Televisão

Crítica: A terceira temporada de “Fargo” começa mais calma mas igualmente épica

SPOILER ALERT. Ewan McGregor desdobra-se em dois irmãos muito diferentes mas igualmente trafulhas. Mais uma vez, um ato idiota dá início a uma cadeia de acontecimentos com proporções gigantescas, e é tudo tão bom.

Mais difícil do que causar uma boa primeira impressão, é mantê-la. É assim com as pessoas, com as relações e, tendo em conta a nova temporada, “Fargo” é uma história de amor que pretendemos prolongar por tempo indeterminado.

Foi preciso esperar um ano, quatro meses e uns dias para o regresso da série — que estreou nos Estados Unidos esta quarta-feira, 19 de abril, e chega a Portugal, ao TVSéries, no dia 30. O primeiro episódio, “The Law of Vacant Places”, dá-nos como recompensa pela espera uma hora de televisão. Não espere a chacina do segundo ano ou o diálogo perturbador entre Lorne Malvo (Billy Bob Thornton) e Lester Nygaard (Martin Freeman) de 2014 mas a série só precisa de um episódio para voltar a mostrar que é uma das melhores produções da atualidade.

“Fargo” volta mais controlado mas igualmente brilhante. A estreia aproxima-se mais da primeira temporada e do imaginário dos irmãos Coen de 1996. Começa de forma discreta, com menos espalhafato, embora a premissa acabe por ser semelhante: pessoas tomam decisões tontas que desencadeiam consequências de proporções gigantescas.

A cena de abertura passa-se em 1988, na Alemanha, e agarra-nos nos primeiros segundos. Numa sala de interrogatório fria e sinistra, um militar questiona um homem sobre o homicídio de uma mulher. Ele garante não fazer a mínima ideia do que se passa à sua volta mas, à medida que os minutos avançam, deixamos de ter assim tanta certeza em relação à sua inocência. Em que é que estas personagens vão influenciar a história? Para já, é impossível perceber mas, mesmo que não sirva para nada, já valeu a pena ver este homem austero a terminar o almoço, lamber os dedos e dobrar metodicamente um papel que guarda na gaveta — tudo enquanto o desgraçado do interrogado observa a cena surreal.

“Fargo” viaja depois até 2010. Ewan McGregor foi logo o ator imaginado por Noah Hawley, o criador e guionista, para interpretar dois irmãos. Emmit Stussy é um empresário considerado o “rei dos terrenos do Minnesota”. É rico, tem cabelo preto e encaracolado, um gosto duvidoso e a sua fortuna pode não ser assim tão legítima. Ray Stussy é um pouco mais novo e a imagem oposta do irmão: careca, barrigudo, agente de liberdade condicional sempre sem dinheiro, com um Corvette vermelho desatualizado.

Nikki (Mary Elizabeth Winstead) é a namorada bastante mais nova, com delitos no currículo, que Ray conheceu por ser agente dela. Ele quer casar com ela mas esta relação deixa muitas dúvidas no ar. Será que é assim tão verdadeira ou, tal como parece, alguém se está a aproveitar de alguém? Vamos dizer o que todos estão a pensar: ela é nova, gira, com sex appeal; ele tem zero apelo visual.

nota NiT: 80%
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