Televisão

Crítica: “The Walking Dead” terá um novo mundo no próximo ano — mas será que nos interessa?

A oitava temporada chega ao fim sem cenas épicas mas com uma zanga inesperada.

Esta temporada teve 16 longos episódios.
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“The Walking Dead” arrasta-se penosamente há semanas (eu arriscaria até dizer temporadas) numa guerra com Negan a comandar de um lado e Rick do outro. Um confronto épico estava prometido para o final da oitava temporada — “Wrath”, o 16.º e último episódio, foi transmitido esta segunda-feira, 16 de abril, pela Fox — mas não foi bem a isso que os espectadores tiveram direito. O rumo escolhido é outro, não há nenhuma batalha inesquecível ao estilo de “A Guerra dos Tronos” mas, nesta série, já devíamos saber que as expectativas são para nivelar por baixo. Pela última vez este ano, vamos então rever rapidamente o que aconteceu esta semana.

Vem aí a guerra (ou talvez não)

Em Hilltop todos se preparam para o dia D, aquele em que um confronto com os Salvadores é inevitável e do qual só um dos lados pode sair vencedor. Ezequiel tem de enfiar no episódio mais umas das suas larachas, Henry pede a Carol que ela regresse ao Reino no final de tudo, os Salvadores arrependidos livram-se de uma data de walkers para ajudar Maggie, as alucinações de Morgan são cada vez mais persistentes. Rick e companhia partem numa caminhada seguindo as indicações enviadas por Dwight pelo pombo correio Gregory (que agora está trancado em casa, a melhor notícia para todos nós). O problema é que o mapa é falso, já que o espertalhão do Negan topou o traidor Dwighty boy, e os bonzinhos desta história seguem para uma emboscada. Enquanto isso, no Santuário, Eugene assegura a Negan que a produção de balas correu sem percalços, os Salvadores apressam-se para atacar o pessoal de Hilltop e Dwight é mantido vivo para assistir ao massacre patrocinado por ele. No carro de Negan há espaço para Gabriel, a quem  o vilão confessa apenas que vai matar toda a gente — não há cá arrependimentos, é o que tem de ser feito e pronto.

Rambo Eugene entra em ação

Numa escala de 0 a 10, qual o nível de ódio a esta personagem (pelo menos no início do episódio)? O meu aumenta a cada segundo, confesso, ao ponto de ter um desejo profundo de asfixiá-lo com o próprio cabelo, aquele penteado tão ridículo quanto as frases que lhe saem da boca e só ele entende. Depois, quando achava que Eugene tinha mesmo passado para o lado negro da Força, eis que entra em cena rambo Eugene. É ele que acaba por salvar os antigos companheiros, claramente em desvantagem quando se encontram num descampado à mercê dos Salvadores. Quando estes disparam contra Rick e companhia, as respetivas armas rebentam-lhes nas mãos — é que lá na fábrica das balas, Gene aproveitou-se do cegueta Gabriel para colocá-lo a encher cartuchos com uma substância adulterada. Ou melhor, nas palavras dele, criou “a probabilidade de erro para grande estrondo”.

Oceanside ao ataque

Em Hilltop ficam umas quantas personagens irrelevantes e, quando chegam os Salvadores para dar cabo daquilo tudo, só resta Tara para aguentar o forte. Os Salvadores arrependidos oferecem-se para ajudar e no último momento aparecem as mulheres da comunidade de Oceanside (tão previsível) que ouviram finalmente Aaron e querem lutar contra Negan. E não é que elas são as deusas do fogo? Em 30 segundos os mauzões estão em chamas e a coisa está despachada.

Bye bye Morgan, olá Anne

Depois da batalha dos clãs (já lá iremos), Morgan vai até à lixeira para oferecer à doutora Spock um lugar na comunidade porque, afinal, o que interessa no meio disto tudo “são as pessoas”. Anne, o verdadeiro nome de Jadis, agradece as palavras do sábio Morgan e está pronta para se juntar a Rick. Contudo, apesar do discurso bonitinho, Morgan está ali é para ficar com o lugar dela — ou seja, isolado de todos. Não questionem, o homem tem um spinoff (“Fear the Walking Dead”) para fazer, era preciso fazê-lo desaparecer de alguma forma. Já do raio do helicóptero, que continuamos sem saber de onde vem, ninguém fala, não é?

Rick, 1 — Negan, 0

Após a surpresa de Eugene e com uma mão ferida, Negan foge. Rick depressa o alcança e dispara umas quantas vezes mas a verdade é que a pontaria dele não tem andado lá muito afinada. Os dois estão finalmente frente a frente e Rick precisa de dez segundos para explicar ao rival o sonho de Carl: ninguém tem de matar ninguém e podem todos ser amiguinhos a partir daqui. Rick está emocionado, Negan está emocionado, eu é que tenho zero de emoção e de paciência, já agora — não é nada disto que a série anda a prometer-me há meses. Só que os dias de santo Rick já lá vão e ele aproveita a vulnerabilidade do outro para lhe dar uma naifada no pescoço. Então é assim que este acaba? A esvair-se em sangue? Era este o tal confronto épico? Calma, Rick tem um plano e manda Siddiq tratar o vilão. Não, ele não vai brincar aos jardineiros, como no sonho de Carl, mas sim passar o resto da vida numa cela a assistir à reconstrução de uma civilização onde já ninguém terá medo dele. Tão bonito e justo, não é?