Televisão

O diretor artístico de “A Guerra dos Tronos” usou azulejos portugueses na série

Castelos, quartos e tronos da série são imaginados por Paul Ghirardani e pela sua equipa. A NiT falou com ele para perceber todo o processo de criação.

Paul Ghirardani conhece os detalhes dos episódios antes de toda a gente

Castelos, campos de batalha, mesas, candelabros, quartos, banquetes, salas do trono. Todos os objetos e cenários de “A Guerra dos Tronos” — que regressa a 16 de julho — são pensados pelo departamento de arte. Paul Ghirardani é o homem à frente de uma equipa de centenas de pessoas. Umas estão presentes nas gravações, outras passam 12 horas por dia em gabinetes a imaginar, rabiscar e refazer os mais pequenos detalhes, desde a fechadura de uma porta ao formato de uma cadeira.

O diretor artístico já tinha trabalhado em projetos como “Ana e o Rei” e “A Mulher de Negro” antes de se juntar à produção da HBO, na quarta temporada. Agora fica “muito nervoso” cada vez que tem acesso à informação dos episódios seguintes de “A Guerra dos Tronos” — apesar de tudo ter de passar por vários níveis de segurança e ser feito através de um site encriptado.

Paul Ghirardani está em Portugal para uma conferência sobre a série e todo o seu processo criativo. A sessão acontece esta quarta-feira, 17 de maio, às 19 horas, no Grande Auditório do CCB — os bilhetes custam 5€ e estão à venda no local e na Ticketline — e faz parte do ciclo Distância Crítica, organizado com a Trienal de Arquitectura. Antes, falou com a NiT e revelou adorar tanto os azulejos portugueses que os usou numa cena da série. Leia a entrevista.

Para alguém que não sabe exatamente o que faz um diretor artístico, onde é que pode reconhecer o seu trabalho quando ver “A Guerra dos Tronos”?
É tudo o que se vê no ecrã, toda a arquitetura: prédios, interiores, exteriores, o aspeto de “A Guerra dos Tronos” vem todo do departamento de arte. A construção dos castelos, das salas dos tronos e das salas mais pequenas, como um quarto. Criamos o aspeto que tem a série. Em resumo é isso que fazemos.

O que é mais desafiante num trabalho com uma dimensão tão grande?
O maior desafio é a escala do projeto, é gigante e cada dia é diferente. Posso dizer que temos a equipa mais incrível, desde a construção aos pintores, passando pelos produtores e realizadores. Todos os que estão à nossa volta querem que “A Guerra dos Tronos” funcione. Há uma grande indústria envolvida para fazer tudo isto acontecer. É desafiante gerir o dia a dia, também por causa dos timings.

Também costuma estar nas gravações?
Normalmente não, o meu trabalho está sempre um passo à frente. Se for terça-feira, eles estão a filmar um castelo, se for quarta estão numa sala do trono, depois numa quinta. Eu tenho de me assegurar que a equipa tem sempre algo para filmar, são como um animal esfomeado e não podem parar. Costumamos ter duas unidades, uma chamada dragão e a outra lobo, é muito ao estilo “A Guerra dos Tronos”. A unidade dragão está geralmente na Irlanda do Norte, lidam com as grandes cenas de batalha.

Quantas pessoas tem uma equipa?
Numa unidade diria que são 120 pessoas, não somos tímidos. A unidade lobo costuma deslocar-se, no ano passado esteve em Espanha durante cerca de cinco meses para preparar tudo. Na sexta temporada até tivemos três unidades. A white walker juntou-se às outras duas e isso foi difícil porque havia muita gente e muito para fazer.

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