Televisão

Entrevistámos o António Raminhos e ele foi uma besta

O humorista esteve na NiT para uma conversa sobre as filhas e a carreira (ou pelo menos era isso que a repórter pensava). No final, ele revelou que estava só a gozar.

Chegou mais de uma hora depois do combinado mas, até aqui, tudo normal — quantos e quantos entrevistados se atrasam. Entrou na sala disparado e sem abrir a boca. Quando me aproximei para cumprimentá-lo, estendeu-me simplesmente a mão. Tudo bem, nunca nos vimos antes. Assim que se sentou, começou a disparar: “Isto é para quê mesmo?”, “Não sei o que é a NiT”, “Não era a Diana Garrido [a editora executiva] que ia fazer a entrevista?”, “És estagiária?”

António Raminhos esteve na NiT para uma entrevista — ou, pelo menos, era isso que eu pensava. E era a única. Era tudo a brincar e o único objetivo era apanharem-me nesta cilada. Ahah, muito giro. Parabéns, colegas. Até um miúdo de quatro anos percebia mais depressa do que eu. Nunca desconfiei, nunca, e na minha cabeça estava em loop uma única ideia: “Este gajo é uma besta, este gajo é uma besta.”

Ele fez o ar mais aborrecido do mundo, saiu para fingir um telefonema, respondeu várias vezes com um “estou-me a cagar”. Eu desisti de tentar salvar a suposta entrevista, respirei fundo, disse obrigada e adeus. O que queria mesmo gritar-lhe era que se pusesse a andar e que fosse à p*** da vida dele, pardon my french.

Afinal, estava tudo combinado há meses. Um complotzinho organizado pelo diretor da NiT, Jaime Martins Alberto (sim, pretendo acusar em praça pública todos os envolvidos), e patrocinado pela editora executiva, Diana Garrido, amiga do humorista.

No final, António Raminhos regressou para me dizer que era tudo a gozar. Eu devo ter soltado umas quantas asneiras. “Acho que te ouvi engolir em seco várias vezes”, disse. 

Qual é o interesse jornalístico deste artigo, pergunta você? Nenhum. Foi tudo a gozar e um ato de pura humilhação de uma repórter que será agora partilhado com o mundo (e o mais triste é pensar que este poderá ser o meu artigo mais lido). A conclusão de tudo isto é só uma: fazemos tudo pela NiT.

P.S.: O António Raminhos não é uma besta, longe disso, mas sim um grande ator. Estava mais nervoso do que eu e com pena da maldade que estava a fazer.

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