem completo que se vai estender no derradeiro capítulo da série.

Na primeira cena de todas vemos alguém a escrever numa carta “ele é o verdadeiro herdeiro ao trono”, referindo-se a Jon Snow. Cedo percebemos que é Varys, a executar a traição que sugeriu a Tyrion no episódio anterior. Provavelmente queria espalhar a verdade pelos Sete Reinos de Westeros, mas acabou por não o fazer.

Jon Snow chega a Dragonstone e Varys aborda-o, revelando que ele sabe que Snow é, na verdade, Aegon Targaryen. “Sempre que um Targaryen nasce, os deuses lançam uma moeda ao ar”, diz-lhe. “Ainda não sei como é que caiu a moeda dela, mas estou bastante certo quanto à tua.” Só que Jon não quer o trono e, mais uma vez, recusa sequer pensar nessa hipótese. Ele é fiel à sua rainha.

Com a morte de outro dos seus dragões e a decapitação de Missandei, Daenerys está de rastos. Parece que a atriz Emilia Clarke acabou de acordar e a equipa que trata da maquilhagem e do cabelo está em greve — ou morreu na batalha de Winterfell. Tyrion conta-lhe que alguém a traiu. “Jon Snow”, diz Daenerys, no sentido em que se Jon tivesse mantido a boca fechada não estaria prestes a estalar um problema enorme.

Tyrion refere-se, na verdade, ao seu companheiro Varys. O Lannister, que é Mão da Rainha, já não tem a melhor relação com Daenerys e não conseguiu proteger o amigo. Até fica implícito que talvez Varys tenha tentado envenenar a Targaryen, tudo para o bem do povo. Grey Worm vai buscar Varys aos seus aposentos e reúnem-se lá fora. Todos sabem o que vai acontecer — e nós, espectadores, apercebemo-nos de que é com um assassinato que vamos começar o episódio. Melisandre bem tinha avisado a Varys que ele iria morrer em Westeros.

Daenerys condena-o à morte por traição. Como? Drogon emerge da escuridão e queima o mestre dos segredos. Jon Snow olha impávido, sem estar muito confortável com a situação, mas percebe porque é que ela teve de o fazer. Mais tarde, Tyrion tenta convencer novamente a sua Rainha a poupar os milhares de inocentes que vivem em King’s Landing. Ela parece compreender e aceitar, e Tyrion diz-lhe que vai tentar uma última vez convencer a irmã, Cersei, a render a cidade para que não haja vítimas desnecessárias. Se for caso disso, vai tocar os sinos de King’s Landing. E o título do episódio é precisamente “The Bells”.

Tyrion descobre que o irmão, Jaime Lannister, foi feito prisioneiro depois de sair de Winterfell. Percebe que, ele sim, pode conseguir convencer Cersei a render a cidade — até porque ela está grávida do filho de ambos. A ideia é que os dois gémeos fujam num barco para começarem uma nova vida, longe de tudo aquilo. Tyrion sabe que provavelmente nunca mais vai ver o irmão e despedem-se de forma comovente. “Dezenas de milhares de vidas inocentes, um anão não particularmente muito inocente, parece-me uma troca justa”, diz Tyrion, antes de começar a chorar. “Se não fosses tu, nunca teria sobrevivido à minha infância. Foste o único que não me tratou como um monstro.”

Antes da batalha, Jon Snow e Daenerys estão juntos em Dragonstone. Jon volta a frisar que ela é a rainha dele e que nada nem ninguém vai mudar isso. Daenerys pergunta se é só isso que ela representa para ele e beija-o. Jon não consegue aguentar muitos segundos porque a sua namorada (e tia, nunca se esqueçam) acabou de matar Varys a sangue frio. “Se não for por amor, que seja por medo, então.” Esta frase refere-se a todo o povo de Westeros, mas também à relação de Jon e Dany. No fundo, resume o estado de espírito do episódio.

Para todos os que criticaram a batalha de Winterfell, “A Guerra dos Tronos” respondeu com este capítulo da história. Queriam uma guerra com luz e claridade? Aqui a têm. Não ficaram satisfeitos com o número e a relevância dos mortos? Bem, agora não se podem queixar.

Nas últimas semanas fomos lembrados várias vezes de que, com as perdas frente aos white walkers, os soldados Imaculados, dothraki e do Norte estavam numa posição mais equilibrada com os mercenários da Companhia Dourada e o exército Lannister. Já não existia um grande domínio do lado de Daenerys. Bem, mas durante toda a cena de batalha — que ocupa cerca de 75 por cento do episódio — não há qualquer soldado do lado de Daenerys a morrer ou sequer a levar algum tipo de golpe. Zero. É demasiado irrealista, até para uma série de fantasia, não?

Daenerys e o seu dragão que parece (bastante exageradamente) invencível conseguem incendiar a meia dúzia de navios que são comandados por Euron Greyjoy — a sério, eram mesmo só aqueles? O passo seguinte é queimar todas as super bestas que poderiam matar Drogon e que estão espalhadas pelas muralhas. Por falar no castelo, o dragão conseguiu, apenas com um jato de fogo e uns segundos de voo, acabar com toda a parte da frente da muralha de King’s Landing, o que permitiu que todos os soldados entrassem a pé sem dificuldade. Também foi claramente demasiado irrealista. De qualquer forma, a cidade está tomada.

Qyburn dá as más notícias a Cersei, mas ela está em negação — mais uma vez. Não se quer render. Entre as ruas estreitas da cidade, Jon Snow, Grey Worm, Davos e os Imaculados estão frente a frente com a Companhia Dourada, à espera de quem dará o primeiro golpe. Os mercenários percebem que não irão conseguir vencer e começam (embora relutantes) a render-se, atirando as espadas para o chão. O momento parece de vitória para Daenerys e as suas forças. Cersei olha do cimo da Fortaleza Vermelha e percebe que foi derrotada. As pessoas nas ruas imploram para que a rainha toque os sinos e se renda.