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GOT: “Sei o que vai acontecer no sexto episódio e não queria fazer parte daquilo”

A NiT entrevistou Pilou Asbæk, o ator que interpreta Euron Greyjoy em "A Guerra dos Tronos", que está prestes a terminar.
O ator tem 38 anos.

Foi uma das últimas personagens a juntar-se à série, mas chegou para causar algum impacto, mesmo que não tenha sido o vilão que Joffrey ou Ramsay foram em “A Guerra dos Tronos”. Falamos de Euron Greyjoy, o tio malvado de Yara e Theon que nos últimos tempos se uniu a Cersei Lannister.

A personagem morre durante o quinto episódio da oitava e última temporada da série. Os novos capítulos são transmitidos à segunda-feira — em Portugal pode acompanhar na HBO Portugal e no Syfy — e só falta um para terminar a história.

Euron Greyjoy é morto por Jaime Lannister num combate entre ambos. À NiT, o ator dinamarquês Pilou Asbæk explica que pediu aos showrunners para que tivesse uma morte “feliz”, em que não fechasse os olhos.

Na vida real, Pilou Asbæk e Nikolaj Coster-Waldau, que interpreta Jaime e também é dinamarquês, são grandes amigos. Conhecem-se há muitos anos e, antes de entrar no mundo da representação, Pilou chegou mesmo a ser babysitter dos filhos de Coster-Waldau. Agora abandonaram a maior série de televisão do mundo juntos, no mesmo episódio.

A NiT entrevistou Pilou Asbæk na segunda-feira, 13 de maio, a propósito da morte da sua personagem e do final de “A Guerra dos Tronos” e o ator de 38 anos pode ter deixado algumas pistas sobre o último capítulo de sempre.

Como é que se sentiu quando leu o guião que tinha a morte do Euron?
Senti que era o único tipo com um final feliz. Porque ele partiu a sorrir. Eu fui um enorme fã de “A Guerra dos Tronos” durante tantas temporadas e depois tornei-me parte disto. Sentia que era um turista e que o meu trabalho principal era aproveitar e divertir-me. Algumas pessoas adoram isso, outras pessoas odeiam-no, mas eu gostei de cada segundo de “A Guerra dos Tronos”. Quando fizemos a leitura dos guiões em conjunto, antes de gravarmos a temporada, o [showrunner] David [Benioff] apareceu e disse: “Pilou, tu vais morrer.” E eu: “Não, não, pessoal, eu não morro.” E eles disseram: “Não, mas escrevemos no argumento que ele vai morrer.” E eu: “Mas não vou fechar os meus olhos. Por isso recusei-me a morrer, eu não queria fechar os olhos. Ainda estou em negação, o Euron Greyjoy não morre [risos]. E, se morreu, é um final feliz para ele.”

É um final glorioso, certo?
Sim. Ainda não o vi, mas o episódio inteiro é uma enorme cena de morte.

Qual foi o grande desafio ao interpretar esta personagem?
O maior desafio foi pegar numa personagem que não tem assim tantas cenas e torná-la memorável. Não faço parte do elenco principal, tive um papel secundário. E com o tempo limitado que tive, queria ter o máximo de impacto possível. Por isso fiquei feliz com o que tive, mas enquanto ator queres sempre ter mais. Queres sempre uma personagem em que possas trabalhar mais, que tenha mais dimensões.

Euron Greyjoy morreu depois da luta com Jaime.

De que é que gostou mais neste papel?
Gosto das minhas cenas na sétima temporada, especialmente a batalha nos navios, quando ele captura a Yara. Gostei disso porque mostrou o guerreiro maníaco que ele era, que não vimos assim tanto. Gostava que tivesse havido uma ou duas cenas em que eu fizesse algo de magia, que tivéssemos mais um pouco do Euron dos livros e não só da televisão. E tu queres sempre homenagear mais a pessoa que criou este mundo. Fiz isso quando fiz o “Ghost in a Shell — Agente do Futuro”. Tentei fazer um pouco disso com o Euron, mas é difícil, porque eu tinha uma função. E a minha função era ajudar Cersei a tomar o poder.

Se não fosse o Euron Greyjoy, que outra personagem gostaria de ter feito em “A Guerra dos Tronos”?
Não sei, adoro a minha personagem, nunca pensei muito nisso. Talvez o Little Finger.

Que tipo de feedback é que tem recebido do público?
Tenho percebido que ele é uma personagem que as pessoas adoram odiar. Estou a receber muitas mensagens de ódio nas redes sociais. As pessoas dizem coisas como: “Eu odeio essa personagem de merda, tu devias morrer. Ah, e já agora, adoro-te, Pilou. És um grande ator.” Estou a ter este feedback muito estranho do Euron Greyjoy, mas é porque as pessoas têm uma grande paixão pela série e pelas personagens. E estou muito orgulhoso por ter feito parte disto.

Mesmo com esse feedback.
Sim, claro. E há pessoas que estão muito zangadas porque dizem que a série parece apressada demais ou que esta temporada tem poucos episódios, mas nunca consegues satisfazer o mundo inteiro. E as pessoas têm de perceber que uma coisa são os livros e outra é a série. Há uma linha muito ténue entre paixão e ódio e às vezes as pessoas misturam as duas coisas.

Tinha algum tipo de preparação especial para entrar na personagem, antes das filmagens?
Comia muitos bebés [risos]. Além disso, não, lia os livros, tentava encontrar algo diferente daquilo que já se tinha visto. “A Guerra dos Tronos” é famosa pelos seus vilões. As pessoas falam sempre do Joffrey, ou do Ramsay, mas para mim a última vilã, a derradeira pessoa má é a Cersei. Ela é a antagonista da série. E com o Euron Greyjoy eles queriam outro tipo de personagem: um gajo que não sabias se te ia foder ou matar.

Teve pena de não poder viver até ao último episódio da série?
Não, porque sei o que vai acontecer no sexto episódio e não quero fazer parte disso. Estou feliz, feliz, muito feliz que tenha saído no quinto episódio.