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“Dead to Me”: cínica, empolgante e divertida, esta é a série que já devia estar a ver

Está disponível na Netflix e a somar elogios por todo o lado. Christina Applegate e Linda Cardellini são as protagonistas.
Judy é otimista, Jen é cínica.

Há uns meses, Christina Applegate disse ao agente qual seria o seu emprego de sonho: “Quero trabalhar dois dias por semana numa série com um elenco incrível… E no resto da semana [quero] estar com a minha filha, viver a minha vida, não tomar banho.” Tudo porque, depois de ultrapassar um cancro da mama em 2008, as prioridades e os objetivos que tinha em Hollywood mudaram por completo.

Entretanto apareceu “Dead to Me”, um projeto tão tentador que a atriz de 47 anos quis ser uma das protagonistas e também fazer parte do lote de produtores executivos, ao lado de Will Ferrell, por exemplo.

Disponível na Netflix desde 3 de maio, os dez episódios são facilmente devorados e estão a receber cada vez mais elogios. Há motivos para isso, sobretudo pela interpretação de Applegate e da outra protagonista, Linda Cardellini. Na história elas são duas mulheres de 40 e poucos anos que se conhecem num grupo de luto — cada uma está a tentar lidar com perdas diferentes.

Os temas são pesados (morte, abortos espontâneos, menopausa precoce, cancro) e tudo começa como um drama. No entanto, os diálogos são tão bem pensados que há muitos momentos hilariantes, até aqueles em que o sarcasmo toma conta de cenas que podiam ser de pura choradeira.

“Dead to Me” é a série de que toda a gente anda a falar — e que você já devia estar a ver. A NiT assistiu à totalidade da primeira temporada e, sem spoilers, explica-lhe porquê.

Qual é a história?

Jen Harding (Christina Applegate) é uma agente imobiliária viúva e cheia de raiva — que tenta processar a morte do marido, atropelado perto de casa. Judy Hale (Linda Cardellini) é uma espécie de hippie que acredita em espíritos e energias mas que esconde um segredo terrível. As duas vão cruzar-se e criar uma amizade improvável. Uma é cínica, a outra otimista; uma tem ataques de raiva frequentes e ouve metal fechada no carro como se fosse terapia; a outra é fofinha, colorida mas um pouco maluca. 

Quem são as atrizes principais?

Christina Applegate foi a primeira a juntar-se ao projeto, em julho de 2018. Antes deste papel, a atriz ficou conhecida logo com 16 anos na série “Casado com Filhos”, onde era Kelly Bundy. Entrou depois em “Samantha Who?” e “Alvin e os Esquilos 2”, por exemplo, mas nunca chegou a fazer parte da lista principal dos grandes nomes do cinema. Um dia perguntaram-lhe qual era o segredo dela para a longevidade. “Sucesso medíocre” foi a resposta

Linda Cardellini pode não ser tão mediática mas tinha 11 anos quando se estreou em televisão. Foi Sarah em “Bone Chillers”. Depois foi Lindsay em “Freaks and Geeks — A Nova Geração”, Samantha em “Serviço de Urgência”, Sylvia em “Mad Men” e Meg em “Bloodline”.

Quando as duas souberam que estavam envolvidas na série, combinaram encontrar-se, porque nunca tinham trabalhado juntas. Almoçaram no Crossroads Kitchen, em Los Angeles, “o melhor restaurante vegan do planeta”, explicou Applegate ao jornal “The New York Times”.

Quem é a criadora?

Liz Feldman tem 42 anos, escreveu para séries como “Póquer de Rainhas” e “2 Broke Girls”, das quais também foi produtora. Em abril de 2018, a Netflix anunciou que tinha encomendado a primeira temporada de “Dead to Me”. A ideia foi desenvolvida por Feldman, que também escreveu três dos dez episódios.

Porque é tão boa?

“Dead to Me” não se prende a um género específico. É um drama, mas também é uma comédia e por vezes até um thriller. O primeiro episódio tem logo uma revelação (lá mais para o final) e esta não é a única vez que a história troca de direção repentinamente.

Os diálogos são ótimos, sobretudo quando Jen e Judy estão em cena — ainda assim, as outras personagens, embora muito secundárias, cumprem na perfeição as respetivas tarefas. Estão ambas a sofrer por motivos muito diferentes e isso é bem visível mas são incrivelmente divertidas mesmo sem fazerem nada propositadamente para divertir. Desde o início que sabemos que Judy esconde muita coisa (até sabemos praticamente logo à partida os contornos principais da sua narrativa) mas o que é surpreendente é o que vamos descobrindo acerca de Jen, uma mulher que é bem mais complexa do que a compreensível raiva pela morte repentina do marido que se traduz na tentativa obsessiva de encontrar o culpado do atropelamento e fuga ou no ato de destruir um carro com um taco de beisebol.

Vai ter tudo de uma vez, sem perceber como.

O que Christina Applegate quis incluir na história

Garante que teve um trabalho bem mais fácil do que Linda Cardellini, já que era apenas “um ser humano quebrado”, enquanto Judy é complexa, debate-se com uma data de segredos e as próprias perdas. Por isso, a atriz sentiu que tinha de dar alguma vulnerabilidade à personagem. Pediu então à criadora, Liz Feldman, que Jen tivesse feito uma dupla mastectomia, intervenção que Applegate fez em 2008, quando tinha apenas 36 anos e lhe foi diagnosticado cancro da mama.

“Nunca vi uma personagem em televisão falar sobre isso. Adorei como [Liz Feldman] e os guionistas conseguiram incluir isso de tal forma que não estávamos a fazer daquilo um exame. Faz parte dela. […] Ninguém esteve lá para para perceber quão doloroso pode ser e como pode ser humilhante”, explicou à revista “Vanity Fair”. 

Além disso, para este luto constante intercalado com desilusões avassaladoras, Christina Applegate teve de recuperar memórias pessoais para entender melhor a sua personagem. “Isto tocou em algumas coisas que eu tive de enfrentar. Foi como uma catarse. […] Não sei se foi terapêutico. Se comecei a fazer terapia depois de gravar a série? Sim, completamente”, revelou em entrevista à revista “Variety”.  

Onde pode ser vista?

A primeira temporada está dividida em dez episódios, todos com mais ou menos meia hora. Estão disponíveis na Netflix desde sexta-feira, 3 de maio, e a própria plataforma de streaming descreve-a como uma mistura de “Big Little Lies” e “Grace and Frankie”.

Vai haver segunda temporada?

Vai. A Netflix já confirmou.