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Frente a frente: quem é pior, os meninos da mamã ou as meninas do agricultor?

“Quem Quer Casar com o meu Filho?” e “Quem Quer Namorar com o Agricultor?” estrearam na TVI e na SIC. Descubra as diferenças.
A SIC e a TVI têm dois novos programas.

Na sexta-feira, 8 de março, Portugal celebrou o Dia Internacional da Mulher. Houve manifestações nas ruas, declarações nas redes sociais e intervenções sobre o que falta ainda fazer no País pela igualdade de género.

Dois dias depois, neste domingo, dia 10, estrearam na televisão portuguesa dois formatos sobre relações amorosas que contrastam com tudo aquilo que foi dito na última semana. “Quem Quer Namorar com o Agricultor?” é o novo programa da SIC. À mesma hora começou “Quem Quer Casar com o meu Filho?”, o concorrente da TVI.

Ambos têm mulheres a disputarem o lugar ao lado de certo homem — algo que parece estranho, tendo em conta todas as conversas sobre feminismo a que assistimos na semana passada. A NiT decidiu fazer um frente a frente entre estas duas adaptações de formatos internacionais, até porque as semelhanças são muitas.

O formato

Os títulos dos programas são bastante elucidativos. No caso do programa da SIC, existem cinco homens agricultores de todo o País que são apresentados a cerca de 20 mulheres concorrentes. O objetivo deles é encontrarem o amor no meio de várias participantes, o objetivo delas é disputarem entre si um lugar ao lado do seu agricultor favorito.

Para isso, os agricultores são apresentados às várias pretendentes e existe uma espécie de speed dating — conversas de cinco minutos com cada participante — para que cada um dos homens descubra quem lhe interessa mais. Tudo isto aconteceu em território neutro, num espaço em Azeitão. A SIC diz que Portugal tem 290 mil agricultores e que 70 mil são solteiros.

No final, e depois de um momento de convívio mais descontraído já com espaço para pequenas intrigas entre concorrentes — algo que deverá acentuar-se cada vez mais ao longo das semanas —, os agricultores elegem as quatro mulheres que querem levar para a sua quinta/herdade para continuarem o formato.

Caso sejam escolhidas por mais do que um agricultor, as concorrentes podem decidir se querem ir só com um ou se aceitam ambos os convites — neste caso, todas as que estavam nessa situação não quiseram arriscar e decidiram conhecer a casa de ambos os agricultores.

A ideia é que eles tenham oportunidade para conhecer melhor aquelas mulheres — especialmente através das atividades agrícolas que irão fazer. Ao longo das semanas irão eliminar concorrentes, em decisões que se esperam cada vez mais difíceis.

Já na TVI a ideia é outra. Trata-se de uma espécie de “Shark Tank” (para não dizermos leilão de escravos) em que o que está a ser “vendido” são (também) mulheres concorrentes. Aqui não há um tema base, como a agricultura na SIC. O formato assenta na dupla de filhos e mães.

De um lado estão as concorrentes. Do outro, a conduzir as pequenas entrevistas, estão os filhos e as mães. Vão colocando questões como “que idade tem?”, “sabe cozinhar?”, “fuma?” ou “tem filhos?”, de forma a eliminarem as que menos lhes interessarem. Alguns filhos conseguem conjugar-se bem com as mães, noutros casos são elas que têm um papel primordial na decisão.

João Neves é um dos cinco agricultores.

O primeiro episódio de “Quem Quer Casar com o Meu Filho?” consistiu essencialmente neste formato de entrevistas e na apresentação da história de contexto de cada filho e mãe. No final, cada homem (aconselhado pela mãe) teve de eliminar uma das concorrentes e ficar com “apenas” cinco pretendentes que possam vir a ocupar o lugar da sua mulher. Ao longo do tempo vai haver oportunidade para filhos e participantes se conhecerem e aproximarem, mas todas as semanas vai ser necessário eliminar uma delas.

É óbvio que em ambos os formatos existe uma objetificação da mulher, até porque a aparência física é a característica que vai pesar mais nesta fase inicial dos programas. As mulheres são apresentadas como submissas, enquanto os homens (sobretudo no programa da TVI) parecem estar numa loja à procura dos melhores produtos para compor um harém.

No caso do programa da TVI, os homens são apresentados como seres humanos que precisam de alguém que cozinhe para eles e lhes faça as tarefas domésticas — a ideia é que a mãe esteja a passar o testemunho para uma concorrente.

Os dois formatos falham na forma como apresentam as mulheres: não existe qualquer agricultora à procura do amor ou dupla de filha e mãe que opine sobre homens.Também não há qualquer tipo de representação da comunidade LGBT.

As apresentadoras

Duas mulheres apresentam os novos formatos da televisão portuguesa. Andreia Rodrigues conduz “Quem Quer Namorar com o Agricultor?”, enquanto Leonor Poeiras está à frente de “Quem Quer Casar com o meu Filho?”. A intervenção das apresentadoras serve para dar as boas-vindas aos vários participantes dos programas, além de ir esclarecendo as regras e os diferentes momentos de cada episódio. O papel de Andreia Rodrigues e Leonor Poeiras acaba por, nesta fase, ser mais ativo do que, por exemplo, o de Diana Chaves em “Casados à Primeira Vista” — o programa da SIC que teve sucesso e começou esta tendência de formatos sobre relações amorosas.

As imagens

Pela sua essência, o programa da SIC tem imagens muito mais apelativas. Grande parte do programa tem filmagens de paisagens incríveis (feitas com drones), de animais e quintas que podiam ser tiradas de vídeos de promoção do turismo. O programa da TVI passou-se essencialmente dentro de uma propriedade que serviu para conduzir as entrevistas. Apesar disso, “Quem Quer Casar com o Agricultor?” tem uma edição mais repetitiva e redundante.

As emissões

Este domingo aconteceu a emissão de estreia de ambos os programas. Agora vai existir um formato mais curto durante a semana: na SIC vai ser todos os dias úteis a partir das 19h10, enquanto na TVI há um episódio esta segunda-feira, 11 de março, às 18h17. Na programação da estação de televisão de Queluz de Baixo ainda não é possível perceber se vai haver um formato realmente diário.

Em ambos os casos, a ideia é que as concorrentes se aproximem dos agricultores/filhos e comecem a desenvolver algum tipo de relação ao longo da semana. Todos os fins de semana irá existir um programa maior, onde se espera que haja pretendentes eliminadas (e, claro, muito drama).